‘Um dos valores da empresa é não ser empecilho à felicidade do funcionário’
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‘Um dos valores da empresa é não ser empecilho à felicidade do funcionário’

Sócio da desenvolvedora de softwares sob medida e consultora Lambda3, Victor Hugo Germano diz que companhia adota diversidade como um dos recursos para melhorar a produtividade interna

Redação

20 Março 2017 | 07h49

Os sócios Victor Hugo Germano (de óculos), Giovanni Bassi(polo preta), Victor Cavalcante e Igor Abade(camisa clara)

Os sócios (da esq. para direita) Victor Cavalcante, Victor Hugo Germano, Giovanni Bassi e Igor Abade. Foto: Felipe Rau /Estadão

A história da Lambda3, empresa desenvolvedora de softwares sob medida, começa em 2010, quando quatro profissionais de consultoria, que atuavam no segmento de tecnologia, decidiram juntar forças para empreender. “Resolvemos nos unir e ‘escalar’ nossa abrangência”, conta o CEO da empresa e um dos fundadores, Victor Hugo Germano. Os outros três sócios são Giovanni Bassi, Victor Cavalcante e Igor Abade.

Além de criarem programas para necessidades específicas dos clientes, “um outro serviço da Lambda3 consiste em oferecer consultoria para melhorar a performance dos times de TI das empresas. “É um trabalho para ampliar a capacidade e qualidade dos serviços executados pelos times de TI”, diz o CEO.
Se hoje a maioria dos clientes são organizações de grande porte, como Santander, BTG Pactual, Icatu Seguros, Instituto Unibanco, Renner e Petrobrás, no início das atividades era diferente. “Começamos trabalhando para startups, pegando o boom de 2010 dos sites de compras coletivas. Era o início da segunda onda de startups e crescemos nesse contexto”, conta.

Segundo Germano, o fato de em empresário de startup normalmente ter pouco dinheiro e um prazo curto de trabalho, possibilitou uma “grande experiência” para a Lambd3. “ Com isso, aprendemos como ser mais eficazes e eficientes para entregar os produtos, o que nos ajudou a trabalhar para empresas cada vez maiores”, diz. Hoje, são 20 clientes, a maioria da área financeira, varejo e saúde.
Apesar das oportunidades que existiam, o começo foi difícil. “Passamos pelos dois primeiros anos com um orçamento mega apertado e os sócios investindo para garantir o negócio. Às vezes, abrindo mão de um recebimento mensal para construir a empresa”, conta.


Desde o início de sua jornada, a companhia entregou mais de 100 projetos. A previsão para este anos é elevar o número de clientes para 25 e dobrar o total de funcionários, hoje são 75, e o faturamento de R$ 10 milhões registrado em 2016.  “A expectativa é que parte desse resultado venha de aquisições e de incorporar o faturamento de outras empresas. Ao mesmo tempo, vamos buscar diversificação no número de clientes e, principalmente, aprofundar nossa presença nos nossos clientes atuais”, revela.

A gestão de pessoal é outro fator que, de acordo com Germano, contribui para a busca do crescimento. “Quando montamos o negócio, decidimos construir a empresa sobre premissas diferentes do que estávamos costumados a ver. E eliminar uma série de vícios relacionadas à cultura da empresa que são muito tóxicas ao ambiente corporativo”, diz.

Colaboração. Uma das ideias foi adotar um modelo colaborativo de gestão, pelo qual as pessoas participam ativamente das decisões. “É baseado em transparência como parte do processo decisório. Também é uma forma de incentivar os funcionários a serem os melhores que eles podem ser como profissionais”, afirma.

“Um dos valores da empresa é que ela não vai ser um empecilho para a felicidade do funcionário”, acrescenta. Ele argumenta: “Se uma pessoa vai trabalhar em um ambiente que não a aceita como ela é, causa frustração. E dificilmente ela vai ser o melhor profissional que pode ser”.

A questão levou à criação de uma política de diversidade. “A área de TI é predominantemente masculina. É comum o relato de mulheres que sofrem algum tipo de assédio, ou que saem do mercado por causa da cultura em si, que é agressiva. Isso pode fazer com que pessoas e talentosas não continuem na área. Resolvemos mudar isso.”

Como parte da premissa de ter os melhores profissionais possíveis, “e eles vêm das mais diferentes formas, cores e orientações”, a companhia começou um trabalho para ampliar a diversidade. Buscou atuar em conjunto, por exemplo, com o grupo Mulheres em Tecnologia para ajudar a selecionar mulheres. “Uma mulher candidata a uma vaga ser entrevistada por uma mulher, a deixa mais confortável. A maneira como ofertamos nossas vagas de emprego também mudou, para possibilitar que mais pessoas concorram a uma vaga”, diz Germano.

Ao mesmo tempo, é feito um trabalho interno de discussões a respeito de transexualidade, de assédio no trabalho, racismo e movimento negro. “Também temos agido para construir lideranças mulheres dentro da empresa. Há ainda uma ação de conscientização a respeito do público LGBT. É um trabalho orgânico que temos feito para viabilizar esse tipo de coisa”, diz o CEO. / C.M.