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Mercado infantil exige diferencial e foco

Empreendedores que operam no segmento também recomendam a quem quer entrar na área que se especialize na área de atuação

CRIS OLIVETTE

11 Fevereiro 2018 | 07h04

Douglas Bote. Foto Rafael Arbex/Estadão

Em seis anos, o volume de venda anual de produtos do segmento infantil no Brasil passou de R$ 2,7 bilhões para R$ 3,9 bilhões. O crescimento de 45,6% foi apurado por estudo da agência de inteligência Euromonitor. Somente nos últimos dois anos, a variação de crescimento foi de 8%, dado que demonstra que mesmo durante a crise o segmento manteve certo fôlego.


Diretor do IEMI Inteligência de Mercado, Marcelo Prado diz que dentre os maiores países do mundo, o Brasil é um dos que têm maior número de crianças.

Marcelo Prado. Foto: Flavio Guarnieri

“Em termos de vestuário, por exemplo, não tem como os pais não comprarem novos produtos, porque as crianças crescem e perdem as roupas em seis meses, um ano. Porém, justamente por sofrer menos com a crise, o segmento tem menos demanda reprimida e, portanto, não cresce de forma tão rápida e acentuada.”

Segundo ele, estimativas do IEMI indicam que em 2017 a produção de vestuário infantil e bebê, em termos de volume de peças, tiveram crescimento de 3,1%. Em relação à receita, as estimativas mostram alta de 6,2% sobre 2016. “O balanço consolidado será lançado em maio, mas acredito que as projeções serão confirmadas.”

Prado acrescenta que da mesma forma que novos itens foram sendo incorporados ao mix de produtos de roupa infantil, diversos artigos também foram incluídos nas linhas de acessórios, calçados, móveis, decoração, puericultura, alimentação etc. “Hoje, a gama de ofertas é muito maior na comparação com o que tínhamos há 20 anos e as marcas, cada vez mais, se segmentam em faixas etárias.”

Este é o caso da KidStok, multimarcas voltada ao público de zero a 12 anos. Diretor de expansão, Douglas Bote conta que o fundador, Júlio Niski, sempre trabalhou no ramo têxtil e atua no varejo há 22 anos.

“Ele começou vendendo moda para adulto, com o tempo notou que trabalhando nesse segmento teria sempre de seguir novas coleções. A cada troca de coleção tinha de fazer promoções e sacrificar a sua margem de lucro. Optou, então, pelo mercado de roupa infantil, no qual só é preciso seguir as tendências e oferecer produtos de inverno e verão”, afirma.

Presente em 14 estados brasileiros, a marca que virou franqueadora em 2011 encerrou 2017 com 68 novas lojas e prevê crescimento de 40% para este ano. O diretor diz que para continuar crescendo, a marca incentiva os franqueados a terem mais de uma unidade. “Alguns têm mais de dez lojas. O investimento inicial para ser franqueado é R$ 200 mil, valor que inclui estoque inicial e é recuperado em até dois anos.”

A dica que Bote dá para quem deseja entrar nesse mercado é investir em variedade e manter o foco no produto alvo. “Tem muitas lojas infantis querendo vender de tudo e acabam não tendo sinergia com o público.”

Alexandre Finozzi e Elga Zavrisko com o filho, Gabriel. Foto: Rodrigo Sanches

O mercado de beleza para o publico infantil foi a aposta de Alexandre Finozzi (Tio Ale), fundador da Corte Kids. Filho de barbeiro cresceu vendo como era o funcionamento de uma barbearia.

“Já adulto, fiz curso de cabeleireiro e descobri como era o funcionamento dos grandes salões e redes. Também percebi que nesses locais os profissionais preferiam não atender crianças, que ficavam deslocadas nesses ambientes e avaliei que esse era um segmento carente na zona Leste da capital.”

A partir daí, Finozzi começou a construir a marca Corte Kids, junto com a sócia, Rosana Fernandes, também cabeleireira. “Passamos a formar profissionais bem treinados e com habilidades para tornar o corte de cabelo um momento prazeroso para as crianças. Também criamos um ambiente apropriado”, diz Finozzi.

O cabeleireiro que começou o negócio sem nenhum capital, conta que até dezembro de 2017 a marca tinha três lojas próprias, que juntas atendiam mensalmente quatro mil crianças das classes A e B. “Neste ano, inauguramos duas novas unidades franqueadas. No primeiro mês, uma dessas unidades que está instalada dentro de um shopping, atendeu perto de mil crianças. Nossa expectativa é de fecharmos 2018 totalizando dez unidades.”

Fundada em 2008, a marca vem crescendo todos os anos tanto em termos de faturamento quanto em número de clientes. “Crescemos até mesmo entre o final de 2015 e 2016, período muito difícil para o mercado em geral. Nosso maior desafio foi o aumento dos custos, que nem sempre podem ser repassados aos consumidores.”

Sacada. A solução foi oferecer mais serviços. “Nosso foco é o corte de cabelo, recebemos clientes até de outras cidades. Na crise passamos a realizar festas de aniversário para até 15 meninas. Elas fazem a unha, penteados e brincam em uma baladinha. Isso incrementou o faturamento. Também criamos programa de fidelidade, apesar de termos clientes que cortam cabelo conosco há dez anos.”

Para ser fraqueado da Corte Kids o investimento é de R$ 142 mil – salão compacto –, e de R$ 182 mil – salão premium. Para quem pensa em atuar no segmento infantil, Finozzi recomenda que a pessoa seja especializada na área de atuação e ofereça diferenciais. “Não crie mais do mesmo. Se encontrar um diferencial para se destacar no mercado, vai conseguir expandir.”

(A partir da esq.) Antonio Guzman, Benni Cejkinski e Luis Guzman. Foto: Ronaldo Mendonça

Necessidade de pai o inspira a criar negócio

No mercado há cinco meses, a Saudabille Alimentos foi criada a partir da necessidade de Antonio Guzman, que não encontrava sucos saudáveis para complementar o lanche dos filhos.

“Nossa proposta é comercializar alimentos saudáveis para crianças. Futuramente, também iremos atender o público adulto”, conta o gerente comercial, Benni Cejkinski.
Segundo ele, a venda de suco integral no Brasil cresce 30% ao ano. “É o segmento que tem o maior crescimento dentro da linha líquido/suco. Sendo que o crescimento maior ocorre entre produtos voltados para crianças de um a 12 anos, provavelmente pela consciência das mães, que buscam os melhores produtos para seus filhos.”

A marca conta com parceria da Viacom Media Networks, licenciadora do desenho animado Patrulha Canina, que estampa as embalagens dos sucos.

“A linha oferece sucos de maçã, uva, maçã com morango e laranja. Os produtos não têm adição de açúcares, reguladores, conservantes ou quaisquer outros aditivos artificiais”, diz.

O gerente conta que para oferecer produtos mais saudáveis, a empresa também mantém parceria exclusiva com a Tetra Pak para a produção de embalagens especiais que preservam o sabor, aroma e características naturais do suco, sem a necessidade adição de conservantes ou refrigeração.

“Pensando no meio ambiente, as embalagens são recicláveis e produzidas a partir de matéria-prima renovável, proveniente de florestas com manejo sustentável e plástico oriundo da cana-de-açúcar”, afirma.

Cejkinski conta que o próximo lançamento será de achocolatado com a menor adição de açúcar do mercado, com fórmula aprovada na Europa.

Segundo ele, o resultado está sendo maior que o esperado. “Mesmo que as margens sejam menores quando se trabalha com alimento saudável, a rentabilidade é maior, porque o público valoriza esse conceito. Já contamos com clientes como Carrefour, St Marché, Empório Santa Luzia, Empório Santa Maria e Varanda.”

O gerente diz que os desafios estão relacionados aos custos de produção e impostos elevados. “Por isso, buscamos ajuda dos super-heróis para nos ajudar”, brinca.
Até o momento, já foram comercializadas cerca de 700 mil unidades de sucos, totalizando faturamento de R$ 1,8 milhão.