Entenda por que o Tesouro Direto NÃO garante a sua aposentadoria

Sílvio Guedes Crespo

24 Outubro 2017 | 05h00

O Tesouro Direto é um excelente investimento para quem não quer correr riscos e está pensando a longo prazo. Porém, ele sozinho não garante a aposentadoria de ninguém.

O estudo “Quando vou me aposentar?“, que divulguei recentemente aqui no Estadão, mostrou que se uma pessoa investir 10% da sua renda mensal no Tesouro Direto, a tendência é que ela leve 46 anos para se aposentar.

Ou seja, que ela leve 46 anos para juntar uma reserva grande o suficiente que lhe permita manter o padrão de vida por mais 40 anos sem precisar trabalhar.

Para quem quiser mais detalhes e outras simulações, o estudo fica disponível até o fim de outubro para download gratuito.


Lá você pode ver simulações para quem quer investir 10% ou 20% do salário por mês. Ainda, pode comparar o Tesouro Direto com a poupança e o CDB.

Mas neste artigo eu gostaria de chamar atenção para dois fatos que todo mundo precisa conhecer antes de começar a investir em Tesouro Direto para aposentadoria:

1. O rendimento do Tesouro Direto caiu muito e deve continuar caindo conforme a economia se desenvolve;

2. Há alternativas a esse cenário.

Vamos olhar cada um desses dois itens.

1. O rendimento do Tesouro Direto está em queda

Tem um título do Tesouro Direto que é muito usado para aposentadoria: é o Tesouro IPCA+ (antiga NTN-B).

Há dez anos, esse papel estava rendendo 6,5% ao ano mais inflação. Atualmente, está em 5,06%.

O que isso quer dizer?

Vou responder com números. A uma taxa real de 6,5% ao ano, uma pessoa que investir R$ 200 por mês, ao longo de 30 anos acumularia um total de R$ 213 mil, além da correção inflacionária. Já a uma taxa de 5%, se chegaria a apenas R$ 163 mil, ou seja, 23% a menos.

E se a taxa do Tesouro IPCA+ ficasse em 5% ao ano, seria bom.

Mas na verdade, conforme a economia se desenvolve, os títulos de renda fixa (incluindo o Tesouro) tendem a render cada vez menos. Foi isso que ocorreu nos países desenvolvidos e é isso que ocorre também nos emergentes, conforme a economia se estabiliza.

Veja, não estamos falando aqui do que é bom para a economia e para a sociedade como um todo. Neste artigo estou tratando especificamente do ponto de vista de quem investe em Tesouro Direto. Para essas pessoas, a queda na taxa básica de juros é um sinal amarelo. Quem continuar apostando todas as fichas em Tesouro Direto pode quebrar a cara no futuro.

2. Há alternativas a esse cenário

Bom, se no item 1 eu falo de uma má notícia (do ponto de vista de quem aplica no Tesouro), agora vamos falar de uma boa. Existem alternativas ao Tesouro.

Na verdade, não é nem o caso de substituir as aplicações em Tesouro, mas de diversificar.

Se por um lado as aplicações de renda fixa dão menos retorno quando a economia se desenvolve, por outro o mercado de ações melhora.

O Tesouro Direto paga bem quando o governo está muito endividado e a economia como um todo vai mal. Já a Bolsa de Valores tende a gerar um desempenho melhor quando a economia como um todo vai bem.

Verdade que o mercado de ações é de risco muito alto, enquanto o Tesouro Direto é de risco muito baixo.

Porém, entre esses dois extremos existem diversas opções. Em outra ocasião, cheguei a falar sobre três formas de impulsionar a rentabilidade sem correr tanto risco.

O fato é que está chegando ao fim a era dos rentistas – aquela em que os investidores podiam viver de renda sem correr riscos e sem precisar pensar muito antes de investir.

Agora, o investidor que está pensando na aposentadoria deve ficar atento à ampla diversidade de investimentos que existe no mercado. É assim que ele vai conseguir identificar oportunidades e maximizar as chances de conseguir uma aposentadoria tranquila.

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