Taxa do cheque especial sobe mais em março e vai a 331% ao ano

Regina Pitoscia

28 Março 2018 | 01h32

Na última segunda-feira, o Banco Central divulgou a taxa média do cheque especial em fevereiro, ficou em 324,1% ao ano, ou 12,7% ao mês. Mas em março, pelo menos nos cinco maiores bancos do País, os juros médios nesse tipo de crédito estão em torno de 331% ao ano, ou 12,9% ao mês.

Indiferentes à queda e na contramão da Selic, que é referência às demais taxas do mercado, os juros do cheque especial parecem engessados nesse nível, desde janeiro de 2017.

De fácil acesso, à disposição do correntista, atualmente é a linha de financiamento mais pesada do mercado, supera até mesmo a do cartão de crédito. Confira os juros no período de 7 a 13 de março.

Cheque especial –  março

Banco                      Juro ao mês            Juro ao ano

Bradesco                   12,20%                    297,93%

Caixa                          12,41%                    307,18%

BB                               12,54%                    312,77%

Itaú                             12,80%                    324,16%

Santander                  14,81%                    424,48%

No rotativo do cartão de crédito, o juro médio entre essas mesmas instituições financeiras, este mês, está ao redor de 295,0% ao ano, ou 12,1% ao mês. Abaixo, portanto, das taxas médias de fevereiro que, de acordo com o BC, ficaram em 339,9% ao ano ou 13,1% ao mês.

No ano passado, com a mudança de regras para o financiamento do saldo devedor do cartão, as taxas acabaram caindo. Taxas que são cobradas quando a fatura não é paga integralmente na data do seu vencimento, e pelo prazo de apenas um mês. No fim desse período, a dívida tem de ser renegociada com  juros e número de parcelas prefixados.

Além dessa condição, que limitou a situação do rotativo por esse curto período, houve uma distinção entre os juros cobrados no chamado rotativo regular, quando o consumidor paga pelo menos a parcela de 15% da dívida, e no rotativo não regular, quando não há esse pagamento mínimo. Os juros do rotativo divulgados pelo BC representam a média entre essas duas modalidades de financiamento.  A seguir, as taxas cobradas na segunda semana de março.

Rotativo do cartão – média

Banco                      Juro ao mês             Juro ao ano

Itaú                            10,13%                     218,34%

BB                              10,35%                     226,04%

Caixa                         11,11%                       253,96%

Santander                11,14%                       255,19%

Bradesco                  18,11%                       637,14%

Assim que sai do rotativo, o saldo devedor é refinanciado dentro do parcelado migrado. Nessa linha de crédito, o juro vem zanzando em torno de 8,8% ao mês, ou 175% ao ano nos grandes bancos.

Mais baratas

Em níveis inferiores a essas duas linhas mais caras de financiamento, cheque especial e rotativo do cartão, aparecem o crédito pessoal e o crédito consignado como opções ao consumidor.

Embora seja mais barato, o crédito pessoal nem sempre está na prateleira dos grandes bancos e, quanto está, vem com muitas restrições para a concessão. Em março, a taxa média do crédito pessoal está em 76,68% ao ano ou 4,86% ao mês.

Já o crédito consignado é mais acessível a quem recebe seus vencimentos, aposentadoria ou salário por meio de folha de pagamento com crédito em conta corrente. Para o aposentado, o juro médio me março está em 27,35% ao ano; para o servidor público, em 25,20% ao ano e para o assalariado da iniciativa privada, em 38,35% ao ano.

Juros ao ano

Cr. Pessoal            Consignado INSS        C. servidor        C. assalariado

BB                      64,52%                     26,14%                       24,52%                 35,91%

Caixa                 74,74%                      28,11%                       25,45%                 35,91%

Santander        76,26%                      27,18                          22,12%                  38,24%

Itaú                    77,11%                      27,98%                       31,59%                  47,29%

Bradesco          91,86%                     27,33%                        22,54%                  35,64%

Fonte: Banco Central