Bitcoin: Duas razões para crer em uma nova disparada da criptomoeda

Bitcoin: Duas razões para crer em uma nova disparada da criptomoeda

Sílvio Guedes Crespo

16 Novembro 2017 | 05h00

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Quem comprou bitcoin no início do ano e vendeu nos últimos dias multiplicou o seu investimento por sete. A propósito, você pode conferir quantos milhões você teria se tivesse investido em bitcoin desde 2011.

O bitcoin, moeda eletrônica descentralizada, já subiu mais de 590% em 2017 e ajudou algumas pessoas a fazerem fortuna da noite para o dia. No começo do ano, a criptomoeda custava cerca de R$ 3.600, e recentemente tem variado entre R$ 20 mil e R$ 25 mil (entenda o bitcoin em 1 minuto).

Apesar dessa forte alta, existe chance de que o bitcoin continue subindo e há previsões de que ele alcance o valor de US$ 100 mil (ou R$ 330 mil, considerando a cotação atual do dólar).


Neste artigo eu reúno duas razões para crer que o bitcoin ainda tem chance de disparar. No entanto, devo alertar que isso NÃO é uma recomendação de compra. A criptomoeda ainda tem diversos desafios, por isso vale a pena ler também outro artigo que escrevi, no qual aponto justamente o contrário: dois fatores que podem fazer o bitcoin despencar.

Vamos então às duas razões para crer em um forte aumento de preço do bitcoin.

1. Análise gráfica indicaria bitcoin a US$ 100 mil

Esta tese foi apresentada pelo analista técnico Fausto Arruda Botelho, da Enfoque, na Bitcoin Conference, evento sobre bitcoin realizado em São Paulo.

Segundo Botelho, se a teoria de Dow (referente a Charles Dow, o jornalista que fundou o Wall Street Journal) for aplicada ao bitcoin, ela indica que a criptomoeda deve chegar a valer US$ 100 mil em breve.

Resumindo, a teoria de Dow diz que a trajetória de valorização dos mercados ocorre em três fases de alta.

A primeira fase de alta ocorre quando os investidores acreditam que a economia vai melhorar. Assim, eles compram ações, e os papéis se valorizam. A segunda fase de alta ocorre quando a economia está, de fato, melhorando. Novamente, as pessoas compram ações, e a Bolsa sobe. Finalmente, a terceira fase de alta ocorre depois que a economia já melhorou, e mais e mais pessoas começam a comprar ações, por terem visto que o mercado está subindo.

Ou seja, na primeira fase as pessoas entram no mercado porque acham que a economia vai melhorar; na segunda, porque a economia está melhorando; e na terceira, porque já melhorou.

Transpondo isso para o bitcoin, nós estaríamos na terceira fase de alta. O gráfico abaixo, elaborado por Botelho, mostra a evolução do preço do bitcoin. As barras verticais verdes marcam as três fases de alta.

A primeira fase de alta do bitcoin (barra verde à esquerda) se iniciou no segundo semestre de 2010, quando a criptomoeda era negociada a US$ 0,07, e terminou em meados de 2011, quando superou o valor de US$ 30. Depois, houve uma correção para cerca de US$ 2.

A segunda fase de alta ocorreu quando o bitcoin saiu de US$ 2, no final de 2011, e superou a barreira dos US$ 1.000, no final de 2013. Em seguida, ocorreu uma nova correção, em que a criptomoeda baixou para menos de US$ 200.

Hoje, é possível que estejamos na terceira fase de alta, de acordo com Botelho. Esta fase teria começado em meados de 2015, com a criptomoeda pouco abaixo de US$ 200 (hoje ela está acima de US$ 7.000).

Um ponto importante na teoria de Dow é que as três fases de alta são iguais em porcentagem de valorização. No caso do bitcoin, tanto na primeira fase quanto na segunda, houve uma valorização de cerca de 50.000%. Nesta terceira, portanto, a alta deve ser de 50.000%, de acordo com a análise de Botelho. Isso significa que o bitcoin pode chegar a US$ 100 mil.

Mas quando chegaríamos aos US$ 100 mil? De acordo com Botelho, se notarmos o quão íngreme foi a subida do bitcoin nas duas primeiras fases, é possível que cheguemos aos US$ 100 mil nos próximos meses. “Pode ser já neste Reveillon”, disse o analista.

2. Adoção do bitcoin no mercado futuro

A segunda razão que aponto para crer em uma nova disparada do bitcoin é o desenvolvimento de um mercado de contratos futuros usando a criptomoeda como referência.

A maior bolsa de contratos futuros do mundo, a CME (Chicago Mercantile Exchange), anunciou recentemente que vai trabalhar com bitcoin. Precisamente, na segunda semana de dezembro ela deve listar a criptomoeda no mercado futuro.

Um dia antes de a CME anunciar seu projeto, o bitcoin era negociado a cerca de US$ 6.100. Nos dias seguintes, a cotação superou US$ 7.500.

A possibilidade de negociar bitcoins no mercado futuro ajudará fundos de investimento a investirem na criptomoeda e pode ajudar também as empresas que aceitam bitcoin a ter mais previsibilidade. Se esse mercado realmente der certo, e se empresas e fundos de investimentos começarem a negociar futuros de bitcoin, será mais um fator a contribuir para a sua valorização.

Essas duas razões que apontei para crer em uma alta do bitcoin não pretendem ser, de maneira nenhuma, uma análise exaustiva sobre as perspectivas para a criptomoeda. Existem outros fatores que influenciar no preço do bitcoin. Há, inclusive, questões técnicas ou tecnológicas, que não foram abordadas neste artigo.

Ainda, se você procurar na internet, vai encontrar pessoas dizendo que têm certeza de que o bitcoin é uma excelente oportunidade e que vai se valorizar muito no longo prazo. Também encontrará pessoas dizendo que certamente é uma bolha e que a qualquer momento pode não valer mais nada.

A verdade é que existe uma grande incerteza sobre até onde o bitocoin pode chegar. É possível ocorrer tanto uma disparada como uma correção (queda) brutal no seu valor. Diante desse cenário incerto, cada um precisa ter os seus critérios para saber se investe ou não nesses ativos. Se tiver interesse, em outro artigo explico como eu, particularmente, faço para decidir quanto investir em bitcoins.

De qualquer maneira, este é um mercado que está sempre mudando. Se quiser acompanhar mais conteúdos sobre investimentos, inscreva-se também no meu canal no Youtube.