‘O mais importante é ter paixão pelo que se faz’
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‘O mais importante é ter paixão pelo que se faz’

Fundador da rede de serviços de podologia Doctor Feet diz que para o negócio dar certo também é preciso ousadia e muita persistência

Claudio Marques

05 Fevereiro 2018 | 07h17

Jonas Bechelli, fundador da rede Doctor Feet – Foto: Nilton Fukuda / Estadão


Cláudio Marques

A rede de serviços de podologia Doctor Feet foi criada há 20 anos por Jonas Bechelli, então com 22 anos, depois de deixar de trabalhar no empreendimento do pai. “Trabalho em empresa familiar é muito difícil”, diz. Surgiu então a ideia de montar um negócio para oferecer serviços de podologia. Uma ideia calcada na sua percepção e experiência. “Eu frequentava uma rede de podologia, sempre tive problema de unha encravada, e via que era tudo desorganizado, sem padrão de qualidade, cada loja era de um jeito”, conta. “Quanto à demanda, quem tem pé precisa de podólogo”, acredita. Assim, em 1998, investiu o dinheiro da venda do apartamento onde morava e abriu, no Shopping Aricanduva, a primeira loja Doctor Feet. Em 2002, a marca também se tornou franqueadora. Hoje, são 80 lojas no total, que somam mil funcionários. O faturamento do grupo é de R$ 54 milhões. A seguir, trechos do depoimento de Bechelli.

Visão
Como consumidor, eu via que o serviço tinha uma grande demanda, e que os serviços ofertados não tinham padrão de qualidade. Isso me incentivou.

A receita
O negócio deu certo porque, primeiro, eu trabalhava 12 horas por dia. Segundo, porque a demanda por serviços e cuidados é crescente no mundo todos. As pessoas querem estar mais bonitas, mais saudáveis. E ninguém consegue viver com uma unha encravada ou com um calo no pé.

Destaque
Nossas cabines sempre foram individuais e com um ambiente agradável. Treinamos e damos qualificação para nossos profissionais. E hoje a Doctor Feet é a única a possuir um kit de atendimento individual. Quando o cliente chega à loja, recebe o kit, que vem com todo o material que será usado nos pés dele. É uma coisa única, só existe em nossa rede. No kit, já está tudo esterilizado, também há luvas de procedimentos e lixas, que não são reaproveitadas.

Rede
Quando se tem uma rede, uma dificuldade é manter o foco e também não perder o padrão de qualidade do serviço que você presta. Porque se você não tem juízo e começa a ganhar algum dinheiro, você começa a se distanciar do negócio. E aí começa a dar errado.

A expansão
Fizemos a expansão sempre com empréstimo e parcelando tudo que desse. Ou seja, precisa de muita ousadia para dar certo na vida.

Cultura
Eu não montei o negócio para ser uma franquia, mas sim para ser uma rede de lojas próprias, porque venho de uma cultura de lojas próprias. Só abrimos uma franquia quando um cliente falou que gostaria de se tornar um franqueado. Nessa época, em 2002, já tínhamos 13 lojas próprias. Foi difícil com a franquia, é outro planeta. Hoje, estamos em 14 Estados com 80 lojas.

Comportamento
Com a rede, achava que podia perder o controle, e no início eu estava presente em todas as lojas. Com o tempo eu fui mudando, você vai confiando em pessoas, delegando para poder seguir. Exigiu uma mudança comportamental da minha parte – sempre fui centralizador.

Grande peso
Sinceramente, o momento mais difícil (na vida de empreendedor) foi a decisão de abrir a primeira lojea. Depois, você está envolvido no negócio, e quando você acredita no que faz e faz com amor, acho que tudo vai dando certo.

Erro
Acho que um erro é olhar as condições externas, a economia do País, e não olhar para seu umbigo, para as coisas em que você acredita. Olhar (para as condições externas) pode ser um inibidor de apetite e de ousadia (para empreender). Tem de olhar para as coisas em que você acredita e mandar ver.

Crise
É uma época em que estamos mais cautelosos. Mas não deixamos de acelerar em nenhum momento. Sentimos perdas sim, mas na quantidade de pessoas interessadas em serem franqueadas. As notícias influenciam muito negativamente os potenciais candidatos a empreendedor. Mas é um mercado que não teve queda nenhuma, absolutamente nenhuma.

Necessidade
Eu acho que um negócio criado para suprir uma necessidade pode ser um sinal de que é um negócio palpável. O mais importante é ter paixão por aquilo que você vai fazer. Paixão por pessoas, por administrar e paixão pela atividade em si.

Persistência
Para quem pretende empreender, é necessário ousadia, persistência e persistência. Não é porque em um primeiro momento está dando errado que não dará certo.

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