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‘Não creio em franquia sem unidade própria’

Fundador de rede Siluets afirma que planejamento e modelo de negócio adotado ajudou a empresa a enfrentar a crise econômica

Claudio Marques

05 Março 2018 | 08h01

Ignácio Ferreiro. Foto> Amanda Perobelli / Estadão

Cláudio Marques
A crise econômica que atingiu a Europa a partir de 2007 levou o espanhol Ignacio Ferreiro a colocar em prática o que até então era só um projeto: vir para o Brasil e aqui montar um negócio. Casado com uma brasileira, ele já conhecia o País e vinha “namorando” o setor de estética, que afinal tornou-se alvo de seu investimento, junto com mais dois sócios.

Ele veio para cá em 2010 e em 2011 fundou a Siluets Estética, dedicada a tratamentos antienvelhecimento e de modelagem do corpo. Antes de abrir a empresa, passou um ano viajando e analisando o mercado. “Eu precisei entender, estudar o mercado, para não cair no típico erro da empresa europeia que chega aqui com o mesmo modelo de negócio e não se adapta”, conta.

“E acho que fizemos certo, porque inauguramos no mesmo ano em que duas ou três empresas europeias também o fizeram, mas elas não estão mais aqui, enquanto nós estamos e ficamos cada vez mais fortes. Então, alguma coisa boa devemos ter feito naquele estudo.”

Decidiu posicionar o negócio voltado preferencialmente para o público B, trouxe máquinas e tratamentos de ponta, criou um centro de pesquisa e treinamento e logo se tornou um franqueador. Hoje, além das 85 unidades da Siluets Estética, o braço mais recente do negócio é o Siluets Laser, que já tem 15 unidades, apesar de ter iniciado operações no ano passado. O grupo faturou R$ 75 milhões e o empresário prevê crescimento de 25% neste ano.

Meta. Ele acredita que a meta é viável, pois o negócio vem crescendo dois dígitos, mesmo no período de crise. “Nas crises, os melhores acabam ficando com a melhor parte do bolo. Acho que estávamos mais preparados, por causa d aquele trabalho prévio que fizemos, e às vezes ninguém valorizava, pois todo mundo estava jogando os preços lá embaixo e nós optamos pela inovação e resultado. Quando a situação econômica ruim chegou, muitos negócios viram que os números não se sustentavam, mas os nossos se sustentavam.”

No setor, as inovações também são constantes. “Do mesmo modo que a tecnologia nos celulares avança em grande velocidade, são cada vez mais rápidos, fazem cada vez mais processamentos, nos equipamentos estéticos ocorre o mesmo.”

Esse quadro, segundo ele, melhorou os tratamentos e reduziu os custos. Ferreiro diz que há 20 anos, havia equipamentos que traziam poucos resultados e se pagava um bom dinheiro por ele. “Hoje, se consegue fazer tratamentos bem legais por um custo bem menor.”

Existe, por exemplo, a criolipólise, o carro-chefe da Siluets Estética. Consiste em congelar a gordura a uma temperatura , entre 6 e 8 graus Celsius negativos, durante algum tempo.

“Há diferentes protocolos, pode ser 50 minutos ou uma hora. Isso provoca uma reação no corpo que em um mês, até dois meses, vem os resultados finais, mostrando que se elimina realmente a gordura”, conta. “A criolipólise é nossa estrela, com mais de 55 mil áreas tratadas (nos pacientes).” Agora em março, deve ser lançada criolipólise para o tratamento de papadas. As clínicas ainda oferecem tratamentos de preenchimento, como Botox, entre outros.

Pesquisa. Ferreiro afirma que um grande diferencial da empresa é o centro de pesquisa e treinamento, onde trabalham seis profissionais da área da saúde. No local, são testados os aparelhos e desenvolvidos e aperfeiçoados os protocolos de tratamentos.

“O que fazemos é pegar todos os equipamentos que existem no mercado, e os que vão saindo, e vamos comparando um com o outro e vendo os resultados. Isso nos permite ir melhorando nossos protocolos e termos protocolos próprios”, conta.

“Fazemos todos os testes e protocolos primeiro no centro de treinamento e depois nas lojas próprias (uma da estética e outra de depilação). Quando dá resultado, passamos para os franqueados.” E acrescenta: “Nossas características são inovação e suporte ao franqueado.” Sobre o motivo de ainda ter duas lojas, embora hoje seu foco seja a expansão da rede, argumenta que precisa vivenciar os problemas da unidades em primeira pessoa. “Não acredito em franquias que não têm unidade própria.”

Escolha. Ele diz que usa os melhores equipamentos, porque se um franqueado de laser, por exemplo, que depende 100% do equipamento ficar sem ele por causa de um defeito, haverá perda de faturamento e um grande problema para a franqueadora.

O negócio Siluets Laser foi desenvolvido para ser instalado em pequenos espaços em shoppings e hoje tem nos homens 25% de seu público, que procura por depilação definitiva. O investimento para ter uma franquia está em torno de R$ 790 mil. Um valor alto, Ferreiro reconhece, mas afirma que o faturamento do ponto fica entre R$ 200 mil e R$ 250 mil e proporciona um ganho líquido de 20% para o franqueado.

A Siluets Estética só tem lojas de rua. Todas unidades têm quatro ou cinco cabines de atendimento e os mesmos tratamentos equipamentos. O investimento é de R$ 400 mil.