3 investimentos típicos para quem quer viver de renda

Sílvio Guedes Crespo

13 Março 2018 | 05h00

Um problema típico de quem vive de renda é calcular o seguinte: de tudo o que o seu dinheiro rendeu, quanto você pode efetivamente gastar, sem reduzir o seu patrimônio?

Sim, porque, existe a inflação. Se as suas aplicações rendem R$ 5.000 por mês, não quer dizer que você poderá gastar esses R$ 5.000 todo mês.

Ou melhor, você até pode, mas saiba que assim você está reduzindo o seu patrimônio. Porque uma parte do rendimento serve apenas para cobrir a inflação.

Se a inflação foi de 4% e suas aplicações renderam 5%, você só pode gastar 1% – supondo que você não queira reduzir o seu patrimônio.

Não descontar a inflação é um dos dois erros clássicos de quem planeja a aposentadoria por conta própria.

É aí que entram alguns tipos de investimento que facilitam para quem vive de renda. São investimentos que permitem que você faça uma aplicação inicial e depois vá recebendo periodicamente um valor na sua conta corrente. E você pode gastar todo o valor que cai na sua conta, sem necessariamente reduzir o patrimônio.

Vou falar aqui de três tipos de investimento com essas característica: o Tesouro Direto, os dividendos de ações e os fundos imobiliários. Explicarei, ainda, quanto se pode ganhar com cada um deles.

Tesouro Direto

No Tesouro Direto existe um título chamado “Tesouro IPCA+ Com Juros Semestrais”. Quando você investe nesses papéis, você recebe os juros na sua conta corrente, duas vezes por ano, já descontado o Imposto de Renda e a inflação.

Hoje, para receber uma renda de R$ 5.000 por mês com essa aplicação, é necessário aplicar entre R$ 1,5 milhão e R$ 1,7 milhão nesses papéis.

A grande vantagem desse papel é a segurança. O risco de você levar calote é baixíssimo, praticamente nulo.

A desvantagem é que é preciso ter um capital relativamente grande para viver de renda com esse título. Mas no mundo dos investimentos é assim mesmo: quanto menor o risco, menor a expectativa de retorno.

Dividendos e proventos de ações

Quando você investe em ações de uma empresa, pode receber periodicamente dividendos, ou seja, uma parte do lucro que a empresa gerou. Também pode receber juros sobre capital próprio (JSCP), que, do ponto de vista do investidor, é muito parecido. No dois casos você recebe um dinheiro na sua conta corrente de tempos em tempos, já líquido de impostos. Os dividendos e o JSCP são chamados de proventos.

Talvez você esteja se perguntando quanto é necessário investir para se ter uma renda de, por exemplo, R$ 5.000 por mês em proventos. Isso depende da empresa.

Recentemente, fiz um levantamento mostrando que, investindo R$ 353 mil em ações da Eztec, você tende a receber uma renda de R$ 60 mil por ano (R$ 5.000 por mês), se a companhia continuar pagando proventos no mesmo ritmo com que pagou nos últimos 12 meses.

Já se você escolher uma empresa mais madura, como a Vale ou a Ambev, seria preciso investir mais de R$ 1 milhão para ter uma receita de R$ 60 mil por ano em proventos.

Quando se quer viver de renda, a vantagem das ações, em comparação com o Tesouro Direto, é que você pode conseguir uma renda maior, aplicando um capital menor. A desvantagem é que o risco é bem mais alto. Se a empresa tiver prejuízo ou por qualquer motivo decidir não pagar dividendos, você deixa de receber o dinheiro.

Fundos imobiliários

Os fundos de investimento imobiliários (FIIs) funcionam como se você estivesse investindo em imóveis, só que indiretamente. Ao investir em um FII, você está comprando uma parte de um imóvel ou de um conjunto de imóveis. Logo, você vai receber uma parte do aluguel que esses imóveis gerarem.

O valor pago varia muito de um fundo para outro. Se você busca uma renda de R$ 5.000 por mês, teria que investir cerca de R$ 520 mil no fundo MFII11. Já no fundo KNIP11 seria necessário aplicar mais de R$ 700 mil para ter a mesma renda.

Para saber quanto você tende a ganhar com fundos imobiliários, veja esta planilha. Como sempre, as estimativas consideram que os fundos continuem remunerando os investidores no mesmo ritmo verificado nos últimos 12 meses.

Aqui também vale a mesma observação referente aos investimentos em ações: o risco é bem mais alto do que o do Tesouro Direto. Se você investe em um fundo imobiliário, você indiretamente tem inquilinos que lhe pagam aluguel. Se os inquilinos saírem ou não pagarem, você não recebe.

Qual dessas três formas é a melhor?

Afinal, o que é melhor, então: o Tesouro Direto, os proventos de ações ou os fundos imobiliários?

Não existe uma resposta infalível. Foi apontado aqui que o Tesouro rende menos, mas é mais seguro. Já as ações e os FIIs tendem a render mais, mas são mais arriscadas. Depende de cada pessoa decidir quanto risco ela pode e quer assumir. Eu, particularmente, incluo as três formas de investimento em minha carteira, como forma de diversificar e melhor a relação risco-retorno.

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