Por que aplicar em um plano de previdência privada agora

Regina Pitoscia

22 Dezembro 2017 | 01h32

Fazer uma aplicação em planos de previdência privada nesse finzinho de ano tende a ser uma boa estratégia fiscal, lembrando que o atendimento dos bancos ao público vai até o dia 28 de dezembro. O valor depositado poderá gerar descontos no imposto de renda já na declaração a ser entregue em 2018.

Se for em um plano de previdência privada do tipo PGBL – Plano Gerador de Benefício Livre –, o total aplicado poderá abater até 12% da renda bruta anual recebida em 2017. Esse desconto resulta em vantagens financeiras para o investidor, com imposto a pagar menor ou restituição mais gorda.

E para poder usar esse abatimento, o contribuinte tem de fazer sua declaração anual pelo modelo completo do Imposto de Renda. Nele, é permitido valer-se de todas as despesas e aplicações previstas na legislação da Receita Federal para redução do imposto. Gastos com saúde, educação, pensão alimentícia, dependentes, doações e investimento em previdência privada estão entre elas.

Quem faz opção pelo modelo simplificado não tem permissão de aproveitar todas essas despesas para diminuir a carga tributária. Em vez disso, o contribuinte aplica um abatimento de 20% sobre sua renda, antes do cálculo do imposto.

O tipo de plano de previdência privada que combina com o modelo simplificado é o VGBL, Vida Gerador de Benefício Livre, que não resulta em desconto do imposto na declaração, mas vai beneficiar o aplicador no momento do resgate do dinheiro.

Para o futuro

Uma decisão de comprar um plano de previdência privada não pode – nem deve – estar baseada apenas no incentivo fiscal. É preciso estar ciente de que esse tipo de investimento é indicado para a concretização de um projeto no longo prazo, no futuro.

Sempre que se fala de previdência privada, a associação imediata é com a garantia de uma aposentadoria complementar, porque o total que foi juntado poderá se transformar em uma renda mensal para o resto da vida. Só que a poupança formada poderá ser destinada a vários outros fins, como pagar uma universidade para filhos ou netos; dar um impulso na carreira profissional com a instalação de um consultório ou escritório; fazer a viagem dos sonhos, comprar um automóvel, e assim por diante.

E por ter esse perfil de aplicação sistemática ao longo de anos, a maior parte dos planos não permite sacar o dinheiro durante o período de acumulação. Uma condição restritiva, é verdade, mas que no final pode acabar assegurando a formação do bolo financeiro pretendido, porque evita que o investidor avance sobre esses recursos no primeiro aperto no orçamento. É também uma forma de se disciplinar para economizar e depositar regularmente uma determinada importância.

Rentabilidade X custos

Se os conceitos já foram colocados, convém avaliar questões de ordem mais práticas, que serão decisivas para ter o retorno esperado da previdência privada.

A rentabilidade está ligada aos títulos que compõem a carteira dos fundos de previdência. A grande maioria dos fundos é formada por títulos de renda fixa, públicos e privados, de perfil mais conservador, para garantir a poupança lá na frente.

Segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), a rentabilidade média acumulada pelos fundos de previdência privada no ano, até o dia 14 de dezembro, estava em 10,53%, e em 12 meses, em 11,37%. Nada mau, diante de uma inflação de 2,50% e 2,80% nesses respectivos períodos. Sobre esse rendimento ainda há o desconto do imposto de renda.

O desempenho, no entanto, não depende apenas da composição das carteiras, e das estratégias de investimentos de seus gestores, mas também de quanto vão cobrar do investidor por isso. São as taxas de administração e de carregamento. Claro que quanto mais elevadas essas taxas, menor o valor líquido a ser creditado ao participante. E isso pode fazer uma grande diferença em períodos de anos, de décadas.

Principalmente agora que os juros caíram drasticamente, a mordida das taxas de gestão se tornaram mais pesadas e mais evidentes. Elas variam de acordo com o perfil do fundo e valor da aplicação. De modo geral, são mais altas nos fundos que aceitam valores mais baixos de aplicação. De acordo com dados da Anbima, a taxa média nos planos que aceitam até R$ 1 mil estava, em setembro deste ano, em 2,56% ao ano; para valores acima disso e até R$ 25 mil, em 1,07% ao ano; acima disso e até R$ 100 mil, em 0,91% ao ano; e acima de R$ 100 mil, em 0,56% ao ano.

Como as taxas levam uma fatia do patrimônio, é importante que na hora de escolher um dos planos o aplicador saiba de quanto é a taxa cobrada, qual tem sido sua performance ao longo de anos e qual o rendimento líquido que vai a sua conta.

Sempre que não estiver satisfeito com o rendimento obtido, o participante pode transferir seu dinheiro para outro fundo da mesma ou de outra instituição financeira. Mas só entre planos da mesma família, quem tinha um PGBL só pode migrar para outro PGBL, e o mesmo acontece com o VGBL. Nessa transferência não haverá nenhum custo nem tributação do patrimônio ali existente.