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Economia colaborativa compartilha lucro

Conceito está em expansão e gera receita para empreendedores que desenvolvem as plataformas e para quem presta os serviços

CRIS OLIVETTE

16 Julho 2017 | 07h42

Celso Misaki, Simone Utiyama e Luiz Miazato. Foto: Priscila Ferrari

O conceito da economia colaborativa ou compartilhada não para de atrair e inspirar novos empreendedores. A plataforma de delivery de comida LocalChef, de Celso Misaki, Simone Utiyama e Luiz Miazato, engrossa esse segmento desde maio do ano passado.

A mesma proposta é seguida pela prestadora de suporte técnico Nerd2.me, pela entregadora Eu Entrego e pela empresa de segurança digital TecVoz, que lançou a franqueadora Vigilância Solidária.

Misaki diz que a ideia foi da sócia. “Uma tia da Simone precisava juntar dinheiro para fazer cirurgia e um dos primos dela que é chef fez cotas de pão de queijo para vender pelo Whatsapp e Facebook, cobrando R$ 100 cada. A iniciativa viralizou e eles arrecadaram o dinheiro em 20 dias. Então, ela me propôs transformar a ideia em negócio, para ajudar chefs autônomos a vender online”, conta.


Com pouco mais de um ano de atividade, a LocalChef tem mais de 280 chefs da cidade de São Paulo inscritos. “Eles preenchem o cadastro, mandam fotos do local que utilizam para cozinhar e o tipo de comida que preparam.” Misaki e a sócia, que se dedicam integralmente ao negócio, avaliam se é oportuno ter o cardápio naquela área, ou se já existe oferta semelhante na mesma região.

“Também pesquisamos na internet se o chef já tem recomendação. Caso não tenha, pedimos um prato para avaliarmos. Os selecionados mandam fotos dos pratos e fazemos um texto contando a história dele e descrevendo o cardápio e ele passa a compor nossa rede de chefs.”

A plataforma ganham 15% de cada pedido entregue pelo chef e o gasto com frete é por conta de quem faz o pedido. “Ao entrar na plataforma, o cliente digita seu CEP e vê quais chefs estão disponíveis num raio de até 8 km. Trabalhamos muito com o conceito de ajudar a economia local”, diz.

Segundo ele, a atração dos chefs já se tornou orgânica. “Toda semana recebemos entre dez e 15 perfis de chefs para avaliarmos. A meta de até o final do ano ter 600 chefs está praticamente garantida. O desafio é aumentar o número de clientes.”

O empresário diz que a plataforma recebe entre 500 e 600 pedidos por mês e 29% das pessoas retornam com segundo pedido em menos de 30 dias. “Nosso tíquete médio é de R$ 95, porque as pessoas pedem mais pratos para consumir ao longo da semana ou para compartilhar com a família.” Misaki busca investimento para melhorar a experiência do usuário na plataforma, desenvolver um aplicativo e chegar em mais cidades.

José Alves Braga Neto. Foto: Brigitte Oliveira,

Outra plataforma colaborativa que nasceu para ajudar a aumentar a renda de profissionais que dominam o uso de equipamentos tecnológicos é a Nerd2.me, de José Alves Braga Neto. O negócio oferece suporte técnico, ou seja, os técnicos ensinam as pessoas a usarem todas as funcionalidades de seus equipamentos, tiram dúvidas e resolvem pequenos problemas.

“Passei uma temporada nos Estados Unidos e utilizei alguns serviços de suporte da AppleCare. Pensei em voltar ao Brasil e abrir um negócio similar, só que para atender todas as plataformas”, diz Braga Neto.

O fundador da Nerd2.me, que está em operação desde maio, afirma que o negócio cresce diariamente. “Hoje, a ferramenta reúne 232 técnicos. Nosso planejamento previa a realização de 20 atendimentos no primeiro mês e 1.400 no 12º mês de atividade. Mas estamos superando essa expectativa. Na metade do primeiro mês fizemos 20 atendimentos. Em junho foram 32. Agora, estamos fazendo investimentos em mídia para alavancar a demanda.”

CEO da Eu Entrego, João Paulo Camargo afirma que enxergou uma boa oportunidade de negócio na economia colaborativa, na qual as pessoas compartilham suas coisas para ganhar um extra. “Esse fenômeno está acontecendo no mundo todo, não é futuro, já é uma realidade irreversível”, avalia.

Segundo ele, o Uber está aí para provar isso. “Existem 14 milhões de desempregados no Brasil, o que torna possível montar uma rede imensa de pessoas do bem que estejam dispostas a fazer entregas. É um trabalho simples, que pode ser feito na rota habitual da pessoa, usando diferentes formas de deslocamento como carro, bike, a pé, caminhão, ônibus, metrô etc.”

Com foco em segurança, a TecVoz – Segurança Digital, também encontrou uma forma de aplicar o conceito colaborativo em seu negócio. Há três meses, lançou a franqueadora Vigilância Solidária, que consiste em um monitoramento colaborativo entre os moradores de um mesmo bairro em prol da segurança local.

“Por estar em atividade há vários anos, a TecVoz é bem conceituada no mercado de câmeras de segurança, e como o modelo de segurança colaborativa é uma grande novidade, a aceitação está sendo muito boa. Em três meses já comercializamos 100 unidades”, conta o gerente de negócios, Ricardo Luiz de Oliveira.

Ricardo Luiz de Oliveira. Foto: Rodrigo Santos Amaral

Segundo ele, a marca utiliza as câmeras de segurança instaladas nas residências e estabelecimentos comerciais que ficam voltadas para as ruas e lugares públicos. “Essas imagens são compartilhadas em nossa plataforma entre todos os moradores e comerciantes da região, para que um ajude a monitorar o outro. É um monitoramento compartilhado e colaborativo que pode ser feito pelo celular ou computador.”

Oliveira afirma que o custo do serviço é bem baixo, porque tendo uma única câmera o cliente consegue ter controle de todas as ruas do bairro. “O serviço funciona por assinatura mensal que custa R$ 49,90. O cliente tem acesso às imagens tanto ao vivo quanto gravadas, que ficam armazenadas na nuvem.” A franquia opera com dois modelos. O Home demanda investimento de R$ 15 mil e tem retorno previsto para 12 meses, e o Store sai por R$ 62 mil, requer loja física e tem retorno previsto para 18 meses.

Fundador e CEO da plataforma de entrega colaborativa Eu Entrego, lançada em maio de 2016, João Paulo Camargo estima que fechará este ano totalizando 800 mil entregas efetuadas. “Estamos com 20 mil pessoas/entregadores cadastrados e nossa base conta com sete mil clientes ativos”, diz.

Segundo ele, 80% do valor do serviço fica para o entregador e 20% vai para a plataforma. O pagamento é debitado no cartão de crédito cadastrado pelo cliente.

“Quando o cliente dispara a demanda, a ferramenta de geolocalização do aplicativo identifica quais entregadores estão na região. Nessa hora, os entregadores negociam o valor do frete com o cliente, que define quanto vai pagar pelo serviço. No final, o entregador é avaliado e recebe de uma a cinco estrelas”, diz Camargo.

João Paulo Camargo. Foto: Tiago Queiroz/Estadão

O idealizador da plataforma Nerd2.me que oferece serviço de suporte técnico para ensinar as pessoas a usarem aparelhos como notebook e iPhone, José Alves Braga Neto, também pretende inovar na forma de cobrar os serviços.

“No momento, estamos trabalhando com preço homem/hora, mas queremos chegar a um ponto em que o preço será definido por leilão. A grande virada disruptiva do negócio irá ocorrer nesse momento.”
Braga Neto conta que o nerd fica com 70% do valor pago pelo cliente e a plataforma com 30%.

Atualmente, 232 profissionais de TI estão cadastrados na plataforma que, inicialmente, está disponível apenas na cidade de São Paulo. Nossa ideia, porém, é expandir para outras capitais do País”, afirma.
Homens, na faixa dos 35 anos, são os que mais procuram o serviço com foco em notebook. “Mas já atendemos um senhor de 89 anos que ganhou um smartphone e queria aprender a usar WhatsApp, Instagram, Facebook, entre outros aplicativos”, conta.

Na Eu entrego, o foco principal são as lojas virtuais. “Temos uma integração oficial com o Mercado Livre. Todos os lojistas que comercializam na plataforma usam nossa rede para fazer as entregas. Tanto a Juliana Flores quanto a Flores Online utilizam nossa rede pela necessidade de que a entrega ocorra no mesmo dia”, conta Camargo.

O empresário afirma que faz seleção rigorosa antes de aceitar o cadastramento de entregadores. “Avaliamos toda a documentação e o perfil nas redes sociais.”

Segundo ele, entre os entregadores cadastrados estão aposentados, universitários que utilizam ônibus ou bike para fazer o serviço, taxistas, motoristas do Uber, motociclistas e jornaleiros que fazem entregas à pé na avenida Paulista.

Na Nerd2.me o processo de seleção também é rigoroso e inclui entrevista presencial. “Eles também têm de assinar e seguir nosso código de conduta que tem 14 páginas”, conta Braga Neto.