Mercado pet resiste e mostra ser opção para empreender
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Mercado pet resiste e mostra ser opção para empreender

Segundo dados do IBGE, País tem 132,4 milhões de animais de estimação. em 2015 a atividade movimentou R$ 18 bilhões

CRIS OLIVETTE

17 Abril 2016 | 07h26

Luiza Dias (à esq.) e Fernanda Lima, da Cozinha 4 Patas, produzem comida natural

Luiza Dias (à esq.) e Fernanda Lima, da Cozinha 4 Patas, produzem comida natural

Resistente é o termo usado pelo presidente da Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet), José Edson Galvão de França, para definir o comportamento do segmento pet diante da crise econômica.

“Em 2015, o faturamento nominal cresceu 7,8%, chegando a R$ 18 bilhões. Não batemos a inflação, mas tivemos desempenho bem acima do PIB, que encolheu 3,8% em relação a 2014. Mesmo com todas as dificuldades atuais, o mercado pet dá sinais de resistência”, afirma.

A opinião de França é endossada pelo diretor da consultoria Vecchi Ancona – Inteligência Estratégica, Paulo Ancona. “É um dos mercados mais interessantes da atualidade, em termos de crescimento e de oportunidades”, afirma.


 

Todo esse otimismo tem fundamento. Hoje, no Brasil, existem mais cachorros de estimação do que crianças. A Pesquisa Nacional de Saúde, feita em 2013 pelo IBGE, aponta que 44,3% dos domicílios do País possuem pelo menos um cachorro. O instituto estima que 52,2 milhões de cães habitam os lares brasileiros, o que dá uma média de 1,8 cachorro por casa.

Incluindo outros bichos de estimação como gatos, aves, peixes e répteis, chega-se ao total de 132,4 milhões de animais, o que coloca o Brasil como o segundo maior mercado pet do mundo. “Estamos atrás dos Estados Unidos e bem à frente da Inglaterra, que ocupa a terceira colocação” diz França.

Paulo Ancona Lopez, sócio da consultoria Vecchi Ancona - Inteligência Estratégica

Paulo Ancona Lopez, sócio da consultoria Vecchi Ancona – Inteligência Estratégica

Segundo Ancona, o fato de os cachorros serem considerados membros da família, influencia os resultados do segmento. “O mercado pet de luxo cresce bastante. O perfil preponderante de quem tem um cachorro é de mulheres de 25 a 40 anos. O mesmo luxo e cuidado com a comida que elas adotam para si, estendem para o cachorro.”

Apaixonadas por cachorros, as amigas Luiza Dias e Fernanda Lima se tornaram sócias no ano passado com a criação da Cozinha 4 Patas, que comercializa comida natural. “Quando descobri que alimentar os animais com comida de verdade aumenta a expectativa de vida e o bem-estar, vi uma oportunidade de negócio e ainda de poder fazer o bem para os animais”, afirma Fernanda.

Segundo ela, a preocupação com a alimentação dos cães é crescente. “Nosso objetivo macro é vender qualidade de vida. Entregamos a comida em embalagens conforme o peso do animal. Basta descongelar um pote e dividir o conteúdo para as duas refeições do dia.”

A empresária diz que o negócio vem crescendo, em média, 30% ao mês. “Esperamos crescer na casa de 60% ao mês até o final do ano, porque as pessoas ainda estão entendendo o que é alimentar o animal de forma natural.” A meta das sócias é recuperar o investimento de R$ 90 mil em 18 meses.

Outro negócio voltado à alimentação saudável de cães é a Padaria Pet, inaugurada pelos gêmeos Rodrigo e Ricardo Chen, em agosto passado. Os engenheiros mecatrônicos conheceram o modelo de negócio em 2010, durante viagem aos Estados Unidos.

Os irmãos Chen, donos da Padaria Pet

Os irmãos Chen, donos da Padaria Pet

“Voltamos da viagem e começamos a desenvolver o projeto, mas como temos outras empresas, não tínhamos tempo. Com a crise, alguns negócios ficaram estagnados e pudemos olhar com carinho o mercado pet, que cresce ano após ano.”

Na Padaria Pet é possível comprar produtos orgânicos, biscoitos integrais, patês para cães alérgicos, rações sem transgênicos, picolés, bolos, cerveja, comidas diversas e mais de 60 petiscos artesanais sem adição de conservantes e corantes.

Rodrigo conta que o espaço tem, ainda, área para a realização de festa de aniversário, também usado para a realização de cursos e workshop. “A primeira unidade foi aberta em Pinheiros, a segunda, na Rua Oscar Freire em fevereiro deste ano e é usada como loja conceito para o projeto de expansão por meio de franquias. “Estamos avaliando os candidatos para iniciar a abertura de novas lojas. Vamos começar a assinar os contratos até o final do mês.”

A marca oferece modelo de franquia virtual e paga porcentual sobre as vendas. A loja física custa entre R$ 150 mil e R$ 300 mil. O modelo food truck pode ser montado com bicicleta, moto ou carro. O investimento varia entre R$ 50mil e R$ 100 mil. “A vantagem desse modelo é poder deslocar a loja para parques e eventos”, diz Chen.

A rede de franquia especializada em cursos de confecção e moda Sigbol Fashion também enxergou oportunidade de explorar esse mercado. Desde o ano passado, a marca oferece formação em moda pet. “Como este é um dos segmentos menos afetados pela crise, decidimos incluir o curso entre os 30 que oferecemos”, diz o diretor, Aluízio de Freitas.

Aluizio de Freitas, diretor da Sigbol Fashion

Aluizio de Freitas, diretor da Sigbol Fashion

 

Dura oito meses, com uma aula semanal de duas horas e a mensalidade é de R$ 429. Os alunos aprendem a confeccionar roupas, chapéus, bolsas e camas para cachorros.

Aluna da Sigbol, Fernanda Trentin já trabalhava com personalização de roupas femininas e agora está empolgada com o retorno do novo serviço. “Estou faturando 50% a mais com a produção de moda pet.”

Franquia de clínica veterinária ainda é pouco explorada

Veterinária e fundadora da Clinicão, Monique Rodrigues Cesário Silva conta que o negócio foi criado em 1993. No ano passado, ela iniciou o projeto de franquia. “Foram 23 anos trabalhando com clínica e pet shop. A franquia foi pensada para oferecer solução em gestão aos veterinários. Eles costumam ter grande dificuldade na administração”, afirma.

Segundo ela, há no mercado excelentes veterinários que não conseguem manter o negócio por dificuldades de gerir o empreendimento. “Sei disso por experiência própria. Quando meu marido e eu criamos a clínica, foi bem complicado porque na faculdade de veterinária não tivemos nenhum aprendizado relacionado a gestão”, diz.

Monique, dona da Clinicão

Monique, dona da Clinicão

A empresária conta que eles tiveram de buscar apoio do Sebrae, além de fazer pós-graduação e MBA em gestão.”

Monique afirma que há no mercado muitas franquias de pet shop, mas de clínicas veterinárias ainda não é comum. “Nosso modelo é de franquia de serviços veterinários. Oferecemos dois formatos: consultório e clínica.”

Ela recomenda que os franqueados comecem, preferencialmente, com consultório para ir crescendo de forma sustentável, com foco na área de saúde. Mas podem conciliar venda de medicamento e alimento.”

O investimento inicial para montar um consultório da marca é R$ 180 mil. “Neste modelo, o médico não pode fazer cirurgia no local, e se quiser oferecer internação, precisa manter plantão veterinário 24 horas.”

Já para montar a clínica, o investimento é R$ 500 mil. No local, o profissional pode oferecer consultas, cirurgias, vacinação, internação e serviços de estética. Inicialmente, a operação requer três funcionários, mas pode chegar a 20.

Com larga vivência no mercado pet, Monique diz que 70% da demanda é para atendimento de cães. “Mas a população de gatos aumenta ano a ano. Nossos clientes buscam serviços cada vez mais técnicos”, afirma.

Terapia celular voltada aos animais

ratamentos de ponta também fazem parte dos cuidados com os pets. Desde o ano passado, a startup MEDMEP, que atua com terapia celular por meio de cultivo e armazenagem de células-tronco, oferece o serviço para pets e equinos.

“Há dois anos mudamos o foco do negócio para a área animal. Priorizamos a saúde veterinária enquanto não ocorre no País a regulamentação do uso de células-tronco para tratamentos de humanos”, afirma a sócia-diretora Marisa Lahan.

Ela diz que legislação brasileira tem restrições e só permite o uso de célula-tronco embrionária da própria pessoa para transplante de medula. “Futuramente, essa questão irá evoluir. Por isso, continuamos realizando pesquisas para tratamentos em humanos.”

Marisa diz que célula-tronco tem alto poder de se replicar e forte característica anti-inflamatória e reparadora. “Com a terapia celular é possível tratar várias patologias e lesões, com índice de rejeição bastante baixo”, afirma.

Segundo ela, o material para produzir a célula-tronco pode ser extraído da medula, de tecido adiposo e da polpa dentária, sendo que o mesmo procedimento é aplicado tanto em humanos quanto em animais.

Marisa Lahan sócia- diretora da MedMep

Marisa Lahan sócia- diretora da MedMep (em pé, à direita)

 

“A técnica tem evoluído muito no Brasil. Na MEDMEP, recebemos o material biológico do animal e fazemos o cultivo para a produção da célula-tronco. Treinamos e habilitamos veterinários para que façam a coleta do material e, posteriormente, a aplicação da célula-tronco.”

A empresária afirma que a procura tem crescido bastante. “Estamos investindo no trabalho cultural quanto ao uso da célula tronco como tratamento de terapia celular, apesar de existir há mais de duas décadas no mercado mundial e há mais de dez anos no Brasil, ainda é um tratamento considerado novo.”

A terapia celular pode ser usada no tratamento de patologias hematológicas, neurológicas, musculares, reprodutivas, dermatológicas, cardíacas, respiratórias, renais e pancreáticas. “Em decorrência dos benefícios e da capacidade de restaurar células e órgãos lesados, o negócio de terapia celular deve crescer muito nos próximos anos.”

Ela conta que na área ortopédica, seu uso pode devolver os movimentos a um animal com rompimento da coluna vertebral. “A recuperação é muito rápida. A aplicação na área oftálmica também tem crescido bastante.”