‘É necessário trabalhar muito e bem’
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‘É necessário trabalhar muito e bem’

Empresária lembra que negócios são abertos todos os dias, por isso é preciso ‘ter um diferencial’: ela investe na qualidade do serviço

Claudio Marques

07 Agosto 2017 | 07h30

Lilian Esteves. Foto: Daniela Colossi/Divulgação

Plínio Aguiar
ESPECIAL PARA O ESTADO
Diretora executiva da maior rede de franchising de limpeza do País, a House Shine, que possui mais 130 unidades e tem receita estimada de R$ 45 milhões até o final do ano, Lilian Esteves lembra que, em 2011, uma demanda pessoal motivou a vontade de trazer a marca para o Brasil.

Separada e com filho pequeno, tinha uma necessidade “gigantesca” de encontrar alguém em quem pudesse confiar para fazer os serviços domésticos da casa. Lembrou que se houvesse um serviço como da House Shine no Brasil, seria uma “mão na roda”. Ela percebeu, então, o potencial do empreendimento no mercado brasileiro.

Lilian entrou em contato com o português Cândido Mesquita, da holding Nbrand, dona da marca. Ela havia conhecido o empreendedor um ano antes, ao fazer estudos para ele, que pretendia implantar no Brasil a Ideal Reparos. “Era uma empresa que presta reparos, usando o famoso marido de aluguel como prestador de serviços.” A Nbrand acabou desistindo da franquia da Ideal, mas confiou no potencial do mercado local para a House Shine. Foi dessa maneira que Lilian, hoje com 36 anos, se tornou a master franqueadora da marca no Brasil.

Logo depois de fechar o negócio, começou o processo de adaptação do negócio para o mercado local. Em julho de 2012, lançou a primeira franquia no País, em São Paulo. A empresa oferece serviços de limpeza residencial e de salas comerciais, limpezas após a conclusão de obras e antes de mudanças, além de impermeabilização e limpeza de sofás.

À frente do negócio, Lilian aplicou todo o conhecimento que havia adquirido em dez anos de trabalho na área de franquia. Como colaboradora da Fabrica3, empresa que atua na construção de negócios, desenvolvimento de projetos de formatação para companhias que querem criar e/ou potencializar os canais de distribuição, por meio do sistema de franquias, licenças, concessionárias, entre outros.

“Eu trabalhei fazendo a administração de duas marcas. Eu fiz o processo de expansão delas para o interior e capitais fora de São Paulo”, conta. A outra empresa para a qual Lilian prestou serviços foi a Global Franchise. “Era uma empresa que tinha a base fora do Brasil, mas que queria se instalar por aqui.”

Mesmo com toda expertise adquirida, Lilian admite que a aprovação da PEC das Domésticas, um ano depois da implantação da House Shine, contribuiu para expandir o negócio.

Tamanho. “Faturamos mais de R$ 30 milhões em 2016”, conta. Atualmente, são 130 unidades em várias regiões do Brasil e, de acordo com a empresária, até o final do ano serão abertas mais oito franquias.

O investimento para ter uma House Shine é, segundo Lilian, de R$ 50 mil. “Não é preciso ter um ponto, apenas um escritório de administração, o que reduz e muito os custos.” De acordo com a jovem, o ganho mensal é de R$ 40 mil. Para contratar os serviços da empresa, o cliente paga a partir de R$ 250.

A House Shine emprega quase mil funcionários e tem cerca de 50 mil clientes. E o bom resultado obtido em seus cinco anos de atuação, diz a empresária, “é fruto de muito trabalho, de muito suor”.

Lilian, porém, acrescenta um outro ingrediente a sua receita de sucesso: a qualidade. “É preciso ter um diferencial, porque empresas são abertas todos os dias. É necessário trabalhar e trabalhar muito bem”, afirma.

Essa é uma lição que ela aprendeu desde muito cedo. Aos 14 anos de idade, passou a ajudar o pai no restaurante português da família, localizado no bairro da Lapa.

“Eu acordava bem cedo, ia trabalhar de madrugada e ficava até de noite”, recorda. Segundo a empresária, o fato de ter ajudado a servir clientes e de interagir diretamente com o público, “deu muita bagagem para entender o que o outro quer”.

Depois de quatro anos trabalhando com a família, decidiu crescer profissionalmente em outro ambiente. Deixou o restaurante do pai e começou a atuar no setor de atendimento de uma distribuidora de informática, onde ficou três anos. Nesse período, casou-se e aos 21 anos tornou-se mãe de Lucas. Depois, resolveu sair da distribuidora para se dedicar a família. Foi nessa fase que entrou para o ramo de franchising.