Ranking das aplicações em 2017 e perspectivas para 2018

Regina Pitoscia

29 Dezembro 2017 | 00h17

(*) Com Tom Morooka

O ano que termina não foi ruim para o investidor. Foi premiado com a sorte grande quem apostou na alta das ações. Destaque no mercado de investimentos, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) sustentou valorização de 26,86%, o melhor desempenho em 2017, em meio a um cenário de muitas incertezas políticas e econômicas.

Foi o segundo ano seguido de liderança do mercado de ações no ranking de investimentos. Em 2016, a Bovespa acumulou alta de 38,93%.

Ganho real

As aplicações de renda fixa também não fizeram feio e pagaram ganho real. Todas nesse segmento renderam nominalmente menos, por causa dos cortes na taxa básica de juros (Selic), que começou 2017 em 13,75% ao ano e terminou em 7,00%, recorde histórico de baixa – a Selic é referência para a remuneração de aplicações financeiras, como CDB e fundos de renda fixa.

O recuo das taxas nominais de juro foi compensado, no desempenho das aplicações, por uma queda mais forte e acelerada da inflação, bastante além das estimativas do governo e do mercado financeiro, ao longo de 2017. De 4,90% projetado para o IPCA, no início do ano, a inflação oficial deverá acumular variação ao redor de 2,80%, abaixo do piso da meta.

A boa notícia para quem aplicou em renda fixa, portanto, é que, no fim das contas, todas as opções conservadoras de aplicação pagaram folgada parcela de ganho real, acima da inflação, ao investidor – um prêmio que, de todo modo, não deverá repetir-se em 2018. A tendência é que o rendimento acima da inflação seja menos generoso no próximo ano.

As projeções do governo e do mercado financeiro apontam que a taxa de juros pode permanecer por bom tempo rodando no piso a que chegou e a inflação, embora permaneça baixa, tende a acomodar-se em um nível ligeiramente acima ao esperado para este ano.

A surpreendente queda da inflação e dos juros este ano reflete a retomada da confiança dos agentes econômicos na política econômica do governo do presidente Michel Temer, ajudada também pela forte queda dos preços dos alimentos e pela severa recessão.

Bolsa e dólar

O cenário que serviu de pano de fundo para a vistosa valorização da bolsa de valores e deixou o dólar praticamente patinando é mais difuso, menos claro. O comportamento dos dois mercados, considerados termômetros de expectativas, pode ser considerado paradoxal, à primeira vista, diante das incertezas políticas e econômicas que o País viveu em 2017.

Alguns desses momentos de maior tensão, o da divulgação, em meados de maio, de uma conversa gravada entre o presidente Michel Temer e o empresário Joesley Batista, do frigorífico JBS; o julgamento do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) que absolveu do pedido de cassação, em junho, a chapa Dilma-Temer; e dois pedidos de denúncias da PGR (Procuradoria Geral da República) contra Temer derrubados pela Câmara.

Embates que acirraram a crise política e adiaram, repetidamente, a votação da reforma da Previdência Social. Principal aposta do governo e do mercado financeiro, no âmbito de medidas para a contenção de gastos, para tentar o reequilíbrio das contas públicas.

Expectativa positiva com o andamento da reforma que deu gás e sustentou a alta da bolsa de valores, mas cuja frustração, com o adiamento da votação para fevereiro, não parece ter esfriado o ânimo dos investidores. O mercado não escapou de turbulências e volatilidade nesses momentos, mas não interrompeu a trajetória de valorização.

Estimulado também pelo mergulho da inflação, redução dos juros e sinais de retomada de consumo e do crescimento, o mercado de ações mantém aparente otimismo fiando-se ainda em mudanças nas regras de aposentadoria. Senão com a votação da proposta no início de 2018, ainda no governo Temer, sob a batuta de novo presidente abraçado a ideias de reformas econômicas que seria eleito no ano que vem.

Um sentimento de desvio de rota dessas expectativas pode reforçar a volatilidade e as turbulências, que deverão permear o mercado financeiro no próximo ano. Em contrapartida, as boas condições das contas externas do País (saldos positivos na balança comercial, financiamento do déficit do balanço de pagamentos ou a necessidade de financiamento externo coberta por ingresso de capitais do investimento externo direto, saldo em torno de US$ 380 bilhões de reservas em dólar) tendem a amortecer eventuais impactos negativos mais nocivos, como uma disparada do dólar.

Para além da boa performance das contas externas do País, existiriam riscos que poderiam vir de fora e pressionar os mercados de ações e dólar, ligados à possível elevação mais forte e rápida dos juros americanos. Sobretudo por causa da troca de comando no Fed (Federal Reserve, o banco central americano), com a substituição de Janet Yellen por Jerome Powell.

De todo modo, foi essa solidez nos dados das contas externas um dos fatores que mantiveram o dólar contido em determinados limites de alta, até em momentos de maior deterioração de expectativas, e na rabeira da corrida dos investimentos em 2017, com valorização de apenas 1,94%.

Balanço das aplicações em 2017

1º – Bolsa de valores                                                26,86%

2º – Euro                                                                     16,25%

3º – Ouro                                                                    13,89%

4º – Fundos de renda fixa                                        10,30% (média)

5º – Fundos DI                                                            10,16% (média)

6º – CDB                                                                         9,38% (média)

7º – Títulos indexados ao IPCA                                   7,81% (indicativo)

8º – Caderneta de poupança                                      6,61% (líquido)

9º – Inflação (IPCA)                                                      2,79% (estimativa)

10º – Dólar                                                                     1,94%

Obs.: Os cálculos são do administrador de investimentos Fabio Colombo