O que fazer com seu dinheiro em outubro

Regina Pitoscia

02 Outubro 2017 | 00h27

*Com Tom Morooka

Do ponto de vista financeiro, um dos eventos mais relevantes em outubro é a definição do novo nível de juros no País. A Selic, que é a taxa balizadora da economia, começa o mês em 8,25% ao ano, mas tem todas as condições de encerrá-lo em 7,50% ao ano.

É que nos dias 24 e 25 acontece mais uma reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). Que a Selic vai cair, vai, nessa próxima reunião. A trajetória de queda consistente da inflação abre espaço para um corte de pelo menos 0,75 ponto porcentual.

Não se trata de saber apenas se o juro ficou um pouco mais para cima ou para baixo. Mas sim toda a influência que isso exerce sobre a economia e nas decisões de onde aplicar o dinheiro.


O brilho das ações

Juros mais baixos e sinais mais claros de retomada econômica tendem a favorecer o mercado de renda variável, especialmente as ações. A combinação desses dois fatores alivia a dívida das empresas e, ao mesmo tempo, amplia o lucro, com o aumento de vendas, puxadas pela expansão do consumo.

Se é assim, quais ações devem brilhar? Alguns especialistas em investimentos avaliam que as mais beneficiadas, e de imediato, seriam as de empresas ligadas ao varejo, em consequência justamente desse aquecimento no consumo.

Em vez da compra direta dos papeis, os fundos de ações podem ser boa opção para quem tiver interesse em aproveitar essa onda de valorização esperada pela bolsa. Ou por quem pretende diversificar as aplicações para conseguir um rendimento mais interessante que a da renda fixa.

Os fundos são indicados especialmente para quem não está familiarizado com a bolsa de valores. Isso porque a sua gestão, quer dizer, a escolha de papeis mais interessantes, será de responsabilidade de um profissional especializado.

Outra questão: quanto aplicar em ações? Para ir testando o mercado, comece com 10% ou 15% do dinheiro que não tem data para ser resgatado. Na diversificação, a parcela a ser aplicada deve ser de até 20%.

Ao que tudo indica, no curto prazo, nem mesmo as tensões entre Judiciário e o Congresso ou as denúncias contra o presidente Michel Temer parecem ser suficientes para tirar o apelo da bolsa de valores.

Renda fixa

No porto seguro da renda fixa, é preciso se acostumar com a ideia de juros nominais mais baixos. A caderneta vai pagar um rendimento de 0,4690% ao mês ou 5,78% ao ano até o dia 25 de outubro. Depois disso, se a Selic cair para 7,50% ao ano, cai também o rendimento da poupança, para 0,4273% ao mês ou 5,25% ao ano. Seja como for, esse rendimento ainda deverá ser superior à inflação.

As aplicações em títulos de renda fixa tradicionais, como o CDB, e fundos de investimento, como os de renda fixa e o DI, também devem render acima da inflação. A remuneração dessas aplicações deve agora começar a ficar muito próxima uma da outra.

A rentabilidade mais gorda na renda fixa deve vir para quem puder deixar o dinheiro aplicado por períodos mais elásticos. Como os dos títulos da dívida pública, negociados pela internet, no Tesouro Direto.

Títulos como o Tesouro IPCA, com prazos bem mais longos de vencimento – para resgate em 2035, 2045 e 2050 -, rendem juros de 5% ao ano acima da inflação medida pelo IPCA.

Dólar e ouro

O mercado não espera por solavancos no preço do dólar. A última projeção do boletim Focus aponta para R$ 3,16 no fim deste ano. A moeda americana deve ser vista mais como proteção para quem tem algum compromisso amarrado ao dólar ou vai viajar ao Exterior. Como aplicação que pode trazer retorno atraente, o dólar pode decepcionar.

No mês passado o ouro proporcionou a segunda melhor rentabilidade. Mas o investimento em ouro também deve seguir mais o conceito de proteção e diversificação do patrimônio.