Não se aposente em dezembro. Espere por janeiro ou fevereiro

Regina Pitoscia

04 Dezembro 2017 | 00h17

Na última sexta-feira o  IBGE divulgou as novas tabelas de expectativa de vida do brasileiro. Essas tabelas são usadas para cálculo da aposentadoria: quanto maior essa expectativa no momento de concessão do benefício, menor o valor inicial da aposentadoria.

Como houve aumento nessa expectativa, os benefícios serão reduzidos. De acordo com estudos feitos por Newton Conde, atuário especializado em previdência e consultor da Conde Consultoria Atuarial, em função das mudanças, dezembro não é um mês interessante para se aposentar. Veja por quê.

Considerando o período em que são concedidas as aposentadorias, entre 40 e 80 anos de idade, a expectativa de vida, na média, aumentou em 54 dias – quase 2 meses mais em relação à tabela anterior. Na prática varia de 36 a 73 dias, dependendo da faixa etária.

O especialista cita o exemplo de um segurado com 55 anos de idade. Utilizando a tabela que valeu de dezembro do ano passado a 30 de novembro deste ano, sua expectativa de vida era de 26 anos, já pela tabela atual passou a ser de 26 anos, 2 meses e 12 dias. Um acréscimo de 73 dias em sua expectativa de vida

Portanto, pela tabela antiga, a Previdência pagaria a esse segurado uma aposentadoria até aos 81 anos; pela tabela nova terá de pagar por 81,20, ou seja, por um período de 2 meses e 2 semanas a mais. É para compensar o pagamento desse período mais longo que o redutor será maior, baixando o valor do benefício inicial.

Pelos cálculos do atuário, a redução média no valor do benefício inicial, em consequência do aumento de expectativa de vida de 54 dias do segurado, é de 0,73%. Vamos aos números para ter uma noção mais concreta do que representa a mudança.

A perda em reais não chega a ser expressiva, mas ponderando que será para a vida toda, a diferença no valor da aposentadoria deve ser levada em conta.

No exemplo, de cálculo de aposentadoria por tempo de contribuição, Conde considerou a situação de um segurado aos 55 anos de idade, com 35 anos de recolhimento ao INSS e um Salário de Benefício de R$ 3 mil – a média das contribuições feitas à Previdência Social desde julho de 1994 e que entram no cálculo da aposentadoria.

Redução do benefício – Homem

                                                      Tabela antiga                 Tabela atual

Coeficiente                                      0,6921                            0,6868

Valor aposentadoria R$                2.076,31                         2.060,46

Diferença mensal R$                     15,85

A diferença mensal de R$ 15,85, ou de 0,76%, supera a casa de R$ 3.825,00, no período de 20 anos, 2 meses e 2s semanas. Tempo estimado para pagamento desse benefício ao segurado, de acordo com a sua expectativa de vida.

A situação é análoga para a mulher. Na simulação foi considerada uma segurada aos 52 anos de idade, com 32 de recolhimento ao INSS e um Salário de Benefício também de R$ 3 mil.

Redução do benefício – Mulher

                                                 Tabela antiga                 Tabela atual

Coeficiente                                      0,6579                            0,6533

Valor aposentadoria R$                1.973,69                        1.959,93

Diferença mensal R$                     13,75

No caso, a diferença mensal de R$ 13,75, ou de 0,70%, supera os R$ 3.327 no período em que a aposentadoria será paga.

Espere

Com as mudanças trazidas pelas tabelas, quem pedir a aposentadoria agora em dezembro terá essa redução que, na média, é de 0,73%. No entanto, segundo orientação do atuário, se o segurado contribuir por dois ou três meses mais e solicitar o benefício em janeiro ou fevereiro de 2018, o valor do benefício volta ao patamar de novembro de 2017. Quer dizer, volta ao nível que seria se calculado pela tabela antiga de perspectiva de vida.

Pelo teto              

Quem nos últimos anos contribuiu pelos valores máximos com a Previdência Social também não deve entrar com o pedido do benefício agora, mas esperar janeiro do ano que vem. A razão é outra, mas de simples entendimento. Conde explica que o teto dos benefícios, que hoje é de R$ 5.531,31, receberá a correção da inflação acumulada de janeiro a dezembro de 2017. Dessa forma, automaticamente, haverá uma ampliação desse teto.

Como a inflação é estimada pelo mercado financeiro em algo próximo de 3% para este ano, o teto subiria para um valor perto de R$ 5.700. Para o especialista, embora o segurado passe a receber o benefício um mês depois, por postergar o pedido, a defasagem será recompensada por ter direito a um benefício mais elevado por toda a vida.

Só para lembrar, atualmente, no cálculo da aposentadoria são considerados os salários de contribuição de julho de 1994 até hoje, o que corresponde a 281 meses. Desse total, serão considerados os 80% maiores, quer dizer, 224 entrarão na conta e 57 serão desprezados.