Conheça mais sobre os fundos multimercados

Regina Pitoscia

16 Fevereiro 2018 | 00h44

É verdade que, como reza o ditado do mercado financeiro, rentabilidade passada não é garantia de desempenho futuro. Um fato, porém, não foge à constatação de quem acompanha o mercado de investimentos. No ano passado, os fundos multimercados tiveram uma rentabilidade bastante superior à das aplicações em renda fixa. Veja na tabela abaixo.

À medida que ganham projeção, pelo desempenho, como opção à baixa remuneração na renda fixa, porém, os multimercados devem continuar atraindo pelo menos o interesse do investidor. Vale a pena conhecer um pouco mais sobre eles, como funcionam, qual a tributação, as taxas de administração e seguir, de perto, seu desempenho.

Cresceu 26%

Em 2017, segundo dados da Associação Brasileira da Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais (Anbima), esses fundos apresentaram crescimento de 26,4% e fecharam o ano com patrimônio líquido de R$ 849,5 milhões. Uma fatia que corresponde a 21% do dinheiro que está hoje aplicado na indústria dos fundos de investimento, equivalente a um total de R$ 4,134 bilhões. Os multimercados ocupam a segunda posição em patrimônio, só perdem para os fundos de renda fixa, que contam com algo perto de R$ 1,915 bilhão.

Por ter como característica ampla flexibilidade na administração dos recursos, os fundos multimercados acenam com perspectivas de rentabilidade maior, desde que o investidor aceite algum risco de ver seu dinheiro diminuir.  Os fundos podem misturar títulos de renda fixa com ações, moedas estrangeiras, índices, juros, commodities e outros ativos financeiros. Podem também assumir posições tanto no mercado à vista como nos mercados futuros, na compra ou na venda desses ativos, no curto ou no longo prazo.

E, com tantas possibilidades de operações, podem ganhar tanto na alta quanto na baixa das bolsas de valores, na alta ou na queda dos juros, do câmbio, e assim por diante. Mas também poderão perder, se o administrador errar a mão na aposta de tendência desses mercados.

Por isso, esses fundos devem ser entendidos como diversificação dos investimentos para uma parcela dos recursos que possa ficar empregada por períodos mais longos, a partir de dois anos, segundo especialistas.

Composição das carteiras

Com a liberdade que contam para a formação de suas carteiras, os multimercados são classificados em 11 tipos pela Anbima. Ainda que o mais indicado seja contar com a ajuda de um consultor financeiro, não deixa de ser útil conhecer as características de cada um deles.

Balanceado – geralmente mescla papeis de renda fixa (CDBs, títulos do governo, debêntures) com ações, com porcentuais pré-definidos em regulamento. Perfil da carteira mais de longo prazo.

Dinâmico – também mescla a carteira com diferentes ativos, mas sem limites pré-determinados em cada um deles no regulamento. Há liberdade para aumentar ou reduzir posições de acordo com as conveniências e riscos de cada mercado.

Capital protegido – forma a carteira com diversos ativos, visando à proteção dos recursos com operações de “hedge”, de modo a reduzir a um grau mínimo os riscos. Sem abrir mão de um rendimento diferenciado.

Long and short neutro – assume posições na ponta de compra e de venda de ações ao mesmo tempo, com operações mais cautelosas, sem expor o fundo a riscos de determinado mercado.

Long and short direcional – também conta com posições simultâneas compradas e vendidas em ações, mas com operações mais arrojadas do que o “neutro”.

Macro – toma posições de longo prazo, com base em análise do cenário macroeconômico, procurando antecipar-se à tendência dos ativos – juros, câmbio, renda fixa, etc.

Trading – suas operações, de compra e venda, visam a aproveitar a variação de preços dos ativos no curto prazo.

Livres –  como o próprio nome já diz, esses fundos não traçam uma única estratégia de aplicação, buscando aproveitar oportunidades geradas pelo ambiente macroeconômico ou pela situação específica de determinado mercado.

Juros e Moedas – adota estratégia de longo prazo em ativos de renda fixa atrelados à variação de juros, índices de inflação e moeda estrangeira.

Estratégia específica – assume posições em mercados e riscos específicos como o de índices e de commodities, por exemplo.

Investimento no exterior – busca oportunidades de aplicações no mercado internacional.

Taxa de administração

Esses fundos cobram taxas de administração para a gestão da carteira, análise de risco e distribuição de cotas, etc. Pelos dados da Anbima, a taxa média geral em 2017 ficou em 1,70% ao ano. Elas variam de acordo com o volume de dinheiro aplicado, confira:

Total aplicado R$                                      Taxa ao ano

Até 1 mil                                                          1,41%

Acima de 1 mil até 25 mil                             1,93%

Acima de 25 mil até 100 mil                         1,80%

Acima de R$ 100 mil                                      1,74%

Imposto de Renda

O rendimento dos fundos é também alcançado pelo Imposto de Renda. A alíquota varia de acordo com o prazo da aplicação e também com a composição da carteira.

Nas carteiras com operações de prazo médio acima de 365 dias, as alíquotas de Imposto de Renda serão de 22,5% para aplicações de até seis meses; de 20% para as de mais de seis meses e até 1 ano; de 17,5% para as de mais de um ano até dois anos; e de 15% para as de mais de dois anos.

Há incidência, ainda, de um imposto semestral, equivalente a 15% dos rendimentos, o chamado come-cotas.

Já nas carteiras de prazos mais curtos (com aplicações de até 360 dias), o IR será de 22,5% para as de perfil médio de até 180 dias, e de 20% para as de 181 a 360 dias. Para esse tipo de fundo, o come-cotas é maior, de 20%.

Retorno

A seguir, você confere a rentabilidade média apresentada pelos multimercados no ano passado, publicada pela Anbima. Nesse resultado já houve desconto da taxa de administração, mas não foi cobrado o Imposto de Renda, que varia conforme o prazo da aplicação.

Rentabilidade 2017 (*)

Balanceado                                  9,47%

Dinâmico                                    12,66%

Capital protegido                      13,50%

Long and short neutro               9,26%

Long and short direcional       15,62%

Macro                                          14,07%

Trading                                       11,55%

Livres                                          13,21%

Juros-moedas                           10,21%

Estratégia específica                14,17%

Investimentos Exterior           11,34%

Considerando que a caderneta rendeu 6,61%, o rendimento dos multimercados não deixa de chamar a atenção. Ainda que sobre esses resultados seja cobrado o IR, o desempenho tende a permanecer maior que o proporcionado pela renda fixa.

E, na atual conjuntura, não há muito jeito, se quiser ganhar um pouco mais será preciso arriscar também um pouco mais.