Tesouro Direto rendeu 10 vezes mais que a Bolsa nos últimos 10 anos

Tesouro Direto rendeu 10 vezes mais que a Bolsa nos últimos 10 anos

Sílvio Guedes Crespo

17 Outubro 2017 | 05h00

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A ideia de que a Bolsa de Valores a longo prazo rende mais do que investimentos de renda fixa é relativa. Depende de qual período você está considerando como “longo prazo”.

O Ibovespa é o índice que reúne as ações mais negociadas da Bolsa brasileira. Nos últimos dez anos, ele  subiu 24,6%. Se descontarmos o Imposto de Renda, o ganho de quem investiu nesses papéis foi de 20,9%.

Já a rentabilidade do Tesouro Direto acumulada no mesmo período foi de 209,5%. Esse percentual já desconta o IR e a taxa obrigatória cobrada pela B3 (antiga Bovespa). O título do Tesouro Direto considerado neste exemplo foi o Tesouro IPCA+ com vencimento em 2024 (antigamente chamado de NTN-B Principal 2024).


Dito de outra forma, quem investiu R$ 1.000 nas ações mais negociadas da Bolsa em outubro de 2007 teve um ganho de R$ 209. Já quem aplicou a mesma quantia nesse título do Tesouro teve um ganho de R$ 2.095, ou seja, cerca de 10 vezes mais.

Esta informação é importante para quem está investindo na Bolsa e pensa em resgatar o dinheiro daqui a 10 anos.

Veja, não quer dizer que nos próximos 10 anos a Bolsa vai repetir este exato comportamento. Também não quer dizer que você não possa escolher especificamente ações que rendem mais do que o Ibovespa. Também não estou desencorajando você a investir em ações, caso este seja o seu objetivo.

Estou somente alertando para o fato de que nem sempre, em um período de 10 anos, a renda variável vai superar as aplicações de renda fixa.

No caso deste exemplo, o que ocorreu foi que, em 2007, a Bolsa estava em um momento de bastante otimismo. O Ibovespa estava em sua máxima histórica no momento. Depois, veio a crise financeira internacional em setembro de 2008 e derrubou o mercado de ações.

O gráfico abaixo, extraído do Google Finance, ilustra bem isso.

Ibovespa em 10 anos: 2007 a 2017

O gráfico mostra a evolução do Ibovespa e começa em outubro de 2007. Pouco depois, em 2008, ele tem um pico, e em seguida uma queda violenta.

Houve então uma recuperação, de modo que no final de 2009 o índice já estava de novo próximo de sua máxima histórica. Mas a partir de 2011 nota-se uma trajetória predominantemente de queda, até o início de 2016.

A partir de janeiro de 2016, temos claramente uma tendência de forte alta até hoje. Se olharmos para o final do gráfico, veremos que novamente a Bolsa está em sua máxima histórica.

Mais uma vez: não estou querendo dizer que a história vai se repetir, nem que teremos uma queda abrupta em breve só porque estamos novamente em um cenário de otimismo. Apenas alerto para a importância de as pessoas diversificarem suas carteiras de investimentos e não concentrarem apenas nos ativos que “estão rendendo mais”.

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