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‘O ideal é crescer de forma orgânica’

Segundo o diretor-geral da Campus Party Brasil, Tonico Novaes, o empreendedor precisa focar nos clientes, não apenas nos investidores

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04 Dezembro 2017 | 07h39

Tonico Novaes. Foto: Hélvio Romero/Estadão

Letícia Ginak
ESPECIAL PARA O ESTADO
Na linha de frente da Campus Party Brasil, o principal evento de tecnologia do País, Tonico Novaes é um dos agentes mais influentes na fomentação do segmento digital e tecnológico.

Atualmente, por mais que ocupe o posto de diretor geral da feira e a diretoria de novos negócios da MCI Brazil, empresa do MCI Group presente em mais de 31 países, o administrador por formação acumula também uma sólida experiência no empreendedorismo. Novaes comandou iniciativas na área de eventos que bateram recordes de público e patrocínio entre 2012 e 2015.

Quando o assunto é cultura empreendedora, Novaes observa que “o brasileiro é um povo otimista e que está sempre acreditando que tudo vai dar certo, por isso tende a empreender com muita naturalidade.”


Profissionalização. A democratização da informação e do conhecimento por meio da internet é o ponto chave para a profissionalização do empreendedorismo no Brasil. “A tecnologia está presente em todos os ambientes, principalmente para as novas gerações. Eles não precisam de uma faculdade presencial para ter uma formação ou especialização. É possível ter acesso a educação online.”

Novaes ainda acredita que faltava a ponta da educação para o empreendedor brasileiro, e que a democratização do ensino preenche essa lacuna.

“Antes tinham muitas empresas abrindo e fechando rapidamente, hoje em dia essa taxa de conversão está diminuindo, porque as pessoas estão conseguindo se preparar melhor para abrir e permanecer com o negócio”, acredita.

Startup & Makers. Não há nada mais atual do que falar de empreendedorismo e tecnologia. Desde 2012, a Campus Party reúne no espaço Startup & Makers mais do que aficionados pelo universo online, mas também jovens talentos.

“Dentro dessa seção temos a Campus Future, em que trazemos projetos de inovação das universidades para se conectarem com a sociedade. Esses projetos em contato com investidores, aceleradoras e incubadoras podem virar uma startup num futuro próximo ou até mesmo solucionar os problemas de uma empresa”, explica.

Sucesso no Brasil. Estamos vivendo um boom de startups nacionais surgindo nos últimos anos, mas um ponto em comum entre elas é que muitas passam por um período de aceleração fora do País, principalmente no Vale do Silício, na Califórnia.

Para Novaes, essa é uma realidade que pode mudar em breve, pois a consistência das startups nacionais só aumenta. “É óbvio que o mercado nos Estados Unidos está muito mais desenvolvido. E o problema é que o Brasil ainda enfrenta burocracias.”

Legado. Essas evoluções do empreendedorismo no Brasil deixam o terreno fértil para as novas gerações, diz Novaes.

“É necessário que o empreendedor consiga se sustentar com a empresa, que é o que chamamos de booststrap. Ou seja, é se manter de forma orgânica, sem necessitar de investidor. Ter um (investidor) por trás que coloca milhões no seu negócio acaba deixando as coisas mais fáceis, mas o ideal mesmo é crescer de forma gradual, trazendo clientes, mostrando que o seu produto é bom e funciona no mercado”, conclui.