Como avaliar se investir em COE vale a pena para você

Sílvio Guedes Crespo

17 Abril 2018 | 11h58

Se você está lendo este artigo, provavelmente é porque alguma vez já cogitou investir ou já investiu em um COE, Certificado de Operações Estruturas.

Às vezes é um pouco difícil entender como funciona um determinado COE, mas o curioso é que entender se ele vale a pena é, a meu ver, bem mais fácil.

Veja só. Pode-se explicar que o COE é uma forma de investimento “que mescla elementos de Renda Fixa e Renda Variável” e é “estruturado com base em cenários de ganhos e perdas selecionadas de acordo com o perfil de cada investidor”, como diz o site da Cetip, por exemplo.

Pode-se dizer, também, que o COE possibilita uma diversificação de investimentos, incluindo ativos nacionais e internacionais, além de usar referências de retorno como o câmbio, ações e índices diversos.

Tudo isso está certo, mas, falando um bom português, o que interessa para a maioria de nós, investidores pessoas físicas, é o seguinte: até quanto eu posso ganhar e até quanto eu posso perder. Ponto.

Hoje, quando eu vou escolher um COE para investir, em nem olho para o que está por trás. Por exemplo, se ele está ligado ao dólar ou ao índice Bovespa, se usa como referência ações estrangeiras ou brasileiras etc.

Por quê? Porque, por mais que a gente procure analisar isso, para a maioria das pessoas qualquer análise vai ser na verdade um chute.

Por exemplo. Digamos que um determinado COE ofereça um ganho de 10%, caso o dólar atinja R$ 3,60 ou mais daqui a exatos seis meses. E se o dólar ficar abaixo desse valor, você recebe o dinheiro que investiu, sem nenhum ganho e nenhuma perda nominal.

Como eu decido se entro ou não nesse COE? Eu fico tentando adivinhar se o dólar vai estar acima ou abaixo desse patamar? Não. Eu não faço isso. E o motivo é muito simples: porque eu sei que não dá para adivinhar o que vai acontecer com o dólar. Qualquer tentativa, como eu disse, é chute.

A gente não sabe como vai estar a disputa eleitoral, quem serão os candidatos, como estará a taxa de juros nos Estados Unidos etc. São tantos fatores que influenciam o dólar (e a gente não tem controle de nenhum deles) que, no fundo, qualquer análise que o investidor pessoa física faça acaba sendo um chute.

Ainda poderíamos pensar: “Bom, nesse caso eu vou procurar saber o que os melhores analistas do Brasil estão prevendo para o dólar”. Má ideia, na minha opinião. Pois a instituição financeira que criou o COE já pesquisou isso antes e contou com a sua estrutura de profissionais para essa tarefa.

Então, em vez de ficar tentando adivinhar se o dólar vai ficar acima ou abaixo do valor determinado no COE, vejo muito sentido em simplesmente assumir que isso é uma aposta e analisar o seguinte: até quanto eu posso ganhar e até quanto eu posso perder.

Afinal, na prática, para que serve o COE? Hoje em dia, ele tem sido usado principalmente porque as aplicações de baixo risco têm retorno cada vez mais baixo, devido à queda da taxa básica de juros, a Selic.

O COE serve, basicamente, para quem pensa assim: “O retorno das aplicações de renda fixa, para mim, é quase o mesmo que nada. Portanto, é a garantia de que terei retorno quase nulo. Já se eu investir em um COE, pode ser que eu tenha um retorno nulo, ou pode ser que eu tenha um retorno razoável. Logo, faz mais sentido o COE”.

É assim que eu penso, e é assim que muita gente pensa, quando vai aplicar em COE. Então, para saber se um COE vale a pena, o que precisamos fazer é colocar o COE lado a lado com uma aplicação de renda fixa com o mesmo prazo de vencimento.

Para comparar com esse mesmo exemplo do COE para seis meses, digamos que um determinado CDB com mesmo prazo esteja pagando 3% no período.

Então, você pensa: se você investir no COE e ele der retorno zero, você vai ficar muito chateado, arrependido de não ter colocado o dinheiro no CDB? Ou, se você investir no CDB, e o COE der o retorno de 10%, você vai ficar arrependido de não ter ido para o COE?

Após responder essas duas perguntas, você responde a pergunta final para si mesmo: qual dessas duas situações vai me deixar mais chateado? Se for a primeira, então provavelmente você vai se dar melhor com o CDB. Se for a segunda, você com certeza vai se dar melhor com o COE.

Isso você pode fazer comparando o COE não só com o CDB, mas com outras aplicações de renda fixa que você teria à disposição no seu banco ou corretora, como LCA e LCI (desde que elas tenham o mesmo prazo de vencimento do COE). E pode, claro, comparar com outros COEs.

Só não se esqueça uma coisa: eu dei o exemplo de um COE cujo pior retorno é zero, mas existem COEs também que dão a possibilidade de você ter um retorno negativo. Nesses casos, a regra é a mesma: você se faz aquelas perguntas e vê qual situação deixaria você mais confortável.