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Empresa cria novos seguros de viagem e resiste ao tempo

Criada em 1990 com dinheiro de salário economizado pelo fundador, companhia paulista adota a segmentação para se firmar no mercado

Claudio Marques

09 Outubro 2017 | 07h29

Érika Motoda
ESPECIAL PARA O ESTADO

A Global Travel Assistance (GTA) oferece, desde 1990, seguros de viagem. E é identificando e atendendo novas demandas que a empresa tem conseguido se manter no mercado, segundo afirma seu fundador Celso Guelfi, de 62 anos.

Durante a crise iniciada em 2008, por exemplo, quando as bolsas do mundo caíram com a quebra do banco americano Lehman Brothers, ele detectou um aumento do envio de intercambistas para o exterior. Ele acredita que essa mobilidade foi uma resposta de famílias brasileiras à crise: mandar os filhos estudarem fora, como tentativa de, mais tarde, os jovens conseguirem alcançar melhor colocação no mercado de trabalho. Com isso, ele criou um seguro específico para quem participa de programas de intercâmbio.

Não são apenas os estudantes o público-alvo da empresa. A GTA já criou planos corporativos para executivos e negociantes pessoas que viajam várias vezes no mesmo ano. Agora, depois de os Estados Unidos enfrentarem dois furacões em setembro e, na mesma época, o México sofrer um forte terremoto, Guelfi já começa a desenvolver planos para criar um seguro que permita cancelar viagens em decorrência de desastres naturais.

No seu dia a dia, a GTA lida com assuntos delicados, como necessidades de clientes em decorrência de acidentes, doenças e até mortes durante uma viagem de trabalho ou lazer. “As pessoas se preparam para gastar durante as viagens, mas nem sempre com despesas médicas”, afirma. “A medicina está ficando mais cara. Sempre informamos o cliente de que qualquer imprevisto pode custar mais do que a viagem.”

Guelfi não revela o faturamento da empresa, mas afirma vender em torno de 768 mil seguros viagem por ano. Com matriz em São Paulo, a GTA também está presente em 25 cidades brasileiras.

O plano com maior número de adesão, segundo o presidente, é o Euro Max. Pois quem viaja à União Europeia deve ter um seguro de saúde de, no mínimo, € 30 mil pelas regras do Tratado de Schengen.
Os planos nacionais são os mais baratos. O Plus, por exemplo, custa R$ 13 para uma viagem de até 8 dias.

Os esportivos, no entanto, custam um pouco mais. O plano Full Sports Extreme custa US$ 124, para uma viagem de até 5 dias. Há também os executivos, que são os mais caros, como o Planet 120, que custa US$ 900 e cobre viagens realizadas durante um ano.

Trajetória. A história da GTA começa ainda antes da sua fundação, há 27 anos. Para que pudesse ser dono do próprio negócio, Guelfi deixou o cargo de executivo em uma empresa de logística após criar uma poupança de aproximadamente US$ 90 mil para investir na GTA. “Eu ganhava o equivalente a US$10 mil como executivo”, conta. “Mas precisava de U$ 1.500 por mês para sobreviver.” O resto, ia para a poupança.

Pelas contas do presidente, a empresa não renderia lucro nos primeiros 18 meses. Então, planejou gastar U$ 5.000 por mês com aluguel, salário de funcionários e outras despesas. Mas, segundo ele, a GTA começou a dar resultados após três meses. “A empresa não tinha um (setor) operacional muito grande.”

O primeiro contato que o paulista de Tabapuã teve com o turismo foi no final dos anos 1980, quando administrava uma empresa de transportes rodoviários e de passageiro no Rio de Janeiro.

Em parceria com a Prefeitura da Cidade Maravilhosa, havia o projeto de levar alunos de escolas públicas de regiões periféricas aos pontos turísticos da cidade, como Pão de Açúcar e Corcovado. Guelfi disse que fornecia o transporte, enquanto a prefeitura oferecia os ingressos para as atrações. “Os alunos com as maiores notas ganhavam um passeio no final de semana para conhecer a cidade.”

O projeto tinha dois objetivos: mostrar aos alunos a importância do turismo e premiar aqueles que se destacavam nos estudos. “Nós mostrávamos que o dinheiro deixado na cidade fazia circular o comércio local. O turista é sempre bem-vindo.”

Alguns anos depois, Guelfi foi chamado para preencher o cargo de executivo em uma empresa concorrente com sede em São Paulo. Trocou de emprego e endereço.

Quando decidiu deixar o emprego estável para empreender, recebeu advertências de pessoas próximas. “Meus amigos falavam que eu era louco por deixar um cargo importante”, conta.

“Na época, seguro viagem era considerado algo futurístico. Não havia muito disso por aqui.” Mas Guelfi diz que estava seguro do investimento, porque esse ramo estava dando certo em outros lugares do mundo, principalmente nos Estados Unidos e Europa.

De acordo com o empresário, a criação da GTA foi motivada por uma visão de mercado e por um desejo pessoal. “Eu pensava: se estou dando certo em algumas empresas, também consigo fazer algo sozinho”, recorda.

Formado em administração, ciências contábeis e marketing, Guelfi deixa a dica para outros empreendedores. “É preciso enxergar oportunidades onde ninguém está vendo. Executar onde todo mundo acha impossível. E ter foco.”