Roteiro para quem busca um emprego

Regina Pitoscia

04 Outubro 2017 | 01h33

Quando o assunto é emprego a situação permanece bem crítica: pelos dados do segundo trimestre do ano, apurados pelo IBGE, são 13,1 milhões de desempregados. Isso é mais que toda a população da cidade de São Paulo, a maior do País.

É fato que houve uma recuperação em relação aos primeiros meses do ano, mas que está ligada a uma outra face perversa da crise no mercado de trabalho, ao aumento da informalidade. É sabido que o trabalhador informal recebe, em geral, remuneração menor que os contratados com carteira assinada. Por não contribuir com a Previdência Social, fica à margem dos benefícios sociais, trabalhistas e demais garantias.

Com o desemprego em massa e a piora nas condições de trabalho, são muitas as barreiras para voltar ao mercado, ainda mais em grande estilo. “Mas não dá para ficar chorando”, diz o orientador e consultor de carreira, Emerson Weslei Dias. “A pessoa tem de se organizar, se ocupar, se dar novas oportunidades e abrir novos horizontes”.

Não desanime

Todo o processo de busca de um novo emprego é difícil e angustiante, porque envolve o envio de centenas de currículo, a espera de uma resposta, de um retorno que nunca chega, as muitas negativas…  As histórias se repetem. Cada um reage à sua maneira, com apatia, preocupação, desespero e até depressão.

E o que fazer para virar o jogo?

Segundo o consultor, as providências vão depender do tempo em que a pessoa estiver desempregada. Se a perda do emprego foi recente, num prazo de até um mês, por exemplo, não deve haver dúvidas em aproveitar esse período para cuidar de si mesmo: fazer os exames médicos sempre adiados, tratamento dentário, enfim aquilo que é negligenciado e deixado para segundo plano quando se está na roda viva do trabalho.

Nesse período é indicado também retomar o contato com amigos, colegas, parentes e profissionais, marcar um café, uma conversa, tudo para alimentar a rede de contatos. A comunicação deve ser clara que o candidato está à procura de uma vaga, de recolocação no mercado de trabalho.

Iniciar essa agenda de forma organizada é uma forma produtiva de manter-se ocupado.

Investimento em você

Depois disso vale a pena procurar cursos livres e grátis para investir no conhecimento e desenvolvimento profissional. O consultor reforça que, “com a internet, há um campo infinito de opções, que são oferecidas pelas prefeituras, empresas ou entidades”. O investimento em si mesmo é uma das melhores atitudes sempre, mas especialmente num momento em que o diferencial pode ser decisivo para a conquista de uma vaga.

Nesses cursos, “que podem ser dentro ou fora da área de interesse do candidato, tendem a surgir muitas ideias e novos contatos podem ser feitos”. É também uma forma de alimentar o network, explica o consultor.

A etapa seguinte é a de preparar um plano de recolocação, com estratégia e um posicionamento claro para colocá-lo em prática. É hora de conferir o que o mercado está oferecendo dentro daquilo que se pretende. As primeiras tentativas devem ser mesmo pelas vagas idealizadas.

Só que, se passado um tempo o candidato perceber que o mar não está para peixe dentro da sua área, do nível de salário e de outras condições desejadas, é preciso rever a estratégia. É o caso de baixar as expectativas, aceitar funções abaixo das que eram exercidas, com remuneração menor.

Para o orientador, isso pode aumentar a possibilidade de colocação, porque a pessoa vai oferecer qualificação acima da que está sendo solicitada para a vaga.  É indicado também considerar opções de trabalho em outras cidades ou até Estados.

“A flexibilidade é um fator fundamental nesse processo de sobrevivência” afirma o especialista. O candidato deve se abrir às novas possibilidades, buscar a criatividade, não ter filtros, testar.

Como opção, Dias também sugere o voluntariado, seja em ONGs, igrejas ou comunidades. Não só porque nesses projetos é possível ampliar o conhecimento e contato com outras pessoas como também descobrir novas aptidões, novos talentos.

Outras dicas

– Tenha um currículo claro, objetivo, atualizado, com informações que possam mostrar suas habilidades;

– Nem sempre vale a pena inserir a pretensão salarial entre os dados, porque isso pode limitar as oportunidades;

– Reforce a disponibilidade em aceitar outras atividades fora do perfil apresentado;

– Prepare-se muito bem para a entrevista, informando-se sobre as atividades da empresa em questão. A internet é forte aliada;

– Nunca fale mal de empregos anteriores ou revele dados confidenciais;

– No contato com o entrevistador valem um aperto de mão firme e olho no olho;

– A aparência também conta, exageros nos trajes, perfumes e maquiagens costumam atrapalhar;

– A demonstração de confiança em si mesmo e entusiasmo é sempre bem-vinda para essa hora.