Marketplace mobile ajuda pequenos do setor de saúde e beleza
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Marketplace mobile ajuda pequenos do setor de saúde e beleza

Cresce entre os consumidores o uso do smartphone para cotar e comprar produtos e serviços

CRIS OLIVETTE

06 Agosto 2017 | 07h36

 

Shirley Lavigne . Foto: Alex Silva/Estadão

Pequenos negócios estão recorrendo a marketplaces mobiles – plataforma de vendas que reúne produtos ou serviços de um mesmo segmento e funciona em dispositivos móveis – para aumentar seus ganhos ou para permanecer no mercado.

Esteticista e massagista, Shirley Lavigne atende em espaço físico desde 2008. “Em março de 2016, com a redução da demanda por conta da crise, comecei a usar o aplicativo Singu e foi o que salvou o meu ano, pois 50% dos atendimentos que realizei no período foram por meio do aplicativo. Dessa forma, sobrevivi e não precisei fechar o ponto.”

Durante o dia, ela trabalha no ponto fixo que possui na Avenida Paulista. “À noite e nos finais de semana, atendo os clientes do aplicativo em domicilio”, conta. Lançado em dezembro de 2015, o Singu conecta usuários a mais de mil profissionais de beleza e bem-estar de São Paulo, Rio de Janeiro, região do ABC paulista e Alphaville.

“Por mês, estamos realizando perto de dez mil atendimentos e o número de profissionais cadastrados cresce, em média, 30% ao mês”, afirma o CEO da Singu, Tallis Gomes. Para utilizar o aplicativo, o usuário deve cadastrar um cartão de crédito e solicitar serviços de massagem, manicure e depilação.

Tallis Gomes. Foto: Leo Neves/Divulgação

Para prestar serviço por meio da plataforma, os profissionais passam por um crivo que envolve teste, treinamento e análise de ficha criminal. Só então estão aptos a atender os pedidos que chegam pelo aplicativo. “Esse modelo de trabalho é uma tendência irreversível.”

Gomes diz que a plataforma organiza a agenda diária dos profissionais, com base nos pedidos que ele aceita atender, de forma eficiente para evitar grandes deslocamentos. Segundo ele, a Singu inverteu a lógica do mercado, porque, geralmente, os salões de beleza cobram cerca de 70% dos profissionais. “Fizemos o contrário, cobramos 30% e deixamos 70% para eles.”

Sócio-fundador e diretor-geral da Vitalis Farmácia de Manipulação, Sidinei Osni da Luz conta que começou a usar o Farmácias APP há poucas semanas. Antes, mantinha contato com os clientes por meio de telefone, página no Facebook e site da empresa. A proposta do aplicativo é aglutinar, em um só canal, varejistas dos segmentos de saúde e beleza.

“O aplicativo veio para aumentar a divulgação da nossa marca no meio online de uma forma que não demanda esforço de nossa parte, o marketing é feito pelo próprio app.”

Sidnei Osni da Luz. foto: Neilson Flores

Segundo Luz, a Vitalis é uma das primeiras farmácias de manipulação a adotar a solução. “Não há como escapar dos aplicativos. Entre criar um app próprio e ter um que permite que os clientes façam cotação e comparem prazo de entrega, ficamos com a segunda opção.”

Lançado em abril deste ano, o Farmácias APP têm, até o momento, 160 mil ofertas de produtos específicos, de 13 marcas anunciantes, entre elas, seis de pequeno e médio porte. A meta dos sócios é alcançar 100 mil usuários até o final do ano.

“Atendemos farmácias, cosméticas, perfumarias, lojas de suplementos, produtos naturais e de acessórios de beleza e saúde, e não há custo mensal”, conta Robson Michel Parzianello, criador do aplicativo juntamente com e Eduardo Raulino.
Parzianello afirma que o conceito de múltiplos canais de vendas tem feito com que varejistas lancem várias iscas de possíveis oportunidades para aumentar a receita, entre elas, o app.
“Usar o aplicativo é muito barato e o fato de ser segmentado, permite que o lojista se comunique com o perfil específico de consumidor. O volume vem crescendo mês a mês, tanto de usuários que baixam o aplicativo quanto de anunciantes.”

O diretor geral da empresa de marketing de performance Criteo, Fernando Tassinari, afirma que “cada vez mais”, o smartphone ganha importância no processo de compra online. “E influencia o hábito de compra dos consumidores.”

Segundo ele, as transações feitas via dispositivos móveis cresceram 70% no Brasil no primeiro semestre de 2016. “Realizamos pesquisas periódicas para entender a jornada do consumidor virtual e levar a ele a melhor oferta dentro do tempo em que está propenso a comprar.”

Para Tassinari, investir em aplicativos de marketplace é uma necessidade. “Percebo que varejistas que têm um aplicativo transacional obtém resultado superior, porque a fidelidade do cliente aumenta. Mesmo que o volume de venda por aplicativo seja menor como um todo, comparado com a venda total, o resultado e a fidelidade são maiores”, diz.

Ele conta que o levantamento mais recente realizado por sua empresa aponta que houve aumento de 45% nas transações de venda online no Brasil que envolvem dois ou mais dispositivos. “Boa parte dessas visitas (27%) começaram no smartphone.” Segundo Tassinari, ao pensar em diversificar os canais de venda, varejistas devem ter certeza de adotarem um aplicativo amigável, que realmente consiga entregar uma boa experiência para o consumidor.

“Além disso, é importante que o lojista utilize a ferramenta que chamamos de cross device. Por exemplo, o cliente recebeu um e-mail marketing ou fez busca por meio de um dispositivo móvel e realizou a compra por meio de um computador desktop. Com o cross device, o lojista identifica a jornada de compra feita pelo cliente e pode elaborar ações mais efetivas.”

Ele diz que o estudo State of Mobile Commerce Report, da Criteo, traz previsões para o comércio via mobile no mundo e aponta que as vendas por esses equipamentos vêm superando as efetuadas no desktop.

“O relatório mostra que os aplicativos são os canais mais eficientes para a geração de vendas no ambiente virtual. Também foi identificado que os aplicativos dominam em todos os estágios do funil de compra e convertem três vezes mais que as buscas feitas em navegadores móveis.”

CEO da Singu e um dos fundadores da Easy Taxi, Gomes diz que depois que vendeu a empresa de aplicativo de táxi, passou a analisar qual seria o grande negócio no qual iria investir.

“Encontrei dados que apontavam que o mercado de serviços de beleza movimenta R$ 46 bilhões por ano no País. O Brasil é o terceiro maior mercado do mundo no segmento, só perdemos para Estados Unidos e China, além disso, ele é três vezes maior que o mercado de transporte. O mais interessante é que, em termos de marketplace, é praticamente inexplorado. Foi a partir desses dados que resolvemos criar o app Singu”, conta.

Segundo ele, o marketplace é a maneira mais eficiente de as pessoas conseguirem obter renda. “Esses profissionais podem, por meio de aplicativos, ter mais de um tipo de trabalho. A manicure, por exemplo, pode fazer unhas à tarde e à noite dirigir um Uber. A pessoa consegue ter dois empregos e ganhar mais dinheiro do que ganharia fazendo uma só função com contrato CLT e pagando altas taxas de impostos.

Portanto, a pessoa ganha mais e tem a liberdade de trabalhar o dia, hora e quanto tempo quiser. Trabalho via marketplace está crescendo no mundo inteiro e não seria diferente no Brasil.”

Robson Parzianello. Foto: Neilson Flores/Divilgação

Sócio fundador e CTO do marketplace mobile Farmácias APP, Robson Michel Parzianello conta que a ideia de criar o aplicativo surgiu depois que um amigo comentou que tinha cinco atendentes destacadas para cuidar do WhatsApp de sua farmácia. “Vimos que havia uma oportunidade de negócio e passamos a estudar esse mercado.”

Ele afirma que também avaliou o lado do consumidor. “Concluímos que ninguém iria baixar dez aplicativos de farmácias no celular. O ideal seria ter um que reunisse a maioria das redes. A partir daí começamos a desenvolver os protótipos.”

Segundo ele, no smartphone o usuário é mais impaciente em relação a lentidão ou dificuldade para encontrar o que deseja. “Se o aplicativo não for rápido e eficiente, o consumidor fecha a página”, afirma.
Ele conta que está para lançar programa de indicação de novos usuários. “A pessoa vai ganhar um valor para usar na primeira compra. Também vamos criar gameficação dentro do aplicativo, que dará pontos aos usuários por ações como compartilhar oferta ou postagem.”