‘Eu sou é um  persistente nato’,  diz empresário
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‘Eu sou é um persistente nato’, diz empresário

Claudio Marques

28 Agosto 2017 | 07h41

Cássio Bobsin. Foto: JF Diorio/Estadão

Cláudio Marques
A Zenvia foi fundada há 14 anos por Cassio Bobsin e Victor Knewitz. Na época, Bobsin tinha 22 anos e a empresa já era seu quarto empreendimento.

Mas ele nega ser um empreendedor nato. “Eu sou é um persistente nato”, diz. “Eu tentei outros três negócios que não deram certo. E tentei a quarta vez.”

Todas as experiências foram na área de tecnologia. “Com a Zenvia, ajudamos as empresas a interagir por intermédio de dispositivos móveis, principalmente, com seus consumidores, para resolver diferentes processos de negócios. Pode ser o agendamento de um serviço, uma cobrança de fatura em atraso, uma confirmação da compra de uma passagem aérea, pode ser um alerta de transação bancária feita em um cartão de crédito etc. São diferentes processos em que a empresa tem de se comunicar com o consumidor, naquele momento”, diz Bobsin.

Mas a pergunta é: por que dessa vez deu certo? Seu quarto negócio vem crescendo ano após ano, obteve uma receita líquida de R$ 213 milhões em 2016, atende 5 mil empresas e tem mais de 210 colaboradores. Parte da resposta está na percepção de que uma nova tecnologia seria uma tendência importante para o mercado. Isso fez a diferença.

Razões do sucesso. “Em 2003, quando a telefonia móvel ainda estava engatinhando, entendemos que ela seria algo que tomaria bastante representatividade, que todo mundo teria um celular. Ainda era muito caro ter um, mas entendemos que essa seria a forma como as pessoas se comunicariam. Ao mesmo tempo, acho que identificamos existir um grande problema, que era de as empresas interagirem com seus consumidores ativamente. Antes o único canal digital disponível era o e-mail, e nós identificamos que se houvesse um canal para chegar pelo celular ele seria mais relevante, mais instantâneo, mais pessoal, que funcionaria melhor.”

As dificuldades. “O começo foi difícil porque não tínhamos capital. Então, tínhamos de vender para crescer, tínhamos de gerar negócios para conseguir sustentar a empresa. E nós, meu sócio e eu, começamos muito novos, não tínhamos relacionamento.”

Assertividade. “Começamos o negócio com muita vontade e fomos sendo bem-sucedidos, porque talvez tenhamos tentado mais que nossos correntes, formos mais assertivos. Conseguimos ser muito bons para os clientes, e isso foi se refletindo no crescimento da empresa. Crescemos todos os anos sempre a boas taxas.”

Erros. “Houve uma série de erros. Um deles, foi que fizemos algumas aquisições de concorrentes no meio do caminho e achávamos que seria mais simples integrar as operações. É o viés otimista do empreendedor, de achar que algo não vai ser difícil, mas ele se torna muito difícil. Conseguimos, mas é algo complexo, houve coisas que conseguimos resolver, e outras não e temos de lidar com isso. Toda empresa que faz aquisições tem esse tipo de desafio, mas achávamos que seria mais simples.”

Estratégia. “O que temos feito (para se manter no mercado e crescer) é sempre trabalhar junto com os clientes para entender quais tendências tecnológicas fazem sentido para eles. O que estamos trabalhando agora é como ajudamos os clientes a resolver seus problemas de negócios quando ele tem de interagir com o consumidor. Então, é ver as tecnologias disponíveis e ver como conseguimos oferecer isso para eles, de um jeito que consigam resolver os problemas que têm.”

Entendimento. “É preciso muito entendimento para possibilidades tecnológicas, mas também precisamos da simplicidade de uma conversa com o cliente. Ele não está interessado na complexidade técnica, ele tem um problema que ele quer resolver. Então, e como se traduz essa complexidade técnica para algo que seja simples, e aí escolher, melhorar seu processo e melhorar a percepção do consumidor em relação a isso.”

Problema e solução. “A primeira coisa para um empreendedor poder ter sucesso é escolher um bom problema para resolver, que ele realmente queira resolver. Quando se fala em negócios, muitas vezes a pessoa pensa em um produto, ou numa ideia que queira colocar em prática. Mas, mais importante, é o empreendedor se apaixonar pelo problema que ele quer resolver. E aí, o melhor produto vai surgindo quanto mais persistente ele for para resolver esse problema. Por isso, é importante escolher um problema e tentar muito mais que os outros (concorrentes) para dar certo. Quem dá certo é quem é mais persistente para resolver um grande problema.”