Aluguel sobe 0,20% em abril, situação é favorável ao inquilino

Regina Pitoscia

30 Março 2018 | 00h15

A correção anual do aluguel de contrato residencial vinculado ao IGP-M com vencimento em abril passa a ser positiva. Será de 0,20%, quase nada, dependendo do valor pago. Um aluguel de R$ 1.500 terá aumento de R$ 3,00, um aluguel de R$ 2 mil, de R$ 4,00, e assim por diante.

Visto no contexto de um período maior, esses dados apontam ligeira mudança nos valores do mercado de locação. O reajuste positivo se segue a nove meses seguidos – de julho de 2017 a março de 2018 – de reajustes negativos, com queda no valor nominal do aluguel.

A inflação de março, medida pelo IGP-M calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), ficou em 0,64%. Esses 0,20% correspondem à variação acumulada desse índice nos últimos 12 meses, de abril do ano passado a março deste ano. A perspectiva é que nos próximos meses o reajuste não apenas seja positivo, como também aumente de tamanho.

O motivo dessa inversão é que começam a sair da base de cálculo do indexador números negativos de inflação registrados de abril a julho de 2017, substituídos por porcentuais mais elevados da inflação corrente que passam a ser inseridos em sua composição anual.

Para ilustrar pouco mais a curva traçada pelos reajustes de contratos de locação residencial pelo IGP-M, vale a pena recorrer a algumas projeções. A inflação acumulada de maio de 2017 a março de 2018 está em 1,34%. Para ter ideia da correção do aluguel em maio, é preciso acrescentar sobre esse porcentual a variação do IGP-M que vier a ser registrada em abril. Supondo que ela fique em algo perto de 0,35%, tal como indicam algumas projeções de mercado, a correção do aluguel giraria em torno de 1,70%, em maio. Portanto, bem acima dos 0,20% de abril.

A conta para encontrar o aluguel corrigido em abril é bem simples. Basta multiplicar o valor pago até março por 1,0020. O resultado corresponde ao novo aluguel a ser pago no fim de abril ou começo de maio, de acordo com o que ficou determinado em contrato.

Inquilino favorecido

Mais do que se restringir a números, o fato é que o atual cenário do setor imobiliário é favorável a quem já é ou vai se candidatar a inquilino. A oferta de imóveis é grande e não só os contratos em andamento registraram queda nos alugueis, mas também os valores pedidos nas locações novas.

O Secovi- SP, sindicato da habitação, realiza pesquisas mensais que comprovam esse movimento do mercado. No período de março de 2017 a fevereiro de 2018, na cidade de São Paulo, o valor pedido nas novas locações caiu 1,3%. Quer dizer, os alugueis estipulados para imóveis vagos ficaram 1,3% mais baratos do que estavam um ano atrás. Isso mostra que se não há candidatos à locação topando pagar o aluguel inicialmente estipulado, o proprietário se vê obrigado a baixá-lo. Principalmente para se livrar de custos de um imóvel vazio, como impostos e taxas de condomínio.

Pelo mesmo levantamento, a queda varia de acordo com o tipo de imóvel.  Ela foi maior para as moradias de 3 dormitórios, que ficou em 1,2%. Para os imóveis de 1 dormitório, a queda foi de 1%, enquanto as residências de 2 quartos tiveram recuo de apenas 0,25%.

A pesquisa também mostrou que um imóvel fica em média de 17 a 44 dias para ser alugado. Casas e sobrados foram os tipos de moradia com mais facilidade para alugar, de 17 a 42 dias, enquanto os apartamentos foram ocupados em ritmo mais lento, de 23 a 48 dias.

Com o dinheiro mais curto, a procura maior é pelos imóveis com menos despesas. Em princípio, casas e sobrados são mais requisitados porque não têm custos de condomínio. Já em apartamento esse item exerce um peso significativo no custo final da locação.

Em termos de garantia de locação, a preferência tem recaído sobre o fiador, com 46% das locações fechadas no período. O depósito equivalente a três meses (caução) foi a segunda modalidade mais usada, com 38% de participação, e o seguro-fiança foi o preferido por 16% dos inquilinos.

Portanto, essa é a hora e a vez do inquilino, que praticamente não tem aumento no aluguel a cada ano, nos contratos já em vigor, ou que encontra uma acomodação dos preços nos imóveis no mercado disponíveis para alugar.