O ranking das aplicações em março, no trimestre e perspectivas para abril

Regina Pitoscia

02 Abril 2018 | 01h20

(*) Com Tom Morooka

A semana que começa abre o segundo trimestre do ano. Os primeiros três meses tiveram como destaque, no mercado de investimentos, a Bolsa de Valores de São Paulo, com valorização de 11,73% no período.

A dúvida de especialistas é se o mercado de ações repetirá, no trimestre que começa, o bom desempenho do primeiro. Lembram que a bolsa de valores alternou altas e baixas e fechou praticamente no zero a zero em março. Um mês que em boa dose a pressão veio de duelos comerciais iniciados pelos Estados Unidos.

Primeiro foi a imposição de 25% sobre a importação de aço e de 10%, de alumínio, anunciada por Donald Trump logo no início do mês. A medida pega em cheio o Brasil, como o segundo maior exportador de aço para os EUA, mas que está na dependência de negociações para ser revertida ou amenizada. Depois, foi a definição, também pelo presidente americano, de sobretaxas aos produtos chineses. Outra decisão que pode trazer reflexos negativos sobre a economia mundial e, por tabela, também sobre as bolsas de valores.

Após chegar ao pico de alta, no nível de 87 mil pontos, no fim de fevereiro, o Índice Bovespa, que mede a evolução das ações mais negociadas em pregão da bolsa, fechou na última sexta-feira em 85.365.

A seguir, é possível conferir o ranking das aplicações em março. Os cálculos são do administrador de investimentos Fabio Colombo

                                 Balanço de março

1º – Dólar                                                 1,88%

2º – Fundos DI*                                      0,45% a 0,60%

3º – Fundos de renda fixa*                   0,45% a 0,60%

4º – CDB*                                                 0,40% a 0,55%

5º – Caderneta                                        0,39%

6º – Ouro                                                  0,32%

7º – IPCA**                                              0,13%

8º – Bolsa de São Paulo                         0,01%

*     Rendimento bruto

**  Estimativa

                                                                                         Perspectivas

No cenário interno, a expectativa é que o mercado de ações fique mais sensível ao provável aumento das incertezas políticas, por causa do acirramento gradual das tensões pela disputa presidencial. Lá fora, a tensão entre os Estados Unidos e a China conta ainda com combustível para respingar nas bolsas de valores internacionais.

Postos nos pratos da balança, os palpites de analistas apontam que a partir de agora poderiam pesar mais os fatores de baixa que os de alta. Pelo menos até o resultado final das eleições de outubro.

Um cenário que, de acordo com os especialistas, eleva o risco do investimento em ações, especialmente para quem está de olho em ganho rápido com a compra de ações.

Para quem lida com investimentos, seria o momento de privilegiar a segurança, de preservar o capital, em vez de correr maiores riscos atrás de rentabilidade. O nicho de mercado que atende os aplicadores com esse perfil, contudo, não chega a ser animador.

A taxa de juro na renda fixa está baixa e poderá permanecer em queda, com o novo corte previsto para a taxa básica de juro. A Selic, que baliza a taxa de captação dos bancos e, portanto, a remuneração do investidor, poderia recuar de 6,50%, do momento, para 6,25% na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em maio.

Na contramão das idas e vindas do mercado de ações e da trajetória de baixa dos juros, os especialistas preveem maior mobilidade do dólar, acima dos níveis atuais de preço. Ao longo de março, a cotação do dólar comercial transitou em uma faixa entre R$ 3,25 e R$ 3,30.

A possível fonte de pressão sobre a moeda americana seria o aumento de insegurança derivada da instabilidade política, sentimento que, em geral, leva o investidor a buscar proteção no mercado de dólar.

                                                                                          Balanço do trimestre

No trimestre, é a aplicação em ações que lidera o ranking de rentabilidade, seguida pelo ouro. Dois ativos favorecidos diante dos juros baixos.

1º – Bolsa de São Paulo                                   11,73%

2º – Ouro                                                             6,06%

3º – Fundos DI – média*                                 1,58%

4º – Fundos de renda fixa – média*              1,56%

5º – CDB – indicativo*                                      1,50%

6º – Caderneta                                                    1,20%

7º – IPCA**                                                         0,74%

8º – Dólar                                                          – 0,43%

*    Rendimento bruto

**  Estimativa