Previdência privada rendeu, na média, 11,3% em 2017. E o seu plano?

Regina Pitoscia

07 Março 2018 | 00h17

Você sabe quanto está rendendo o seu plano de previdência privada? Sabe quanto ele cobra de taxa de administração? Em que o dinheiro está aplicado?

A previdência privada é indicada para a formação de uma poupança de longo prazo. Geralmente é procurada por quem pretende ter uma renda complementar à aposentadoria do INSS. E por ter esse perfil, além do dinheiro, nesse tipo de aplicação são depositadas muitas expectativas, as de uma vida inteira. Daí a importância da escolha da instituição que vai administrar o dinheiro, do tipo de plano, dos custos para manter o investimento.

Os planos de previdência privada aberta são comercializados por bancos e seguradoras. Existem basicamente dois tipos: o Plano Gerador de Benefícios Livres (PGBL) e o Vida Gerador de Benefícios Livres (VGBL). A principal diferença entre eles refere-se ao recolhimento do Imposto de Renda. No PGBL, a tributação acontece na hora do resgate e sobre o dinheiro retirado; no VGBL, o IR é cobrado sobre o ganho de capital, ou seja, sobre o rendimento obtido.

Uma pesquisa feita pela Prevue Consultoria, com 8.700 planos de previdência do mercado e mais de 1.200 fundos de investimentos, ligados a esses planos, traz uma boa radiografia do setor. A partir dos dados levantados e divulgados, você poderá comparar com os resultados apresentados pelo seu plano e ter uma ideia se está no caminho certo.

Rentabilidade

A análise mostrou que a média de rentabilidade proporcionada pelos planos em 2017 ficou em 11,3%. Um desempenho que faz crescer os olhos diante de uma inflação de 2,95%, medida pelo IPCA no mesmo período. Existe aí um ganho real de nada menos que 8,11%. Muito mais do que qualquer aplicação na renda fixa, como CDB, caderneta ou fundo de renda fixa.

A pesquisa fez ainda um outro corte sobre o desempenho dos planos, separando os PGBL e VGBL entre os melhores e piores. A rentabilidade média dos melhores cravou os 17,8%, com ganho real, acima da inflação, de 14,4%. Já a média do rendimento dos piores ficou em 7,2%, o que, mesmo assim, superou a inflação e até o mesmo a remuneração da caderneta, de 6,93% no ano.

O diretor da Prevue, Geraldo Magela, destaca uma curiosidade do estudo: “Entre os fundos do mercado de Previdência, os mais rentáveis são, em média, 4 anos mais jovens que os menos rentáveis”. Ou, dito de outra forma, os fundos criados recentemente são, na média, mais rentáveis que os antigos.

A partir dessas informações, você pode ver quanto rendeu o seu plano e identificar em que grupo ele se enquadra: o da média, o dos melhores ou dos piores.

Taxa de administração

A taxa cobrada pelo fundo para a administração do dinheiro é outro item a ser considerado, porque pode beliscar boa parte do rendimento.

A pesquisa da Prevue mostrou que a média da taxa de administração ficou em 2,20% ao ano. Também foi possível verificar que os fundos criados mais recentemente cobram taxas menores que os mais antigos. Para os fundos iniciados em 1998, a taxa média é de 2,21% ao ano, já nos fundos formados em 2017, a taxa é de 0,84% ao ano.

E o seu plano, quanto cobra de taxa de administração?

Taxa de carregamento

Além da de administração, alguns fundos cobram a taxa de carregamento, na entrada ou saída do dinheiro. O levantamento mostrou que a grande maioria dos fundos, 81%, está cobrando a taxa nos resgates ou na transferência para outro fundo (portabilidade); 32% cobram a taxa no momento do depósito dos recursos; e 13% cobram tanto na entrada como na saída.

O diretor alerta para o fato de que essas taxas somadas podem chegar a 10% do valor aplicado. “É fundamental observar essa condição no momento da contratação”, afirma ele.

Destaques

Outros resultados merecem destaque. A alta da bolsa de valores está por trás da boa performance dos melhores fundos, que detinham em suas carteiras uma boa parte de ações das empresas. Ao mesmo tempo, a composição dos fundos menos rentáveis tinha preponderância de renda fixa e pequena parcela de ações.

Mas veja que dica importante: o desempenho dos piores fundos não refletiu apenas a concentração da carteira em papeis de renda fixa, mas também pelas altas taxas de administração cobrada por eles.