Cobrança de tarifas: uma queda de braço entre os bancos

Regina Pitoscia

12 Março 2018 | 02h25

A esperada concorrência entre as instituições financeiras não redundou em tarifas mais baixas para os correntistas, os principais bancos do País, restritos praticamente a cinco grandes – três privados e dois públicos –, passam a enfrentar agora a concorrência de serviços mais baratos prestados pelas empresas financeiras digitais, as fintechs.

Para não perder a clientela, seduzida por custos mais baixos das operações eletrônicas, alguns desses bancos já se movimentam para adaptar-se às mudanças trazidas pelos novos ventos da tecnologia. Mesmo que à custa de remodelação de estruturas existentes, que podem ser atropeladas, na conquista de clientes, pelas novidades com mais conveniência.

O preço atraente, porém, pode não ser o fator decisivo nessa troca. Existe também o fator cultural associado à confiança e fidelidade do correntista, sobretudo do mais conservador, em relação ao banco em que mantém sua conta há anos. É natural que isso leve à resistência pela mudança. Seria uma questão de tempo. Existem precedentes.

Outras plataformas digitais, ligadas aos mais diferentes serviços como transporte e entretenimento, por exemplo, já conquistaram o seu espaço e, ao que tudo indica, em um caminho sem volta. Para ficar restrito ao mercado financeiro, é preciso lembrar que os sistemas que oferecem investimentos pela internet já atraem um público respeitável, ao acenar com uma série de atrativos. O principal é um rendimento maior que o de aplicações tradicionais.

É razoável imaginar que as plataformas digitais voltadas aos serviços bancários sigam nessa mesma trilha. E aí não apenas a manutenção de uma conta corrente ficaria mais barata, mas uma operação de financiamento, o uso de um cartão de crédito, e assim por diante.

As diferenças

Hoje, para os bancos tradicionais custa caro manter um espaço físico e vários funcionários dentro dele para atender diretamente ao público. Por isso se paga uma fortuna ao ir a uma agência bancária para fazer uma simples transferência, seja por DOC ou TED.

Pelos dados da Febraban, uma operação dessas custa R$ 18,70 no Banco do Brasil, R$ 17,90 no Itaú, R$ 17,85 no Bradesco, R$ 17,40 no Santander, e R$ 15,50 na Caixa. Esses valores caem para algo entre R$ 8 e 10 reais se a emissão for feita pela internet ou pelos caixas eletrônicos dessas mesmas instituições financeiras.

Em um banco como o Original, por exemplo, a transferência sai por R$ 6,90. E há outros bancos totalmente digitais, como o Inter e o Nubank, em que não há cobrança para mandar dinheiro para outras contas. É tarifa zero.

Se para o cliente acostumado a ir a uma agência, e tomar um café com o gerente, mexer com o dinheiro por canais virtuais é temerário, para os mais jovens, que nasceram e cresceram tendo acesso a esses meios, é natural manter a conta corrente em uma instituição financeira que não tem cara nem casa.

Mudanças

Só que esse mesmo correntista mais tradicional pode também estar insatisfeito e irritado sempre que se depara com os valores que paga pelos serviços bancários em seu extrato mensal. Nesse caso, é preciso acompanhar de perto esse movimento de queda de braço no mercado.

Em fevereiro, o Bradesco relançou a sua conta digital batizada de Next. A conta corrente e o uso de um cartão internacional com a bandeira Visa são grátis.

Quando feitas para outras contas no Bradesco e pelo aplicativo, as transferências também são gratuitas. O mesmo acontece para saques, comprovantes e extratos pelo aplicativo. A conta permite uma transferência por mês para contas de outros bancos, por DOC ou TED, sem custo.

A Next ainda dá direito a descontos no pagamento de outros produtos e serviços, na rede de parceiros, como Cinemark, 99, Uber, Airbnb, Hotel Urbano, Livraria Cultura, Natura e Cuponeria. Os universitários contam outras vantagens, chamadas de Mimos especiais, como descontos em instituições de ensino e cursos de idioma.

Por um dos pacotes atrelados à conta digital, ao pagar uma mensalidade a partir de R$ 9,95, o correntista terá direito de fazer transferências ilimitadas sem custo adicional. Para abrir a conta, é preciso fazer download do aplicativo “Next – faz acontecer” nas lojas App Store ou Google Play. Todo processo de abertura de conta é digital.

Ao consumidor cabe identificar o que é prioridade na escolha de uma conta corrente, se a economia, se o bom atendimento, o leque de serviços, a credibilidade…  Sendo que nem sempre uma condição exclui a outra.