Mercado imobiliário ensaia reação. Quer tirar uma lasquinha?

Regina Pitoscia

16 Outubro 2017 | 00h32

(*) Com Tom Morooka

Depois de mofar por dois anos, o mercado imobiliário conta agora com bons motivos para engatar em um movimento de recuperação.

A queda dos juros por si só derruba a remuneração dos investimentos em renda fixa. Isso abre espaço para que segmentos como o de ações e o de imóveis ganhem destaque, atraindo quem procura uma aplicação com melhor rentabilidade. Os preços relativamente baixos do setor também não deixam de ter o seu apelo.

Ainda que tímida, a melhora nos números da economia e, dentro disso, os do emprego podem dar gás pelo lado da compra, por quem pretende ter a casa própria. Consumidores com trabalho e renda se sentem mais encorajados para levantar um financiamento de peso, como é o da compra de um imóvel.


Por essas e por outras é que se pode esperar por uma virada do mercado imobiliário. Especialistas apostam em reação mais consistente em 2018, mas quem entrar nesse momento pode estar certo de que estará comprando ativos por preços bem razoáveis. Seja na aquisição de um apartamento, de uma casa, ou terreno, ou de cotas de fundos imobiliários e títulos como as Letras do Crédito Imobiliário (LCI).

Dito de outra forma, o posicionamento no setor pode levar o aplicador a surfar em uma onda de valorização a curto e médio prazo.

Fundos Imobiliários

Os fundos de investimentos imobiliários ou simplesmente fundos imobiliários, oferecidos por corretoras e bancos, são opção para quem busca remuneração diferenciada da que está sendo paga pela renda fixa.

Na prática, quem investe nesse tipo de fundo, lastreado em imóveis, compra partes de um empreendimento imobiliário em número de cotas. O retorno é proporcionado pelos alugueis recebidos por essas unidades e também por eventual valorização dos bens. Tudo proporcional às cotas que detém no fundo.

Os fundos imobiliários foram a vedete do mercado de investimentos em 2012, em cenário que lembra o de momento, quando a taxa básica de juros, a Selic, despencou e transitou em 7,25% ao ano, entre o fim de 2012 e o primeiro semestre de 2013, durante o primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff.

Na época, alguns desses fundos chegaram a render mais de 40% em 12 meses, comparados com um rendimento médio de 12% dos fundos de renda fixa, em igual período, pelos dados da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais).

Além da expectativa de retomada de valorização dos imóveis e da alta do aluguel, o principal atrativo desses fundos está na isenção de imposto de renda ao investidor pessoa física. O aplicador só paga imposto sobre ganho de capital ao vender suas cotas. O risco de um fundo imobiliário está na inadimplência do inquilino, ou na falta de ocupação do imóvel, que serve de garantia ao fundo em que o dinheiro foi aplicado.

A perspectiva de que o cenário de juro baixo de 2012 – a estimativa de analistas é que desta vez a Selic recue abaixo de 7% – e o sucesso dos fundos imobiliários sejam reprisados este ano ou nos próximos está trazendo esse produto ao radar do mercado e dos investidores.

A aposta é que a melhora da atividade econômica, com a volta dos investimentos das empresas e do consumo, inclusive de bens, engorde o rendimento de quem aplica em negócios lastreados em imóveis.  Isso porque o rendimento do fundo vem justamente da locação, venda ou arrendamento dos empreendimentos em prédios comerciais, residenciais, shoppings, hospitais, dentre outros.

Letras de Crédito Imobiliário

A Letra de Crédito Imobiliário (LCI) é outra aplicação de base imobiliária. O papel é emitido tendo como garantia contratos de crédito imobiliário. Seu rendimento equivale a uma porcentagem do juro DI, taxa que anda alinhada com a Selic. O ganho com LCI é isento de imposto de renda para o investidor pessoa física e o prazo para resgate varia de 60 a 90 dias.

Vale a pena pesquisar a taxa de remuneração para saber se compensa aplicar nesses papeis. Especialistas alertam que, por causa da isenção fiscal, os bancos podem oferecer uma taxa menor. No fim das contas, o rendimento de uma LCI pode ficar próximo do de outra opção sem benefício tributário. Principalmente para valores baixos.

O valor mínimo de aplicação varia de banco para banco, desde R$ 1 mil até R$ 30 mil. O investidor pode aplicar nesses títulos por meio da internet e nas agências bancárias. Como a caderneta, a LCI tem a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito, o FGC. Ele assegura o ressarcimento de até R$ 250 mil, por CPF e banco, se a instituição que emitiu o título não tiver condições de honrar o resgate.