Aurum adota cultura do Vale do Silício para se consolidar
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Aurum adota cultura do Vale do Silício para se consolidar

Redação

19 Junho 2017 | 06h56

O casal Antonio Gerassi Neto e Sônia Tuyama, sócios da desenvolvedora de software de gestão para advogados Aurum. Foto: Caio Cezar /Aurum/ Divulgação

Como muitos brasileiros, Antonio Gerassi Neto criou um negócio muito mais com a ideia de vender seus conhecimentos e mão de obra do que de ser um empreendedor.
Um ano após se formar pelo conceituado Instituto de Tecnologia da Aeronáutica (ITA) em tecnologia da computação, fundou uma empresa de software com dois colegas de faculdade. O primeiro projeto foi para um tradicional escritório de advocacia paulistano, que atuava na área trabalhista.
De acordo com Neto, como ele é chamado, o negócio não deu certo. Mas ele não desistiu desse mercado. Em 1993, em São Paulo, abriu a Aurum com dois outros colegas. Posteriormente, Sônia Tuyama, outra colega de faculdade, se juntou a eles. O trabalho aproximou Sônia e Neto, que começaram a namorar e, depois, casaram. “Na época, trabalhávamos com serviços, desenvolvíamos software sob medida para empresas, de maneira geral”, conta ele, referindo-se às atividades da empresa.
Com o tempo, perceberam que seria mais interessante terem um produto próprio para terem escala, diz Sonia, que foi a responsável pelo desenvolvimento do software para bancas de advogados. “Em 1996, começamos a vender o Themis. E continuamos assim: eu prestando serviços e a Sonia tocando o produto. Isso foi bom, porque foi uma maneira de nos financiarmos”, conta Neto.
Os outros dois sócios deixaram a empresa em 1998 e 1999. No ano 2000, a Aurum lançou o segundo produto – uma versão mais avançada do primeiro –, que começou a “ganhar tração”, nas palavras de Neto, em 2001 e 2002. Com os negócios melhorando, em 2005, o empresário, então trabalhando como administrador de banco de dados certificado, volta a se dedicar a Aurum e convida dois colegas do ramo para serem sócios da empresa.
“Em 2006, a empresa começa realmente a bombar, a funcionar bem, com todo mundo trabalhando na mesma direção. Estruturamos melhor o departamento comercial. O crescimento nessa época, de 2006 para 2007, chegou a ser 50%, era bem insano, indo de R$ 1,1 milhão para R$ 1,7 milhão”, recorda Neto.
Com a experiência que havia adquirido no desenvolvimento de produtos, posteriormente, Sônia sentiu necessidade de se informar como eram os departamentos dessa área em outras companhias. Um amigo recomendou livros, incluindo os de personalidades do Vale do Silício. Foi amor à primeira vista: Sonia e Neto descobriram um novo mundo. E a partir daí seguiram um caminho para tornar a empresa ainda mais profissional – e eles, empreendedores de ponta.
“Ficamos encantados com aquilo tudo. Vimos, então, que estávamos muito voltados para nós mesmos, cuidando daquela loucura com clientes, a empresa crescendo muito. Esse foi o momento em que olhamos um pouco para fora, para ver o que as pessoas estavam fazendo”, conta a engenheira.
“Foi uma fase de muito estudo, de muita consultoria. Foi o momento em que trouxemos consultores para treinar a equipe, em metodologia ágeis”, acrescenta. Entre as ferramentas que passaram a ser adotadas estão o design thinking, método para encontrar soluções inovadoras aos problemas, e Scrum, metodologia ágil para gestão e planejamento de projetos de software. Há ainda a aplicação do OKR (objectives and key results). Criada pela Intel e é utilizada por Twitter, LinkedIn e Dropbox, contribui na definição e acompanhamento de metas. Outra abordagem que está na rotina da Aurum é o GTD (getting things done), metodologia da produtividade.
Na época em que se voltaram para fora, os sócios também viram a possibilidade de fazer software na nuvem. A decisão de desenvolvê-lo veio em 2010. E com ela, um passo ousado: influenciados pela cultura do Vale do Silício, montaram uma nova operação, a Astrea, em Florianópolis, para desenvolver o produto num esquema de startup.
A continuidade da operação em São Paulo financiou essa empreitada na capital catarinense. Mais do que uma simples mudança de cidade, a empresa incorporou de vez a cultura e os conceitos de gestão disseminados pelas companhias do Vale do Silício.
“Como nós passamos a ter muito contato com o ecossistema do Vale do Silício, acabamos sendo polinizados pelas práticas deles. Algo como ter uma gestão mais horizontal e por objetivos”, diz Neto. “E muito apoiada em números, pesquisas”, acrescenta Sonia.
Em 2015, a Astrea (nome também do novo produto, para nuvem), começou a ficar grande e a haver duplicidade de funções. Os sócios decidiram, então, reunificar as empresas. Só que agora também era necessário modular a cultura da empresa. “A Aurum estava com uma cultura um pouco mais tradicional e nós vínhamos com uma pegada mais Vale do Silício, mais moderna”, diz Neto.
“E aí passamos a redefinir o código de cultura. É preciso ter um direcionamento claro, para onde todo mundo está indo”, diz Sonia. E, a julgar pelos números apresentados, a estratégia deu certo. Segundo Neto, em 2015, a empresa faturou R$ 8 milhões, R$ 10 milhões em 2016 e pretende chegar a R$ 12,5 milhões neste ano. “No ano que vem, imaginamos chegar a R$ 18 milhões. Para isso, estamos numa pegada de aquisição forte e o marketing está bem agressivo.” / C.M.