A atração dos cosméticos veganos e orgânicos
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A atração dos cosméticos veganos e orgânicos

Apelo de serem produtos saudáveis seduz empreendedores e clientes; pesquisa mostra que mercado tem potencial de crescimento no Brasil

CRIS OLIVETTE

01 Abril 2018 | 08h20

Breno Bittencourt Jorge, fundador da Souvie. Foto: Cintia Barbi/Divulgação

Pesquisa realizada em 2017 pela consultoria americana Grand View Research aponta que até 2025 o segmento de cosméticos orgânicos deve movimentar US$ 25,1 bilhões no mundo. O estudo avaliou mais de 30 países e identificou os que apresentam mais potencial de crescimento, entre eles, o Brasil se destaca na América Latina.

Entre as empresas nacionais do segmento está a Souvie, certificada pela Ecocert Greenlife. “Dois produtos da nossa linha também já são certificados pelo selo SVB Vegano, da Sociedade Vegetariana Brasileira”, conta o CEO, Breno Bitencourtt Jorge.

Segundo ele, a ideia do negócio nasceu no fogão de sua casa, quando ele e Caroline Villar, sua sócia e ex-mulher, começaram a fazer sabonete caseiro. Na época, eles tinham empresa de táxi aéreo. “A Souvie nasceu com a proposta de voltarmos a consumir o que faz bem à saúde, em detrimento da beleza plastificada que temos como padrão hoje em dia.”

Resposta a questionamentos

A produção artesanal de sabonetes virou uma saboaria e, a partir dela, começaram a produzir cosméticos. “A proposta orgânica/vegana veio como resposta aos questionamentos que passamos a fazer e do desejo de não agredir a natureza.”

O projeto começou em 2009, mas o lançamento foi há três anos. “Começamos com oito produtos. Hoje, são mais de 20 e até o final do ano serão 46. Trabalhamos com três linhas: uma para gestante, outra para recém-nascidos e uma linha geral.”

A operação iniciada com três pessoas agora tem 20 funcionários. “Construímos uma fábrica bem tecnológica, ambientalmente responsável, para não haver excesso de mão de obra. Nada do que fazemos é por acaso.”

Até o momento, foram investidos R$ 30 milhões para erguer a fábrica do zero, para o plantio de espécies – que ocorre na fazenda de orgânicos pertencente ao pai do empreendedor –, na montagem de estrutura para extração de óleos essenciais, além de investimento em pesquisa e desenvolvimento, para ajustar as fórmulas. “A previsão de retorno é de dez anos”, conta.

Maternidade e consciência

Patricia Lima, fundadora da Simple Organic. Foto: João Paulo Santos/Divulgação

Quando a fundadora da Simple Organic, Patrícia Lima, se tornou mãe, passou a repensar seu estilo de vida. “Sou publicitária e atendia o mercado de moda. Fazia muitos catálogos e além de gerar grande volume de descarte, incentivava o consumo. Quando minha filha nasceu, me questionei se queria continuar participando desse sistema, e qual legado deixaria para a geração dela”, conta.

Enquanto amamentava a filha, percebeu que a criança colocava a mão em seu rosto e levava à boca. “Parei de usar maquiagem sintética e acabei descobrindo a beleza natural orgânica e vegana. A criação do negócio foi uma junção disso tudo.”

A linha de cosméticos desenvolvida por ela foi inspirada em marcas da Califórnia. “Elas são pautadas pela verdade, porque entendem que a natureza nos dá o melhor e é possível produzir de forma sustentável”, diz.

Tempo de desenvolvimento

Patricia conta que levou três anos para desenvolver o negócio. A marca foi lançada em 16 de março de 2017, com 15 mil produtos no estoque. “Achamos que esse volume seria suficiente para seis meses, mas vendemos tudo em 45 dias. Ficamos sem estoque por mais de um mês”, recorda.

A empresária diz que dobra o volume de produção a cada novo lote. “Estamos conscientizando os consumidores de que o processo de produção é slow, tem certificação, tem matéria-prima rastreada. O fato de não usar matéria-prima de origem animal restringe o número de fornecedores.”

Hoje, a Simple Organic tem 60 produtos para maquiagem e um time com 30 pessoas. “Tudo o que projetamos para ocorrer em três ou cinco anos, aconteceu no primeiro ano. Tínhamos plano de lançar franquia após três anos, mas vamos iniciar no segundo semestre. A maior preocupação é encontrar pessoas com perfil adequado, não quero franqueado preocupado só com o dinheiro.”

A empresária investiu R$ 1,5 milhão no lançamento. “O valor foi recuperado em seis meses, tempo que também não era o esperado. Estamos reinvestindo tudo na operação.” Para ficar perto da produção, que era terceirizada, o marido de Patrícia se associou à fabricante Labpyto, que é certificada pela Ecocert Greenlife e possui laboratório na Itália. “Ele investiu em máquinas para ser possível aumentar a nossa produção.”

Nicho é desafio e oportunidade

Investir em um segmento novo e específico, como é o de cosméticos veganos, pode ser ao mesmo tempo um desafio e uma oportunidade. Para o consultor de negócios do Sebrae-SP, Rodrigo Smorigo, a maior dificuldade está na comunicação do empreendimento.

“A partir do momento que você intitula seu negócio como vegano, há uma série de implicações”, afirma. Segundo ele, o público tem uma filosofia e estilo de vida que precisam ser levados em consideração. “Tem de prestar atenção em como você vai divulgar seu produto, fazer a embalagem e posicioná-lo no mercado.”

O lado bom, porém, está concentrado na escassez. “O cliente não vê problema em pagar mais quando sabe que o produto é diferenciado”, diz. Para Smorigo, mercados novos permitem que o empreendedor coloque valor no seu produto com maior facilidade. / Colaborou Matheus Riga – Especial para o Estado

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