Empresárias buscaram capacitação antes de abrir negócio
As informações e opinões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Empresárias buscaram capacitação antes de abrir negócio

Prestes a inaugurar suas operações elas contam como obtiveram mais informações para encarar desafios de gestão

blogs

14 Setembro 2014 | 08h05

Diana Cairis dona do dellivery Saúde no Prato - crédito Patrícia Caggegi

Cris Olivette

Segundo ela, no período em que passou amadurecendo a ideia, fez os cursos de planejamento de bares e restaurantes, pães caseiros, e de boas práticas de higiene em estabelecimentos varejistas, oferecidos pelo Senac. Também passou por consultoria no Sebrae, onde aprendeu a montar o plano de negócio, a usar planilha de controle de fluxo de caixa e fazer a formação de preços.

Diana afirma que sempre teve interesse pela área de alimentação e saúde. “Conversando com uma amiga que é nutricionista, resolvemos apostar no negócio.” Ela conta que o foco é o mercado corporativo. “Já atendemos encomendas para coffee break. Mas vamos operar pra valer a partir de outubro, quando passaremos a oferecer almoço balanceado.”

A empresária diz que a cozinha industrial fica na Aclimação e que o público alvo são os funcionários de prédios comerciais dessa região, incluindo Vila Mariana, Paraíso e Cerqueira César. “Tem muitos prédios comerciais sendo lançados por aqui e pela pesquisa que fizemos, há pouca opção de alimentação saudável.”

Outra que está entrando no mundo dos negócios é Adriana Lozano, que inaugura a butique de sapatos Frederico Bonatto, nesta quinta-feira (18/9), no Morumbi. Para avaliar o segmento no qual queria atuar fez estudo de mercado, pesquisa de campo para definir o ponto e visitou fábricas das principais marcas de calçado feminino.

“Encontrei um ponto que considero excelente, com muitas empresas no entorno. Além disso, tenho como vizinhos um salão de beleza e uma escola de balé, frequentados por pessoas da classe A, meu público alvo.”

Adriana diz que sua estratégia é atender, no horário do almoço, quem trabalha na região. “São mais de três mil pessoas da classe C. Então, para atingir essa fatia de potenciais clientes, fiz uma loja muito chic, dividida em dois ambientes. Em um deles, a distribuição dos calçados será por numeração. A pessoa poderá pegar, experimentar e pagar, sem demora. O outro ambiente é uma área premium, com sapatos mais sofisticados, voltados para as pessoas que moram na região e que terão um atendimento vip.”

A administradora de empresas conta que o desejo de empreender surgiu após o nascimento de sua filha. “Fiquei três anos sem trabalhar e decidi criar um negócio. Para me sentir motivada, optei pelo comércio de sapatos, que são a minha paixão”, diz.

Após trabalhar 25 anos na área financeira, Adriana sabe lidar com contas a receber, a pagar, fluxo de caixa e movimentação bancária. “Para me capacitar nas demais áreas, optei pelo ensino a distância. Já fiz os cursos aprendendo a empreender e viabilidade de negócio. Os próximos serão controle de estoque e formação de preço.”

SCA SÃO PAULO 10/09/2014 - ECONOMIA & NEGÓCIOS - OPORTUNIDADES - Fotos da empresária Adriana Lozanio, que inaugura loja de sapatos Frederico Bonatto.FOTO SERGIO CASTRO/ESTADÃO.

Segundo o consultor do Sebrae-SP, Rui Barros, ao começar um negócio, o empreendedor deve saber como quer que a empresa seja hoje, daqui há um ano, e dentro de cinco e dez anos. “O plano de negócio deve contemplar esses caminhos. Depois dessa etapa, ele entra no mundo da competitividade.”

Para transitar nesse cenário, ele diz que é preciso conhecer três pontos: Quem é seu cliente e quais são suas necessidades e expectativas, o que a concorrência está fazendo de legal que pode acrescentar ao negócio e com quais fornecedores pode trabalhar para obter descontos e repassá-los aos clientes?

“Quando o empreendedor entende para quem vende, com quem briga e quem pode ajudá-lo, fica mais fácil traçar estratégias para ser competitivo. Para abrir um negócio é preciso planejar, só assim obterá lucro de forma mais rápida e correta.”

Barros afirma que para tocar a operação ao longo do tempo, o empresário tem de se atualizar e saber quais são as tendências. “O aperfeiçoamento constante vai ajudá-lo na tomada de decisão. A partir do momento que tomar decisões, estará praticando a gestão estratégica do negócio”, conclui.

Estratégias levam à maturação

Assim que o negócio entra em operação, é hora de o empreendedor superar o desafio de fazer a empresa sobreviver aos primeiros anos e se consolidar no mercado. Além do esforço para atrair clientes, tem de lutar para manter os bons funcionários.

Na Betalabs, que desde 2010 atua no mercado de computação em nuvem, o fundador Luan Gabellini conta que ele e seu sócio, Felipe Cataldi, sempre acreditaram em duas premissas básicas. “A primeira coisa é ter uma empresa bem austera e rentável. Desde o início, montamos a operação para que ela fosse lucrativa e tivesse custo enxuto. Outro conceito que levamos super a sério é o da meritocracia.”

betalabs

Gabellini diz que toda a equipe, desde estagiários até pessoas de nível sênior, têm metas estabelecidas por semestre. “Todos podem ganhar, por semestre, até mais três salários de bonificação como gratificação pela meta cumprida. Além disso, para aqueles que se destacam muito, existe a possibilidade de virar sócio.”

Acostumado a dar palestras para empreendedores, Gabellini diz que recomenda aos empresários que foquem muito na execução bem planejada. “É preciso estar preparado para trabalhar em um cenário bom e também para sobreviver em um cenário ruim. Isso é muito simples de ser feito, basta que faça projeções das receitas e dos custos e monte cenários. Um otimista, outro mediano e um pessimista. Com essa lógica simples, estará preparado para sobreviver em todos os cenários.”

Segundo ele, depois de criar esse material é possível ter uma ideia fechada de como será o ano em termos de faturamento e custo da operação. “Isso tudo varia e deve ser ajustado, mas tendo isso planejado, o horizonte fica mais claro. É importante as pessoas estarem preparadas porque o desafio é sempre maior do que se espera. Digo isso porque conosco foi assim.”

Um dos sócios da Just Digital, Rafael Cichini, conta que a empresa criada em 2008 enfrentou sérias dificuldades por conta da alta rotatividade de funcionários. Segundo ele, o negócio é especializado em projetos de busca corporativa e gestão de conteúdo, e a causa do problema era o modelo adotado para fazer a gestão de projetos, que não funcionava muito bem.

Rafael Cichini da Just Digital

 

“Quando adotamos a proatividade e trouxemos a cultura ágil para os projetos, o negócio engrenou. Com o tempo, fomos expandido todo o conceito de agilidade às demais áreas da empresa. Hoje, essa é nossa cultura, não conseguimos trabalhar de outra forma.”
Cichini afirma que a mudança foi radical. “Demos uma boa descentralizada, passamos a delegar responsabilidades do estagiário até o nível de direção.”

Para quem está começando, a melhor dica, segundo ele, é pensar simples. “Quanto menos burocracia introduzir na empresa, melhor. Assim, poderá manter o foco no objetivo e na missão da empresa.”