Com queda dos juros, caderneta pagará 5,25% ao ano. Veja o que muda

Regina Pitoscia

26 Outubro 2017 | 01h36

A partir de hoje, a caderneta vai pagar um rendimento menor, de 0,4273% ao mês, ou 5,25% ao ano. Isso porque, sempre que o juro básico da economia estiver abaixo de 8,5% ao ano, a rentabilidade da poupança vai corresponder a 70% desse juro. Como a Selic foi reduzida e está agora em 7,5% ao ano, a caderneta pagará 70% disso, ou 5,25% ao ano.

A mesma rentabilidade vai permanecer nesse nível até o dia 6 de dezembro, quando o Comitê de Política Monetária deve anunciar a nova Selic. Portanto, o crédito mensal de 0,4273% será feito ao investidor de 26 de novembro a 6 de janeiro de 2018, sempre de acordo com a data de aniversário da conta.

Pelas projeções do mercado financeiro, na próxima reunião do Copom, a taxa deve cair mais um pouco e ficar em 7% ao ano. Nesse caso, a remuneração da poupança também cairia para 4,90% ao ano, ou 0,3994% ao mês. Esse seria, então, o rendimento a ser pago a partir de 7 de dezembro, mas creditado  a partir do dia 7 de janeiro, e assim sucessivamente.

Desempenho da caderneta

Período                                        Ao mês                    Ao ano

De 08/09 a 25/10                      0,4690%                   5,78%

De 26/10 a 06/12                      0,4273%                   5,25%

A partir de 07/12                      0,3994%                   4,90% (*)

(*) Projeção com base em Selic de 7% ao ano

Para ter uma ideia em reais do rendimento atual, de 0,4273% ao mês, para cada R$ 1.000 aplicados, o retorno é de aproximados R$ 4,27. Em termos nominais, podemos falar de trocados, não é mesmo? Mas uma avaliação não deve acabar por aí. Há dois outros aspectos importantes a serem considerados. O primeiro é saber o que representa essa rentabilidade em relação à inflação.

Bem na fita

Pelas atuais estimativas do mercado financeiro, a inflação deve ficar em 3,06% em 2017, e em 4,02% no ano que vem. Isso significa que, uma vez concretizados esses números, a caderneta estaria não apenas repondo as perdas provocadas pela inflação como também pagando um ganho real.

O segundo  ponto é comparar esse desempenho com o das demais aplicações de renda fixa. E nesse novo cenário de juros mais baixos, a caderneta poderá ficar bem na fita, porque é isenta de imposto de renda e de taxas de administração. O mesmo não acontece com as aplicações em títulos de renda fixa como os Certificados de Depósito Bancário, Títulos do Tesouro Nacional, que são tributados, ou com os fundos de renda fixa que além do imposto têm o rendimento reduzido pelas taxas de gestão de suas carteiras.

Quanto maior for o prazo dessas aplicações de renda fixa, menor será o imposto e mais alto será o rendimento. No entanto, para o emprego do dinheiro mais miúdo e por prazos mais curtos, de seis meses, de um ano, por exemplo, a caderneta tende a ser a opção mais prática, mais simples, e capaz de preservar o poder aquisitivo do investidor.

Contas antigas

Vale lembrar que o rendimento da caderneta fica atrelado ao nível da Selic para o dinheiro depositado a partir do dia 4 de maio de 2012, nas chamadas contas novas. Já para os depósitos feitos até o dia 3 de maio de 2012, nas contas antigas, a remuneração continua sendo de 0,5% de juros ao mês, ou 6,17% ao ano.