Selic deve cair hoje para 7% ao ano. Veja o que muda no seu bolso

Regina Pitoscia

06 Dezembro 2017 | 00h25

O Comitê de Política Monetária, o Copom, que é formado por diretores do Banco Central, divulga hoje a nova taxa básica da economia. A que vai valer até o dia 7 de fevereiro de 2018. Se não houver surpresa de última hora, a Selic deve cair dos 7,5% para 7,0% ao ano, um nível mínimo histórico.

Se considerarmos que no início deste ano, o juro que é referência da economia estava em 13,75% ao ano, terá havido aí um corte vigoroso de nada menos que 6,75 pontos porcentuais.

Essa reunião deve sacramentar o fim do ciclo de redução de juros por uma política monetária (controle da quantidade de dinheiro na economia) bem-sucedida. Ela derrubou a inflação oficial, calculada pelo IPCA, de 10,67%, em 2015, para 6,29%, em 2016, e para algo em torno de 3,0% estimado pelo mercado no boletim Focus para 2017.

Sem artificialismos nos preços, nas tarifas públicas e no câmbio, inflação e juros em queda são fatores que reanimam a economia. Estimulando os investimentos e a produção, a geração de empregos e, por tabela, melhorando a renda e o poder de compra do consumidor.


Rendimento menor

A ajustada política monetária alinha a Selic para um nível que reduzirá, de bate pronto, o rendimento de todas as aplicações financeiras. A começar pela caderneta que, caso a Selic seja confirmada em 7% ao ano, passará a render 4,90% ao ano ou 0,3994% ao mês. Essa remuneração será creditada de 7 de dezembro a 7 de fevereiro, sempre de acordo com a data de aniversário da conta

O rendimento da poupança não recuará sozinho.  A rentabilidade dos fundos de investimento, como os de renda fixa e DI, também será achatada com a provável redução da Selic. Uma redução que é agravada com a cobrança do imposto de renda e da taxa de administração.

A situação dos fundos em relação à da caderneta vai continuar a mesma: fundos que cobram taxa de administração de 0,5% ao ano tendem a pagar mais do que a caderneta: os que cobram taxas de 1% ao ano conseguem ganhar da poupança em aplicações com prazos de 1 a 2 anos; e fundos que cobram taxas acima de 1% vão perder para a caderneta, em aplicações de qualquer prazo.

Uma opção para quem procura rentabilidade maior sem sair da renda fixa são os títulos, como CDBs, oferecidos nas plataformas digitais, de bancos e corretoras, com taxas de juros que até superam a Selic.

Crédito

Já o efeito da queda da Selic sobre os juros cobrados nos financiamentos deve continuar sendo diluído gradualmente ao longo do tempo.

Até porque a Selic é apenas uma referência para a formação das taxas nas linhas de crédito. Compõem o custo dos empréstimos ainda o spread – a diferença entre o custo de captação de recursos e a taxa de repasse nos empréstimos, margem que compõe a gorducha rentabilidade dos bancos -, os impostos, como o IOF, e ainda o recolhimento compulsório ao Banco Central que deixa os bancos sem remuneração sobre parcela dos recursos.

O consumidor, por enquanto, deve continuar na sua e evitar endividamentos, porque, com as seguidas e homeopáticas reduções, os juros permanecem proibitivos no crédito. Especialmente no cheque especial e também no rotativo do cartão.

Se a saída estiver em levantar um empréstimo, o consignado e o crédito pessoal são opções mais camaradas para o bolso. E uma pesquisa pelas empresas que oferecem crédito online pode revelar um custo mais baixo do que nas grandes redes de bancos.