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Pequenas e médias empresas na mira dos investidores estrangeiros

ligiaaguilhar

quarta-feira 19/01/11

Os investidores estrangeiros estão de olho nas pequenas e médias empresas brasileiras. Esse foi o principal recado do painel “Desmistificando o Silicon Valley – Quais são os erros e problemas mais comuns no Vale e como o Brasil pode aprender com eles”, realizado na manhã desta quarta-feira (19), na Campus Party. Os empreendedores Daniel Heise, […]

Os investidores estrangeiros estão de olho nas pequenas e médias empresas brasileiras. Esse foi o principal recado do painel “Desmistificando o Silicon Valley – Quais são os erros e problemas mais comuns no Vale e como o Brasil pode aprender com eles”, realizado na manhã desta quarta-feira (19), na Campus Party.

Os empreendedores Daniel Heise, CEO da Direct Talk, empresa especializada em tecnologias para o atendimento ao consumidor, e Marco Perlman, fundador da Digipix, empresa especializada em soluções para utilização de imagens digitais, afirmaram que já foram sondados por investidores estrangeiros que estariam interessados em entender o mecanismo de funcionamento de uma empresa no Brasil e os riscos de aportar recursos no País . “Recentemente, estive em uma reunião com investidores ingleses que queriam saber tudo sobre a dinâmica de uma empresa no País. E o interesse deles é comprar tudo”, disse Heise ao Estado.

Esse movimento dos investidores teria começado há cerca de seis meses. “Não sei nem como conseguiram meu telefone”, diz Heise. O foco desses investidores seriam o empresas com projetos mais maduros e estáveis, com menor risco de investimento. “São grupos da região de Boston, nos EUA, mais focados no retorno financeiro. Os investidores da Califórnia, mais interessados em inovação, ainda não estão entrando em contato.” Heise diz ainda não ter recebido propostas concretas.

Durante o debate, que teve ainda a participação de Ludmilla Figueiredo, coordenadora da área de cultura empreendedora do Instituto Endeavor e Bob Wollheim,  sócio-diretor da Brand Conversations, Venture Corp. do Instituto Empreender Endeavor, foram discutidas também as diferenças que dificultam a disseminação da cultura empreendedora no Brasil da mesma forma que ocorre nos Estados Unidos. Uma delas seria a falta de estímulo ao empreendedorismo dentro das universidades, o que seria feito de forma muito consistente e profissional nas universidades americanas.  Outros problemas são a dificuldade para contratação e demissão de funcionários e para a abertura e fechamento de uma empresa, que impedem o empreendedor de enfrentar o principal risco de um novo negócio: fracassar. Por último, os empreendedores se queixaram também da falta de recursos para investimento nas start-ups. Para correr menos riscos, os fundos de investimento preferem apoiar projetos mais maduros e consolidados, enquanto jovens empreendedores são os que mais necessitam de recursos para levar projetos inovadores adiante.