Comemore o Dia das Crianças, mas não entre em dívidas

Regina Pitoscia

06 Outubro 2017 | 00h35

Semana que vem tem o dia para festejar com a criançada. Em vez de sair gastando o que não pode em presentes, será mais saudável para o bolso explicar aos pequenos que o dinheiro anda curto para comprar o que eles querem – aquilo que seria o ideal ou o desejado.

Sai ganhando a criança, que recebe logo cedo alguns conceitos de educação financeira; o orçamento da casa, que passa mais uma data ileso de novas contas; e a família, que poderá empregar esse dinheiro em algo que seja prioridade para todos.

Dados de pesquisa divulgada ontem pelo Serviço de Proteção do Crédito e Confederação Nacional dos Lojistas mostram que 75% dos brasileiros devem comprar presentes para as crianças este ano. O gasto médio será de R$ 194. O que mais impressiona é que 27% dos que vão gastar já têm uma conta em atraso e 25% estão com o nome negativado na praça.

Consumidores nessas condições, mas que pretendem alcançar um equilíbrio das finanças, deveriam ter como meta livrar-se das dívidas antes de mais nada.


A tentação é grande

É verdade que a garotada espera mesmo por presentes, e a vontade de atendê-la é um desejo natural dos pais, até como reconhecimento ao  bom comportamento, ao empenho nos estudos, à ajuda em casa.

Na tentativa de não frustrar os filhos, muitos acabam avançando no limite do cheque especial, usando o crédito rotativo do cartão de crédito ou, pior, levantando empréstimo. Seja para a compra de brinquedos, roupas, calçados, mochila ou qualquer outro produto de grife ou da moda e, portanto, mais caros.

Em tempos em que milhões de brasileiros estão sem poder pagar os compromissos em dia, sem emprego ou correndo o risco de perder a vaga, assumir dívidas para a compra de presente parece algo totalmente fora de propósito.

Para evitar desastres financeiros desse tipo, é preciso conversar desde cedo com as crianças sobre dinheiro. De onde ele vem, quanto custa ganhar, se a família pode ou não gastar. E a passagem do Dia das Crianças pode ser uma boa oportunidade para que os pequenos aprendam mais sobre as relações com o dinheiro e com o consumo.

Vale dizer com naturalidade que nem sempre é possível comprar tudo o que se deseja. Mais ainda, que às vezes é difícil comprar até mesmo o que se precisa. Ainda que seja possível presentear os pequenos com o que querem, cabe sempre a reflexão sobre a frequência com que isso acontece e sobre os exageros.

Estudos de psicólogos e especialistas em educação infantil mostram que pais que cedem a tudo o que os filhos pedem correm o risco de barrar o desenvolvimento de atitudes mais firmes na superação de desafios. Em contrapartida, incentivá-los a conquistar o que desejam é uma forma de ensinar a lutar pelos próprios objetivos.

Sem traumas

Iniciar a criança no universo financeiro pode ser mais simples do que se imagina. Por exemplo, quando pede algo que está fora das possibilidades da família, ela pode ser estimulada a guardar em um cofrinho tudo o que ganhar dos pais, tios, avós e padrinhos, para juntar o necessário e fazer a compra.

É um tipo de procedimento que passará a ela noções de planejamento, fundamental para que mais tarde saiba controlar suas finanças. Nada mais oportuno como resgatar aquele velho e simpático cofre em formato de porquinho.

Mas a falta de dinheiro não significa que se tenha de passar o Dia das Crianças em branco. Há opções de programas gratuitos, atividades e passeios ao ar livre. Que tal um piquenique em parques ou mesmo em praças? Ler histórias, brincar, cozinhar juntos, tudo isso, além de sair mais em conta, pode deixar a garotada satisfeita. A demonstração de atenção e carinho conta muito nesses momentos.

Vai às compras?

Os pais que decidiram presentear seus filhos sem esfolar a carteira devem tomar algumas providências.

O primeiro passo é a definição do presente, algo que venha agradar à criança ou atender a uma necessidade dela. É indispensável também uma pesquisa de preços, que pode ser feita pela internet. Quanto antes isso for feito, melhor.

As compras de última hora nem sempre dão certo. Fica mais difícil encontrar o que você está procurando e, na correria, corre-se o risco de comprar qualquer coisa e pagar mais caro. Leve em conta a manutenção do produto, alguns exigem pilhas e baterias para funcionar e isso pode acabar ficando mais caro que o próprio presente.

Os comerciantes não são obrigados a trocar a mercadoria, a menos que apresente algum defeito. Informe-se antes sobre as condições de substituição de produtos na loja.