Crédito consignado tem os juros mais baixos. Veja prós e contras

Regina Pitoscia

25 Outubro 2017 | 00h25

Não precisa fazer conta, o crédito consignado é um dos mais baratos do mercado, quer dizer, o que cobra a taxa de juro mais baixa.

Mas nem todo mundo tem acesso a ele, é preciso receber os rendimentos como aposentadoria, salário ou vencimentos, por meio de folha de pagamento enviada ao banco com crédito em conta corrente. Assim, o desconto de cada mensalidade poderá ser feito antes mesmo que o dinheiro chegue à mão de quem levantou o empréstimo. Como o risco de calote é praticamente zero, os juros podem ser mais baixos.

Para empréstimos concedidos a aposentados e pensionistas da Previdência Social e servidores públicos federais há um teto para os juros. No fim de setembro, a Portaria nº 309, do Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão, no Diário Oficial da União, fixou a taxa máxima em 2,05% ao mês ou 27,57% ao ano para o funcionalismo público federal.

Já para os aposentados, o limite aprovado para os juros pelo Conselho Nacional da Previdência, no dia 28 de setembro, foi de 2,08% ao mês ou 28,02% ao ano.


No site do Banco Central, as taxas informadas pelas cinco maiores instituições financeiras do País, no período de 3 a 9 de outubro, foram as seguintes:

Consignado aposentado

Banco                          Taxa ao mês                    Taxa ao ano

Santander                        1,93%                                25,73%

BB                                      2,01%                               27,04%

Bradesco                          2,08%                               28,04%

Caixa                                 2,08%                               28,04%

Itaú                                   2,11%                                 28,51%

Consignado servidor público

Banco                          Taxa ao mês                    Taxa ao ano

Santander                        1,67%                               22,02%

Bradesco                          1,82%                               24,18%

BB                                      1,90%                               25,27%

Caixa                                 1,97%                               26,39%

Itaú                                    2,58%                              35,72%

Perceba que para o funcionalismo público, as taxas já estão abaixo de 2% ao mês, em quatro dos bancos, portanto, abaixo do teto de 2,05%. Apenas o Itaú permaneceu com juros acima desse nível.

Trata-se de juros bem mais camaradas dos que estão sendo cobrados no cheque especial, acima de 12% ao mês ou de 300% ao ano, ou do rotativo do cartão de crédito, que gira em torno de 10% ao mês ou 214% ao ano. E até mesmo do crédito pessoal que tem os juros na casa dos 4% ao mês ou 60% ao ano.

Por isso, vale a pena levantar um consignado para a cobertura de compromissos e, principalmente, para quitar essas dívidas mais caras. Não por acaso, o total de dinheiro emprestado pelo crédito consignado cresceu 48% no primeiro semestre deste ano e alcançou a marca de R$ 62 bilhões.

Prós e contras

O limite de prazo de financiamento é de 72 meses, ou de 6 anos, para aposentados, e de 96 meses, ou 8 anos, para os servidores. E aí  convém considerar que quanto maior o prazo, menor tende a ser o valor da prestação.

Mas essas condições merecem uma análise cuidadosa. Se isso é uma facilidade inicial não se deve esquecer que a renda estará comprometida pelas prestações durante todo o tempo que durar o financiamento. Ou seja, antes de fechar o contrato é preciso verificar se será possível viver com um rendimento menor.

Outro ponto importante:  dependendo do prazo, o total a ser pago pode representar um valor bem mais alto do que o valor financiado, às vezes o dobro do que foi retirado.

Esta semana o INSS alterou de seis para nove o número de empréstimos consignados que o segurado pode levantar na rede bancária. Mas foi mantido o limite de 30% do comprometimento de renda com essa linha de crédito, e mais 5% para cobertura de gastos com o cartão de crédito. Por exemplo, um segurado que tenha um benefício de R$ 2,5 mil poderá ter empréstimos consignados que gerem prestações de, no máximo, R$ 875.

Empregados

Também pode recorrer ao consignado quem for empregado de empresas e receber o salário em conta corrente. Nesse caso, não há limite para os juros, mas, ainda assim, os juros são bem inferiores aos de outras modalidades de crédito.

Consignado/setor privado

Banco                              Taxa ao mês                    Taxa ao ano

BB                                          2,53%                                 34,94%

Bradesco                              2,57%                                 35,57%

Caixa                                     2,70%                                 37,64%

Santander                            2,71%                                 37,77%

Itaú                                       3,25%                                 46,71%

Fonte: Banco Central