Clubes de assinatura crescem na internet
As informações e opinões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Clubes de assinatura crescem na internet

Produtos dos mais diversos segmentos, como lanches saudáveis, são entregues na casa dos clientes mediante pagamento de mensalidade

CRIS OLIVETTE

01 Novembro 2015 | 07h00

Pedro Prellwits( de vermelho) e Lucas Amoroso de Lima, implantaram clube de assintura há três meses no e-commerce Men's Market, criado em 2012

Há três meses, Pedro Prellwits( de vermelho) e Lucas Amoroso de Lima, implantaram clube de assinatura no e-commerce Men’s Market, criado em 2012

Cervejas, produtos veganos, lanches saudáveis, itens de moda e beleza masculina e até lavanderia são exemplos de produtos e serviços oferecidos por clubes de assinatura. O modelo privilegia a conveniência e comodidade do cliente. Em contrapartida, gera receita recorrente ao empreendimento.
Conforme a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm), 40% das lojas virtuais terão algum tipo de serviço por assinatura até o final de 2015. Confirmando o prognóstico, a loja virtual Men’s Market, no mercado desde 2012, lançou há três meses um clube de assinatura. Lucas Amoroso, um dos sócios, diz que o modelo é um pouco diferente dos demais.
“Pegamos exemplos internacionais e adaptamos ao nosso serviço. Por R$ 50 mensais o cliente tem acesso a R$ 70 em compra, frete grátis e descontos exclusivos”, conta.
De acordo com Amoroso, se o assinante não usa o seu crédito até o final do mês, a marca manda uma caixa surpresa, dando a ele a oportunidade de conhecer novos produtos. “Estamos com três mil assinantes e desejamos terminar 2016 com 20 mil.”
Outros negócios já nascem com o formato de clube de assinatura. É o caso do Massau, de snacks saudáveis. Criada no final de 2014, a marca envia remessas semanais com cinco pacotes contendo, por exemplo, mix de castanhas ou creme de fruta, por R$ 97,90 ao mês.

(a partir da esq.) Rodrigo Pedroni, Sérgio Sayeg e Leonardo Feitosa são  sócios no MASSAU, a revolução dos snacks

(a partir da esq.) Rodrigo Pedroni, Sérgio Sayeg e Leonardo Feitosa, sócios no MASSAU

Leonardo Feitosa, um dos sócios, diz que o negócio aliou o saudável e a praticidade. “Em cinco anos, o mercado de comida saudável cresceu 98% no Brasil. E o número de pessoas que consomem alimentos fora de casa não para de crescer. Nossas embalagens têm a porção ideal para a pessoa consumir na hora do lanche”, afirma.
Segundo ele, o clube ajuda a fidelizar o cliente e reduz o custo com marketing. “Temos uma nutricionista que avalia as receitas que criamos e nos dá sugestões até o produto ficar muito gostoso e saudável.” Ele espera fechar o próximo ano com três mil assinantes.
Um dos quatro sócios do Clubeer, Alexandre Bratt conta que o clube de assinatura de cervejas artesanais foi lançado em 2011. “Trabalhávamos em grandes cervejarias e, muitas vezes, provamos rótulos desconhecidos e constatamos que o produto era péssimo. Foi assim que enxergamos uma oportunidade de ajudar as pessoas a beber melhor, e criamos o clube.”
Bratt afirma que o Clubeer faz trabalho de curadoria. “Hoje, de dez cervejas que degustamos, oito não têm a qualidade necessária para ser enviada aos sócios. Degustamos, propomos harmonizações e fazemos descrição técnica das cervejas para melhorar a relação do cliente com o produto.”
A remessa de quatro garrafas diferentes por mês custa R$ 78,90. “Em quatro anos de operação, nunca repetimos os rótulos. Temos pacotes maiores e de cervejas mais especiais, a remessa com duas garrafas de 750ml custa R$ 118 por mês”.

Alexandre Bratt, do Cubeer

Alexandre Bratt, do Clubeer

Segundo ele, no Brasil circulam mais de dois mil rótulos. Para atender os assinantes que desejam repetir determinado rótulo, a marca criou loja virtual que está com 200 rótulos. “Quem não é associado pode comprar, mas não tem o desconto concedido ao associado.”
Bratt diz que o negócio cresce na casa de dois dígitos todos os meses, mesmo com a crise. “Temos mais de dez mil assinantes e meta de dobrar em 2016.”
Pensando no público vegano, que não consome alimentos de origem animal e nem produtos testados em animais, Samyra Cunha e dois sócios criaram a Veggiebox a partir de financiamento coletivo pela internet. “Vimos um potencial muito grande no segmento e arrecadamos R$ 18 mil para estruturar a empresa.”
O negócio foi lançado no início de 2015. “Até agora, as maiores demandas vêm de São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, mas atendemos clientes até no Amazonas e Tocantins.”
Samyra afirma que os veganos tinham dificuldade de encontrar cosméticos e produtos de higiene pessoal. “Quando encontravam, o preço era absurdo. Nosso assinante pode optar pelo plano mensal (R$ 89,90) ou trimestral (R$ 239,90) para receber de quatro a sete produtos de higiene.”

Samyra Cunha, uma das sócias do Veggiebox, negócio que foi estruturado a partir de financiamento coletivo

Samyra Cunha, uma das sócias do Veggiebox, negócio que foi estruturado a partir de financiamento coletivo

Já a caixa de alimentos contém de seis a nove itens. A assinatura mensal custa R$ 59,95 e a trimestral R$ 169,90. Ela espera atingir mil assinantes no box de beleza e 600 no de alimentos até o final do ano. “Esperamos faturar R$ 500 mil em 2015 e R$ 1 milhão no ano que vem.”

Planos mensais para lavar roupa

A ideia de criar um serviço de lavanderia por assinatura surgiu quando os fundadores da aLavadeira.com compararam o custo da lavagem de roupas nos Estados Unidos com o do Brasil. “Vimos que lá é muito mais barato, o que nos levou a crer que havia oportunidade de ganhar escala e, dessa forma, reduzir o custo”, diz Gilson Gonçalves, um dos sócios.
Outro fator que influenciou na decisão foi a redução da disponibilidade de funcionária doméstica. “Essa mão de obra está com os dias contados. Por isso, criamos uma empresa que cuida de todas as roupas da casa, não apenas de camisa social, vestido e terno. Oferecer o serviço por assinatura foi uma decisão natural, por ser uma demanda recorrente.”
Gonçalves afirma que entrega comodidade total aos clientes. “Ao escolher o plano mensal que melhor atende a necessidade da pessoa, ela não precisa se preocupar com mais nada, a não ser aguardar os dias de retirada e entrega, que ocorrem duas vezes por semana.”
Segundo ele, o custo depende do tipo de plano. “Temos desde plano de R$ 79 por mês só para lavar camisas até plano para famílias com quatro pessoas, que custa R$ 475. No meio disso, o cliente pode customizar o plano como preferir.”

Gilson Gonçalves, fundador da aLavadeira.com

Gilson Gonçalves, fundador da aLavadeira.com

O empresário conta que cada peça é monitorada individualmente por uma pequena etiqueta com código de barras, colocada em cada peça. “Pelo código de barras acessamos a identificação do cliente. Com essa etiqueta é possível monitorar individualmente cada peça.”
Gonçalves diz que o negócio criado em 2013 vem conseguindo ter ótimo crescimento. “Lavamos mais de duas mil peças por dia, o que representa 25 vezes o volume de uma lavanderia tradicional, sendo que de 2014 para 2015 crescemos 300%.”
aLavadeira.com recebeu aporte para investir em tecnologia. A meta é fechar 2016 atendendo dez mil famílias. “A partir do ano que vem ocuparemos novo local com 3,5mil m² e capacidade para atender 30 mil famílias.” O centro de cuidado têxtil, como ele chama o local, irá gerar 400 postos de trabalho.
“Temos um viés muito forte de sustentabilidade. Na nova unidade economizaremos até 90% de água na comparação com a máquina doméstica. Também teremos sistema de captação de água de chuva e de tratamento de efluentes.”

 

Demanda por plataformas faz empresas criarem novo produto

Diretor e sócio da Sanders Estratégia Digital, Raphael Ferrari afirma que a procura por este tipo de plataforma vem aumentado a cada dia, em razão da comodidade, praticidade e previsibilidade da despesa. “Isso também se deve à mudança no comportamento do e-consumidor, que está mais maduro e com mais confiança no mercado digital para absorver este serviço.”

Raphael Ferrari, um dos sócios da Sanders Digital

Raphael Ferrari, um dos sócios da Sanders Digital

Ferrari acredita que cada vez mais os consumidores entendem que a recorrência é um serviço que traz benefícios claros de reposição de produtos. “O lojista, por outro lado, começa a enxergar que um e-commerce só é sustentável se o cliente volta a comprar com ele. Com o modelo de assinatura, é possível garantir que isso aconteça de forma natural.”
Segundo ele, a ferramenta de recorrência tem peculiaridades diferentes das plataformas de e-commerce. “Em vez de simplesmente baixar um pedido, a recorrência firma um contrato com uma quantidade preestabelecida de meses e uma data combinada de entrega e cobrança. Finalizado o contrato, o cliente pode renová-lo.”
Na Betalabs, empresa que até 2014 só oferecia sistemas de gestão (ERP) e plataforma de e-commerce, a demanda por ferramenta voltada a clube de assinatura também cresceu, fazendo surgir novo produto. “Nossa plataforma automatiza uma série de processos e até permite, em alguns casos, que o empreendedor comece o clube e vá testando o modelo enquanto mantém o emprego”, afirma Luan Gabellini, um dos sócios.
O empresário diz que pela natureza do processo de compra, o clube demanda um controle maior, para que o empreendedor não faça confusão. “Se ele falhar e se atrapalhar com a entrega, será fatal. O clube gera um relacionamento de longo prazo, mas o consumidor precisa estar o mais satisfeito possível, caso contrário, cancela a assinatura. Como muitos clubes vendem produtos considerados supérfluos, para o cliente cancelar é muito simples.”

Lucas Gambellini, da Betalabs

Luan Gambellini, da Betalabs

Gabellini ressalta que é bom lembrar que a conversão de um clube de assinatura tende a ser um pouco menor do que a de um e-commerce. “É uma compra um pouco mais racional por ser um compromisso de longo prazo”, explica.
Segundo ele, além da questão da conveniência que é muito importante, a proposta de muitos clubes é oferecer uma experiência interessante. Para ele, o interesse por esse modelo de negócio cresceu muito, justamente porque os empreendedores enxergam no clube de assinatura uma maneira de conseguir receita recorrente no varejo. “Muitos clubes também têm loja e oferecem desconto para assinantes que compram nela, mas também vendem para o público em geral.”
A Betalabs espera fechar 2016 com cerca de 30 clientes trabalhando com essa modalidade. “Como tudo isso funciona em cloud computing, o empresário não precisa ter servidor, nem contratar infraestrutura. Ele nos paga uma mensalidade não só pelo suporte que oferecemos, mas também pela manutenção e por hospedarmos e guardarmos informações dos clientes na nuvem.”
O empresário recebe login e senha e pode gerenciar o clube de qualquer computador com acesso à internet. O custo da plataforma parte de R$ 35 mil e a mensalidade é de R$ 1 mil.

 

0 Comentários