Fundo multimercados: risco maior em troca de rentabilidade diferenciada

Regina Pitoscia

09 Fevereiro 2018 | 00h47

As seguidas reduções da taxa básica de juros (Selic), que na última quarta-feira recuou à mínima histórica de 6,75% ao ano, e a aposta no bom desempenho da bolsa de valores têm levado o investidor a migrar de aplicações mais conservadoras do mercado de renda fixa, remunerado por taxas de juro, para o segmento de renda variável, como o de ações.

Os fundos multimercados, um dos principais produtos financeiros de renda variável, captaram R$ 12,458 bilhões em janeiro, volume superior ao de R$ 11,977 bilhões dos fundos de renda fixa, que vinham liderando a entrada de recursos na família dos fundos de investimento.

Os dados são da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), que representa os fundos de investimento. De acordo com a associação, nessa mesma época do ano passado a expectativa de redução dos juros fortaleceu os ganhos e estimulou a entrada de recursos nos fundos de renda fixa. Isso porque a perspectiva de queda dos juros reforça a atratividade dos títulos prefixados, que predominam na carteira desses fundos.

Tudo leva a crer que, agora, o dinheiro ancorado na renda fixa transita na direção dos fundos multimercados. Move essa migração o desejo do investidor de trocar a baixa rentabilidade da renda fixa, remunerada por juros cada vez menores, pela perspectiva de rendimento mais atraente em aplicações como a bolsa de valores e dólar. A Bolsa de Valores de São Paulo acumulou valorização de 11,14% apenas em janeiro.

Os fundos multimercados se propõem a essa tarefa de buscar para o investidor o ganho com ações, com uma carteira diversificada e balanceada de títulos que mesclam renda fixa e renda variável.

São fundos que contam com ampla flexibilidade na montagem da carteira, de acordo com a escolha do gestor. Juros, ações, dólar e outros, cotados no mercado à vista e futuro, podem ser alcançados pelos tentáculos de um multimercado, que pode fincar os pés, ao mesmo tempo, em todos eles. Sem apostar necessariamente na alta de cada um.

É possível ganhar torcendo também pela baixa desses mercados, dependendo da estratégia adotada pelo gestor. Existem multimercados que tracionam o desempenho em momentos de turbulência, tirando proveito, por exemplo, de queda das ações e valorização do dólar.

A proposta de cada fundo e muitas outras informações devem estar detalhadas no prospecto a que o investidor tem acesso e deve ser lido com muita atenção.

A ideia comum de todos eles é que, mesclando a aplicação do dinheiro em vários mercados, principalmente no de renda variável, será possível obter um rendimento maior que o da renda fixa. Está claro que o gestor precisa ter preparo e capacidade para transformar as oportunidades oferecidas por esses segmentos, especialmente em cenário de turbulência e volatilidade, em ganho para o investidor.

Essa é a proposta, mas existe o risco de perda se o gestor errar a mão ao apostar na tendência dos mercados. Pode ser também que chegue ao meio termo, que acerte em alguns e erre em outros. Ou, ainda, que o erro predomine nas apostas e o fundo tenha desempenho negativo.

Um fundo multimercado é assim mesmo. Tudo é possível, para não dizer imprevisível, onde se pode obter desde ganhos vistosos até amargar rendimento negativo. Por isso, essa modalidade de fundo deve ser vista como diversificação de investimento em que o aplicador migra para ele apenas uma parte dos recursos de sua carteira.

A escolha do fundo deve seguir a modalidade mais adequada ao perfil do investidor, já que as estratégias entre os vários multimercados existentes no mercado são diferenciadas de acordo com cada gestor. Uma conversa com um consultor financeiro poderá ajudar nessa escolha.