Evento é ponte entre grandes e startups
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Evento é ponte entre grandes e startups

Movimento 100 Open Startups realiza competição a fim de medir o grau de atratividade que empresas iniciantes têm para o mercado

CRIS OLIVETTE

10 Julho 2016 | 07h46

Rafael Levy (à esq.) e Bruno Rondani, mentores do Movimento 100 Open Startups

Rafael Levy (à esq.) e Bruno Rondani, mentores do Movimento 100 Open Startups

As inscrições para o ciclo 2016 do Movimento 100 Open Startups estarão abertas até 15 de agosto em www.openstartups.org.br. Neste ano, as startups devem escolher um desafio entre 20 opções, dez a mais do que em 2015.

“São 20 grandes temas que abordam assuntos como cidades inovadoras, educação do futuro, energia, fármacos e cosméticos, varejo, entre outros”, diz um dos idealizadores da competição, Bruno Rondani.
Segundo ele, 1.500 executivos de 120 grandes empresas estão cadastrados para avaliar e contribuir com os projetos das startups. “O ponto de entrada para as grandes empresas é dizer o que elas estão buscando e se comprometer a avaliar.”

Rondani afirma que ao entrar na rede a empresa não tem de se comprometer a contratar uma startup. “Nosso foco é a cocriação com as startups e não a busca de inovação pronta para implantar na empresa. Esse é o modelo antigo de ‘open innovation’. A ideia atual é que a construção de algo novo ocorra da parceria entre a startup e a grande empresa”, explica.


Ele conta que as companhias indicam em quais áreas dos desafios têm interesse e iniciam contato com as startups que atuam nessas áreas. Na última etapa elas selecionam com quais desejam trabalhar junto. “Nossa preocupação maior é medir o quão atraente a startup é para o mercado.”

Ranking. Essa medição resulta no ranking das 100 startups que tiveram as melhores avaliações feitas ao longo das cinco etapas do processo. “O ranking que acabamos de lançar é do ciclo 2015, que teve 1.569 projetos inscritos e foi totalmente consolidado no dia 30 de maio, após ser validado e auditado”, diz.

Rondani afirma que esse trabalho tem um valor muito grande, porque não existe no mercado outro ranking validado metodologicamente. “Qualificamos, quantificamos e aplicamos métrica de evolução das startups. Criamos uma métrica objetiva, que resulta em um produto relevante para o mercado ao apresentar empresas que foram consideradas interessantes para fazer negócio”, diz.

CEO da Nexxto, Antonio Carlos Rossini

CEO da Nexxto, Antonio Carlos Rossini

Criada em 2010, a Nexxto ocupa a terceira colocação no ranking. A empresa desenvolve soluções na área de internet das coisas, entre elas o rastreamento de ativos de tecnologia. “Temos uma família de soluções para rastrear, fazer sensoriamento e monitoramento de ativos e de ambientes em tempo real”, conta o CEO, Antonio Rossini.

A Nexxto desenvolve sensores que localizam em tempo real um ativo, monitoram temperatura e umidade de um ambiente e medem o consumo de energia de equipamentos. “Por meio de smartphone, iPad ou computador os clientes controlam seus equipamentos.”

Rossini afirma que o principal benefício do 100 Open é a aproximação com grandes empresas. “Conseguimos desenvolver parceria de sucesso com as empresas que fomos conectados. O movimento une startups que têm ideias e pessoas muito boas, e grandes empresas que têm necessidade de inovar.”

Na fase final, os empreendedores participaram de mesas redondas durante três dias. “Mantivemos contato com executivos que nos ensinaram a construir cultura corporativa de sucesso e implementar sistemas de gestão de performance. Recomendo a participação a todos que queiram validar seu modelo de negócio e fazer parte de um ecossistema rico, formado por empreendedores e executivos de altíssima qualidade, que ajudam a empresa a crescer.”

Fundadora da StoryMax, que ocupa a nona colocação no ranking, Samira Almeida diz que demorou um tempo para entender a proposta do movimento. “Entendi completamente quando cheguei à final e conheci os integrantes da rede e Falar com presidentes de empresas. Estar diante de quem decide faz muita diferença. Esse é um bem inestimável que o evento nos proporciona”, afirma.

Livros digitais. A empresária conta que a StoryMax é uma publicadora de livros aplicativos. Ou seja, livros digitais interativos para tablets e smartphones. “A ideia surgiu em 2012, quando as editoras do País estavam abrindo áreas digitais. Pensamos em criar um produto mais atraente do que os que estavam sendo produzidos e lançamos o app book Frankie for Kids, com versões em inglês e português, que ainda faz sucesso em vários países sem esforço de marketing.”

Fundadora da StoryMax, Samira Almeida

Fundadora da StoryMax, Samira Almeida

Ela afirma que os livros aplicativos da StoryMax são clássicos literários bem editados e ilustrados, com animações, sons e interatividades que tornam a leitura bem mais engajada.

Samira conta que na final do 100 Open fechou um grande contrato com a dinamarquesa Novozymes, que tem filial no Paraná. “A Dinamarca é signatária da ONU. Nesse caso, as grandes empresas do país são convidadas a serem signatárias também. Eles são muito engajados e têm projeto de educação que visa educar jovens do mundo inteiro sobre questões de ciências, biologia, biotecnologia e sustentabilidade.”

A tarefa da StoryMax é desenvolver livros aplicativos em inglês, português e espanhol abordando temas dos 17 objetivos para o desenvolvimento sustentável lançados pela ONU em 2015. “Usaremos contos de autores universais relacionados a cada tema apontando a relevância do conto para os dias atuais, propondo atividades, reflexões etc.”

A Nama, de Rodrigo Scotti, é a sexta colocada no ranking. Além dos quatro sócios, o negócio tem oito funcionários e está desenvolvendo projetos-piloto para companhias que conheceram no 100 Open.

A empresa foi criada no início de 2014 e trabalha com inteligência artificial, especificamente voltada à linguagem natural. “Nosso foco é desenvolver soluções que facilitem a comunicação entre humanos e máquinas. Moldamos a empresa com o objetivo de usar todo o poder que assistentes pessoais, como o Google Now, têm para ajudar a resolver problemas que frustram consumidores e prejudicam empresas”, diz Scotti.

Segundo ele, a Nama pode melhorar o atendimento ao consumidor com inteligência artificial que tem a capacidade de conversar com as pessoas. “Essa conversa é bem mais avançada do que os sistemas usados pelo mercado. Desenvolvemos uma maneira de fazer o computador entender as características do que foi falado.”

Ele conta que um dos projetos pilotos em desenvolvimento é para o Poupatempo. “A pessoa pode falar que precisa agendar um horário para depois de amanhã para tirar um novo RG por volta das 15h. O computador vai entender todo o conteúdo e se a pessoa já tiver um pré cadastro, ele saberá onde a pessoa mora, qual unidade é mais próxima e irá agendar o serviço, acelerando o atendimento.”

Scotti afirma que outro piloto que está em desenvolvimento é para o Bradesco. “A aplicação dos projetos têm duração de seis meses mas podem ser estendidas”, conta.

ARBX - 06/07/2016 - SAO PAULO - OPORTUNIDADES/ MOVIMENTO 100 OPEN STARTUP -  Rodrigo Scotti, fundador da Nama, que esta entre as primeiras posicoes no ranking do Movimento 100 Open Startups.. Foto: Rafael Arbex / ESTADAO

Rodrigo Scotti (sentado) é um dos fundadores da Nama

O empresário afirma que a tecnologia desenvolvida pela Nama é muito avançada em detrimento as que são usadas por grandes empresas.

“Isso chega a ser engraçado porque as pessoas normalmente duvidam quando fazemos essa afirmação. Mas quando fazemos a demonstração todos ficam surpresos. Desenvolvemos esse produto aqui em São Paulo. É uma tecnologia que está pau a pau com o que está sendo desenvolvido no Vale do Silício, região mais avançada em termos tecnológicos”, ressalta.

A Nama foca grandes empresas. “Todas estão abertas a inovar, ainda mais quando implica em redução de custo e melhoria da experiência.” Segundo ele, participar do 100 Open foi um ótimo termômetro para ver como as empresas reagiam com a solução desenvolvida por eles.

“Conseguimos muitos contatos e obtivemos uma boa visibilidade. O fato de termos tido destaque no ranking fez muitas empresas se interessaram em conhecer melhor nosso produto. O networking foi essencial e resultou em mais propostas de projetos pilotos.”

Scotti salienta que o grande diferencial do movimento é que ele envolve pessoas do mercado. “Nesse ambiente, o empreendedor pode mensurar se as empresas realmente querem o seu produto. Ter empresas participando de todo o fluxo é enriquecedor. Já o ranking se dá com base no que as empresas acharam das startups, se querem continuar o contato com elas etc. Isso é bem bacana.”