O melhor janeiro da bolsa em 12 anos. Veja as perspectivas para este mês

Regina Pitoscia

02 Fevereiro 2018 | 00h36

(*) Com Tom Morooka

A valorização de 11,14% em janeiro pôs em destaque a Bolsa de Valores de São Paulo não só diante das demais aplicações do mercado doméstico, como também entre os mercados de países considerados emergentes.

O melhor janeiro da bolsa de valores em 12 anos seduz o investidor e fortalece o apelo do investimento em ações. Senão por outros motivos, pelo tamanho e velocidade da valorização. Principalmente para que tem dinheiro ancorado na renda fixa e colhe a cada mês mirrado rendimento dado por juro em torno de 7% ao ano ou pouco mais de 0,50% ao mês. Veja na tabela abaixo.

Fatores de alta

Os ventos favoráveis à alta da bolsa sopram de todos os lados. O estímulo do exterior vem dos juros rasteiros que empurram os capitais abundantes para mercados que acenam com maior rentabilidade, como o do Brasil.

Dados da bolsa de valores deixam claro o apetite dos investidores estrangeiros pela compra de ações brasileiras. Apenas nos primeiros 29 dias de janeiro e, portanto, do ano, ingressou no mercado doméstico de ações volume equivalente a R$ 9,5 bilhões de capital externo.

Ademais, o próprio cenário internacional, de crescimento econômico com inflação e juros baixos, favorece a valorização das bolsas dos países ricos, contagiando positivamente também o mercado interno de ações.

O cenário local, já considerado favorável à bolsa por causa da retomada do crescimento econômico puxado pelo consumo, além de inflação e juros baixos, ganhou um alento adicional com a segunda condenação do ex-presidente Lula pelo Tribunal Regional da 4ª Região (TRF-4).

O mercado financeiro não disfarça o entusiasmo. Avalia que a reafirmação unânime de culpa, em segunda instância, do ex-presidente não só tira Lula da disputa pela sucessão presidencial deste ano, como o coloca mais próximo da prisão.

A expectativa positiva com o evento vai além. Com Lula fora da jogada eleitoral ficariam reduzidos também os riscos de adoção, pelo presidente a ser eleito em outubro, de medidas de apelo popular que ameacem a recuperação e o crescimento da economia.

Chuvas e trovoadas

O cenário melhorou, mas, em ano eleitoral, o mercado de ações tende a passar por percalços e turbulências que vão testar o sangue-frio dos investidores. Analistas mais otimistas apostam que o Ibovespa, que já ensaia deixar para trás os 85 mil pontos, pode chegar ao fim do ano a 90 mil pontos e para outros, a até 100 mil pontos, o que reservaria uma valorização ao redor de 6% e até 18%, respectivamente, até lá.

Dada a intensidade e a rapidez da valorização, o atual momento da bolsa de valores medido em número de pontos – fechou ontem em 85.495 pontos – se aproxima velozmente das estimativas, até das mais otimistas. Não à toa analistas não descartam alguma correção, seja das projeções, seja do desempenho da bolsa, por motivos externos ou razões eleitorais.

Um risco visto por analistas como capaz de conter esse otimismo com a bolsa de valores, ainda que improvável no momento, seria uma eventual elevação mais brusca ou em amplitude maior dos juros americanos.

Uma alta dos juros nessa escala nos EUA atrairia para os títulos americanos o dinheiro que circula em países como o Brasil, afetando o desempenho das bolsas de valores e pressionando a cotação do dólar.

Para quem aposta na continuidade de valorização da bolsa de valores e quer diversificar o investimento na renda variável para tirar ainda uma lasquinha dessa alta, a indicação de especialistas são as ações de empresas de varejo voltadas ao consumo, que devem beneficiar-se do aquecimento das vendas.

Papeis de empresas estatais, como Petrobrás e Eletrobrás e outras, que têm chance aumentada de privatização com Lula fora do páreo da disputa presidencial também entram na indicação de analistas.

Antes de escolher as ações para a compra é interessante uma conversa com consultor de investimentos, principalmente para quem vai aplicar individualmente na bolsa sem ter conhecimento nem acompanhamento do mercado.

É preciso saber também que investir em renda variável é totalmente diferente da renda fixa. Na bolsa, por exemplo, o aplicador só terá lucro se vender uma ação por valor maior que o preço de compra.

E, mais importante, é ter controle suficiente para permanecer com as ações quando a bolsa estiver em queda. A venda por uma cotação menor que o investidor pagou na compra é materializar a perda – se permanecer com ela, é possível que em algum momento a ação retome a valorização.

A desvalorização das ações, puxada por vendas para a realização de lucros por investidores satisfeitos com os ganhos obtidos com as seguidas altas, pode não ser surpreendente nem descartada, no momento. A Bovespa acumulou valorização de 26,86% em 2017 e de 11,14% em janeiro. Isso dá uma valorização em torno de 41% em 13 meses.

Ranking de janeiro

A seguir, você confere o desempenho das aplicações financeiras em janeiro. A evolução média das ações negociadas no pregão da bolsa de valores, medida pelo Índice Bovespa (Ibovespa), apresentou de longe o melhor desempenho. Entre as aplicações de renda fixa, o rendimento mais interessante foi pago pelos títulos do Tesouro vinculados ao índice oficial da inflação, o IPCA. Já nas demais opções, o resultado ficou muito próximo um do outro e no intervalo entre 0,5% a 0,6% no mês.

E, considerando a projeção de inflação de 0,44% do mercado para janeiro, a caderneta terá pago uma remuneração insuficiente para proteger o capital do investidor.

Os cálculos são do administrador de investimentos Fábio Colombo.

Quanto pagou cada aplicação

1 – Bolsa de Valores de São Paulo                                  11,14%

2 – Título do Tesouro – IPCA                                    de 0,75% a 0,85%

3 – Fundos de Renda Fixa                                         de 0,55% a 0,65%

4 – Fundos DI                                                              de 0,55% a 0,65%

5 – CDB                                                                        de 0,50% a 0,60%

6 – Ouro                                                                                 0,52%

7 – Caderneta  (líquido)                                                      0,40%

8 – Dólar                                                                               -4,03%