Clubes de assinatura estão em ascensão e diversificam ofertas
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Clubes de assinatura estão em ascensão e diversificam ofertas

A segurança por parte dos consumidores de que modelo funciona cria ambiente propicio para o lançamento de novos negócios

CRIS OLIVETTE

19 Fevereiro 2017 | 07h00

Lúcio Rodrigues, fundador do Meus Dinks

Lúcio Rodrigues, fundador do Meus Dinks

A falta frequente de algum ingrediente na hora de preparar drinques foi o ponto de partida para a construção do plano de negócio do clube de assinatura Meus Drinks.

“Gosto de fazer drinques, mas normalmente descobria que não tinha algum ingrediente na hora H. Imaginei, então, que isso devia ocorrer com outras pessoas e pensei em montar um kit completo para a produção de bebidas clássicas e contemporâneas. Optei pelo modelo de assinatura por ser recorrente”, diz Lúcio Rodrigues.

A fase pré-operacional começou em março de 2016 e desde agosto o clube está em atividade. “De lá para cá tomamos um susto. A demanda foi acima da expectativa. Em seis meses conquistamos 600 assinantes. A projeção inicial era fecharmos 2017 com mil assinaturas. Agora, acho que poderemos superar essa marca”, estima.


De acordo com ele, o box custa R$ 79 por mês, mais o frete. “Mandamos os ingredientes e miniaturas de garrafas suficientes para o preparo de três doses, além de copo ou taça adequados. Junto, enviamos um encarte com a história do drinque e a receita”, conta.

Rodrigues divulga a marca nas mídias sociais e tem parceria com a página Drinkeros, no Facebook. “Eles têm mais de dois milhões de seguidores e publicam todos os dias um drinque diferente. A primeira divulgação que fizeram da nossa marca rendeu 4,2 mil acessos em três horas. Eles recebem comissão das vendas que fazemos por meio da página.”

No segundo semestre, a marca planeja lançar box com acessórios para bar. “Muita gente gosta de preparar drinque mas não têm os instrumentos.”

Sócia-diretora da Vecchi Ancona – Inteligência Estratégica, Ana Vecchi afirma que o leque de produtos vendidos por clubes de assinatura tem aumentado muito. “Isso ocorre pela percepção de valor na relação que promove qualidade dos produtos, comodidade e que fideliza mais e mais clientes à medida que os clubes entregam o que prometem”, diz.

Ana Vecchi

Ana Vecchi

Ana ressalta que hoje pode parecer engraçado falar ‘eles entregam mesmo!’. “Mas há poucos anos o consumidor brasileiro desconfiava se os produtos seriam entregues ou se era golpe. Uma vez comprovada a segurança e a honestidade, além de logística eficaz, esse modelo de negócio vem aumentando.”

A especialista diz que antes de montar um negócio nesse segmento, é fundamental identificar a necessidade constante do produto oferecido no dia a dia dos consumidores, além de monitorar o momento de vida deles e identificar possíveis mudanças de perfil. “Usar a ferramenta de marketing Database (usada para a segmentação de grupos de consumidores por meio da análise do seu perfil e do desenvolvimento de ações dirigidas) é fundamental para tal acompanhamento e para surpreender clientes já conquistados.”

Ana destaca que entre as vantagens do modelo estão: controle financeiro e previsão dos lucros, receita linear, despesas operacionais e custos inferiores aos praticados por pontos de venda físicos.
Viciada nesse tipo de compra desde 2015, Karen Guimarães assina cosméticos, itens esportivos, produtos para os cabelos e para o seu pet. “Sou vidrada nisso. Quando conheci o modelo achei a ideia genial, porque é sempre uma surpresa. Fico ansiosa esperando as caixas pois são produtos escolhidos por especialistas. Além disso, o custo benefício é muito grande. Se fosse comprar fora gastaria mais”, salienta.

A consumidora virou empreendedora no início de 2016, quando fundou o My Hot Sex Box. A ideia surgiu durante seu chá de lingerie.

Karen Guimarães

Karen Guimarães

“O chá foi muito divertido. Chamei uma palestrante que nos contou que muitas pessoas têm vergonha de entrar em loja de itens eróticos e também não sabem usar os produtos. Criei o negócio para fazer a curadoria dos produtos e dar dicas de uso. Esse é o nosso diferencial, mantenho contato próximo com as clientes”, afirma.

Segundo ela, o box contém de quatro a seis itens e custa R$ 74,90 por mês, com frete grátis para todo o Brasil. “Pretendo montar outra opção de kit e incluir livros, lingeries mais sofisticadas e camisolas sensuais. Espero lançar esse novo box em abril. Estimo que o custo será R$120”, conta.

Até o momento, My Hot Sex Box tem 180 assinantes. Inspirada no filme 50 Tons Mais Escuros, Karen montou caixa especial com itens usados no filme.

O ano passado também foi ponto de partida do My Sport Box. “Meus sócios e eu somos atletas amadores e tivemos a ideia do clube, porque só havia no mercado lojas de suplementos e e-commerce, nada que oferecesse um pacote completo. Ao comprar um suplemento pela internet, a pessoa tinha de adquirir a caixa inteira. Nossa proposta é aliar experimentação de produtos novos em menor quantidade à comodidade”, conta Henrique Shimauti.

Segundo ele, a opção pelo modelo online de assinatura ocorreu por estar tendo grande crescimento no Brasil. Os produtos incluídos no box mensal são divididos em cinco categorias: alimentos, suplementos, vestuário, acessórios e fármacos/higiene. O box custa R$ 69,90, mais o valor do frete.

O empresário diz que a expectativa de crescimento para este ano é muito boa. “Percebemos que já estamos tendo um aumento grande de interessados porque aumentamos a divulgação. Esperamos dobrar o número de assinantes até o final do ano”, afirma. Quem assina o My Sport Box acessa área restrita do site da marca que oferece treinos de corrida e musculação, e-books, dicas de alimentação e cartilhas com receitas.

André Dellantonia (à esq.) e Henrique Shimauti

André Dellantonia (à esq.) e Henrique Shimauti

Economia compartilhada é a proposta do complexo de negócios criados por Wolf Menke na região de Pinheiros e batizados de House of All. Entre eles, a House of Bubbles inclui loja de roupas que opera como clube de assinatura e uma lavanderia self service. Gerente do complexo, Rebecca Dias conta que recebe roupas de marcas pouco acessíveis ao público em geral, mas com o compartilhamento é possível usá-las. “Com o clube de assinatura elas estão ao alcance das clientes que pagam a partir de 50 por mês.”

Entre as marcas estão Nike, Trendt, Environ Mind, Cem Freio e Além. A gerente diz que a loja opera desde agosto de 2016, possui 250 peças e perto de 60 assinantes. A House of Bubbles tem três planos: o de R$ 50 dá direito a pegar uma peça por vez, o de R$ 100 permite retirar três peças por vez e o de R$ 150 a retirada é de seis peças por vez. As assinantes podem ficar até dez dias úteis com cada peça.

NEGÓCIO CRESCE 20% AO MÊS COM LIVRO INFANTIL

Além de serem amigos e engenheiros da computação, Luiz Castilho, Rodolfo Reis e Guilherme Martins viraram pais na mesma época.

“Conversando sobre a paternidade, descobrimos que o que mais gostávamos de fazer era ler para as crianças. E nós três tínhamos dificuldade de encontrar publicações com conteúdos mais assertivos. Nessa hora, percebemos que havia uma oportunidade nesse segmento”, conta Reis.

Os fundadores da Leiturinha, Luiz Castilho (à esq.), Rodolfo Reis e  Guilherme Martins

Os fundadores da Leiturinha, Luiz Castilho (à esq.), Rodolfo Reis e Guilherme Martins

Depois de estudar o mercado, os sócios concluíram que o modelo clube de assinatura era o que mais fazia sentido por ser recorrente. “Como estratégia de negócio esse formato é bem interessante, por criar relacionamento de longo prazo com a nossa base e também como forma de contemplar nosso objetivo principal que é o de estabelecer o hábito de leitura.”

Reis conta que no começo eles imaginaram que o maior público do Leiturinha seria das capitais. “Hoje, as capitais do sudeste representam 1/3 da base de assinantes. Ao mesmo tempo, existe uma carência muito grande de livrarias no Brasil. Tirando o sudeste, praticamente não existem boas livrarias nas cidades. Isso foi muito oportuno para nós, porque estamos conseguindo fazer com que as pessoas tenham acesso às melhores publicações e a uma grande quantidade de editoras.”

Crianças de zero a dez anos formam o público-alvo. “Crescemos muito com foco na construção da marca e mostrando quais são os benefícios para as crianças e para o relacionamento familiar proporcionados pelo hábito da leitura.”

Segundo ele, quando essa proposta começou a fazer sentido para as famílias, eles passaram a investir em mídia digital. “Depois de alcançar certo volume de assinaturas, passamos a fazer propaganda na televisão, no canal Discovery Kids.”

Fundado em maio de 2014, a empresa fechou o primeiro ano com mil assinantes. “Terminamos 2015 com oito mil assinaturas. No final de 2016 já eram quase 20 mil. Agora, em fevereiro de 2017 alcançamos 30 mil. Estamos com um ritmo de crescimento muito forte, cerca de 20% ao mês. A expectativa é de fecharmos o ano com 150 mil assinantes ”, afirma.

Reis acredita que Leiturinha está entre os maiores compradores de livros infantis do Brasil. “Compramos entre 50 mil e 60 mil livros por mês.”

Todo esse material é enviado para clientes distribuídos em mais de 3,5 mil cidades do País. “Temos dois planos de assinatura. O pacote mensal com um livro custa R$ 34,90 e com dois livros R$ 54,90. Como compramos em grande volume, o preço na livraria é igual ou maior do que os de nossos kits.”

Segundo ele, os kits incluem material pedagógico voltado para os pais, explicando o motivo por terem selecionado aquela obra, o que é possível trabalhar com aquele conteúdo e dicas sobre a leitura, para tornar esse momento agradável. “Também mandamos mimos para as crianças como marcadores de página, livro para colorir, cartela de adesivos, jogos pedagógicos etc.”

Os sócios pretendem internacionalizar a marca e atender comunidades de brasileiros fora do País. “Também iniciamos projeto para criar marca semelhante nos Estados Unidos, fazendo curadoria de livros infantis americanos.”