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‘Não colocar ideias em prática é um erro’

Com 45 motoristas e frota de 149 veículos de alto padrão, publicitário cria grupo que transporta de celebridades a chefes de estado

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19 Março 2018 | 07h55

Leonardo Domingos Silva. Foto: Tiago Queiroz/Estadão

Por Matheus Riga
ESPECIAL PARA O ESTADO
Leonardo Domingos Silva estava comandando mais uma operação da sua empresa de locação de carros de luxo, a LDS Group. Um banco havia contratado seus serviços para levar os convidados da instituição até o local de um evento com investidores. De última hora, exigiu um veículo de alto padrão blindado para um ‘VIP’ que chegaria ao Aeroporto de Congonhas. Ao chegar lá, o empreendedor descobriu que iria transportar o ator Harrison Ford, famoso por papéis em filmes como Indiana Jones, Star Wars e Blade Runner.

Fundada em 2011, a contratação da LDS para levar o astro não foi à toa: a empresa escolheu atuar no mercado de luxo e se tornou conhecida por transportar personalidades famosas. Para isso, tem uma frota de 149 veículos, que incluem marcas como Ferrari, Mercedez Benz, Porsche e Audi. “Esses modelos de carro são padrão para presidentes de empresa, chefes de estado, ministros e cantores”, afirma. Mick Jagger, Bono Vox e Beyoncé são alguns dos que já utilizaram o seu serviço.

Apesar dos carros de luxo, Silva afirma que esse não é o principal diferencial da empresa. “Temos um serviço totalmente personalizado”, diz. “Minha equipe comercial faz todo o treinamento para que a experiência seja a melhor possível.” Além disso, requisições específicas, como suprir o veículo com algum tipo de alimento, bebida ou jornal, também são acatadas pela LDS, que atua somente em São Paulo e Rio de Janeiro.

Hoje, segundo ele, a operação já está bem consolidada. “Temos uma carteira de clientes fixa, como agências de turismo de luxo e consulados”, diz. O serviço, segundo ele, conta com 45 motoristas contratados pela CLT, e a empresa comumente utiliza 85% de sua frota. Silva não revela o faturamento.

Prática. Nem sempre, porém, as coisas foram assim. Silva teve outros empreendimentos até construir a LDS. “Sempre quis ter o meu negócio próprio”, conta. “Eu tenho muitas ideias e me considero um cara que coloca as coisas para acontecer.” Para ele, não pôr os planos em prática é o maior erro dos que querem empreender.

Seu primeiro negócio próprio, em 2001, foi uma banca de jornal dentro de um posto de gasolina. Com o fechamento do local para uma reforma, em 2004, ele fechou o seu empreendimento. Ao mesmo tempo em que tinha a banca de jornal no posto, abriu um café em Moema. Como esse negócio ia mal, decidiu vender. “Todo dinheiro que eu ganhei na banca, eu perdi no café.”

Logo depois, sua prima, que morava em Portugal, disse que havia uma oportunidade de emprego em Lisboa para trabalhar em uma agência de marketing – área em que se formou. Após dois anos, em 2006, voltou para o Brasil. E se tornou diretor comercial, até 2010, do negócio de locação de ônibus, micro-ônibus e van de seu irmão.

Enquanto trabalhava no empreendimento familiar, Silva teve uma experiência que abriu seus olhos para o potencial do mercado de veículos de luxo. Um cliente ligou para a locadora de ônibus e van querendo alugar um carro de alto padrão. “Eu falava que tinha, mesmo não tendo”, afirma.

“Depois, saí correndo atrás com o sogro do meu irmão e uma amiga da minha mãe para conseguir o carro.” Quando viu que esse tipo de negócio rendia até R$ 70 mil em cinco ou seis dias de locação, decidiu explorar esse nicho.

A LDS, no entanto, só começaria um ano depois. Com apenas um Ford Fusion e 24 parcelas do carro para pagar, Silva decidiu coemçar a trabalhar como motorista autônomo no Hotel Unique, em São Paulo. O empreendedor já tinha um bom relacionamento com o local, herdado da época em que trabalhava na empresa de seu irmão.

Aos poucos, não foi só conseguindo dinheiro para pagar o carro, mas também para chamar motoristas autônomos para trabalhar com ele. “Assim, comecei a ter giro no hotel, consegui clientes paralelos, e a empresa começou a ganhar corpo”, conta Silva. Logo depois, conseguiu formalizar a empresa e ampliar a frota de carros, focando no nicho que sempre quis.

O maior obstáculo ocorreu no momento inicial. “Para o pequeno empresário, é difícil conseguir linhas de crédito que apoiem novos negócios”, afirma. “Começar a criar uma reputação e conseguir capital é muito difícil.” Apesar disso, o negócio prosperou. “A empresa foi ganhando corpo, e eu fui comprando carros para a minha frota, sempre investindo no negócio.”

Hoje, a LDS está criando um novo tipo de serviço. Sob seu guarda-chuva, o aplicativo Urbano é um software de compartilhamento de veículos. Os 75 carros, elétricos e à combustão, da iniciativa ficam na rua e são liberados pela própria plataforma. A cada minuto é cobrado o valor de R$ 1,20 do usuário. “É preciso se reinventar”, diz, explicando a razão de ter criado o novo negócio. “Houve mudança de hábito no uso de carros no Brasil.”