Procura-se empresa inovadora ambiental
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Procura-se empresa inovadora ambiental

Fundo lançado pelo BNDES dispõe de R$ 80 milhões para serem investidos em serviços ou produtos com "pegada" ecológica

CRIS OLIVETTE

24 Abril 2016 | 07h19

Os donos da CHP (a partir da esquerda),  Guilherme Richter,  Leonardo Mauro Jr , Bruno Richter e  Fábio França

Os donos da CHP (a partir da esquerda),
Guilherme Richter, Leonardo Mauro Jr , Bruno Richter e Fábio França

O Fundo de Inovação em Meio Ambiente (Fima), criado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), dispõe atualmente de R$ 80 milhões para serem investidos em pequenas empresas que tenham criado produtos ou serviços inovadores, voltados à melhoria ambiental.

Os recursos são geridos pela Inseed Investimentos e pela Performa Investimentos, responsáveis por prospectar negócios com alto potencial de crescimento, que tenham como foco o meio ambiente.

Criado em 2012, o Fima destinou R$ 165 milhões à Inseed e R$ 176 milhões à Performa. Juntas, as duas gestoras do fundo já aportaram R$ 261 milhões em 15 empresas. Agora, buscam cerca de oito negócios para investir os R$ 80 milhões restantes.


Fundada em 2011, a CHP Brasil Indústria e Comércio de Geradores está entre as empresas já selecionadas. “Recebemos a primeira parte do aporte de R$ 7,5 milhões no início do ano. O recurso será usado para aumentar nossa capacidade de produção, expandir a área comercial, desenvolver novos produtos na área de energia alternativa, contratar pessoal e implantar a área de marketing para divulgar o produto e a marca”, diz Fábio França, um dos quatro sócios.

A CHP produz e comercializa geradores a gás natural canalizado e a biogás. “Nosso produto não é poluente, além disso, o biogás e é uma fonte de energia renovável. Nosso objetivo é substituir a matriz de geradores a diesel, que domina 90% do mercado e junto com o carvão e a lenha são as fontes de geração de energia mais poluentes, por geradores a gás natural.”

Segundo ele, a CHP atende segmentos diversificados como residência, supermercado, laboratório farmacêutico, condomínio, shopping center, clínica e grandes indústrias. A empresa tem 20 funcionários e faturou R$ 10 milhões em 2015.

França conta que um representante do fundo participa das decisões estratégicas do negócio. “É um sócio que entrou para complementar e ajudar no dia a dia da empresa.”

Fundada em 2003, a Akmey Brasil nasceu para oferecer alternativa menos poluente à indústria têxtil. “A ideia do negócio foi dos meus pais, que são químicos. Eles criaram um modelo mais sustentável. O processo de tingir e beneficiar os tecidos é muito agressivo tanto para os tecidos quanto para o meio ambiente, por ser poluidor e consumir grande volume de água”, diz Massaru Aragão, um dos três filhos do casal. Todos trabalham na empresa.

Massaru Aragão, filho dos fundadores da Akmey

Massaru Aragão, filho dos fundadores da Akmey

Ele conta que a Akmey produz produtos químicos para indústrias têxteis a partir do uso de biotecnologia. “Nossos produtos reduzem de 15% a 20% o tempo do processo, proporcionando diminuição do custo produtivo em torno de 10%.”

Outros benefícios são a redução do consumo de água e de energia, além de proporcionar artigo de melhor qualidade e durabilidade. “Com esse modelo, conquistamos aporte de R$ 3,5 milhões em outubro de 2015.”

Segundo ele, o dinheiro está sendo usado para expandir a empresa e divulgar o conceito do negócio no mercado. “Vamos ampliar a linha de negócios, estruturar a equipe comercial e profissionalizar os setores administrativos. Também iniciamos a internacionalização da marca na América Central e Latina.”

Após passar quatro anos desenvolvendo tecnologia inovadora voltada ao agronegócio, a TBIT chegou ao mercado em 2012. “Lançamos um sistema de análise de grãos, sementes e folhas automatizado, que substitui o processo de qualidade manual”, afirma Igor Chalfoun, um dos sócios.

Segundo ele, a tecnologia traz agilidade, confiabilidade, precisão e padronização ao processo, resultando em sementes, grãos e folhas de melhor qualidade. “Nosso negócio contribui para a solução do desafio da segurança alimentar, que é uma preocupação global. Conseguimos reduzir em até 80% o tempo de análise e padronizar processos que não existiam.”

Igor Chalfoun fundador da TBIT

Igor Chalfoun fundador da TBIT

Chalfoun diz que em 2014 a empresa recebeu R$ 2,1 milhões de aporte do Fima. “Com o recurso, estruturamos e amadurecemos a empresa. Aceleramos em vários anos o processo de maturação, porque o apoio também envolve conhecimento e rede de contatos, tão importantes quanto o dinheiro.”

Atuando desde 2007 no segmento de revestimentos para móveis, pisos, paredes, portas e batentes, a Lamiecco produz laminados ecológicos a partir da reciclagem de garrafas pet e pneus. “Reciclamos mais de oito milhões de garrafas pet por mês. Para cada 3 m² de piso ecológico Lamiecco, usamos 30 garrafas pet e um pneu de veículo de passeio. Já no revestimento para parede e box, usamos dez garrafas por m²”, conta Alexandre Figueiró, um dos sócios.

Ele afirma que a relação entre sustentabilidade e inovação sempre marcou o desenvolvimento dos produtos. “Essa postura resultou no aporte de R$ 9 milhões, feito em janeiro de 2014, pelo Fundo de Inovação em Meio Ambiente.”

Segundo ele, desde então, um representante da Inseed participa do conselho e dá suporte nas decisões. “Estamos usando os recursos para ampliar o mix de produtos e na compra de equipamentos. Hoje, cerca de 30% do faturamento já vem dos novos produtos. Também ampliamos o uso de ferramentas para planejamento estratégico e implantamos controles.”

Alexandre Figueiró, dono da Lamiecco

Alexandre Figueiró, dono da Lamiecco

Figueiró conta que a meta da empresa é triplicar o faturamento nos próximos cinco anos. “Nossa taxa de crescimento médio, desde a fundação, tem sido de 22% ao ano.”
Segundo ele, os produtos da Lamiecco têm maior resistência a impactos e umidade, e alta durabilidade das cores. “Hoje, temos 45 funcionários e capacidade produtiva de um milhão de m² por mês. Esse dado comprova que temos um indicie de automação elevado. Fábricas com capacidade produtiva semelhante precisam ter, em média, 200 funcionários.”

O empresário diz que o próximo lançamento da marca ocorrerá dentro de um mês. “Trata-se de um piso patenteado pela Lamiecco e criado para substituir os pisos vinílicos. Todos os lotes do produto têm atestado de qualidade”, afirma.

Ele diz que o preço será de 10% a 15% mais competitivo. “Com a vantagem de ser sustentável e com capacidade superior de atenuar ruído, por conta da borracha de pneu que faz parte da composição do produto.”

O diretor da Inseed Investimentos, uma das gestoras do Fundo de Inovação em Meio Ambiente (Fima), Alexandre Alves, diz que o tempo de permanência do fundo nas empresa é, em geral, de dez anos. “Esse prazo é dividido entre o período inicial de quatro anos, quando ocorrem as etapas de investimento, e mais seis anos para maturar o aporte. Em seguida, ocorre o desinvestimento com a venda da cota de participação.”

Alexandre Alves, diretor da Inseed Investimentos

Alexandre Alves, diretor da Inseed Investimentos

 

Alves diz que o fundo participa da gestão do negócio como um sócio. “Injetamos recursos para expandir empresas inovadoras com atuação associada a uma questão ambiental relevante. Esses tipos de negócios merecem obter apoio para crescer no Brasil e no exterior. Somos sócios ativos com metodologia de gestão apurada”, afirma.

Ele diz que além dos R$ 30 milhões do Fima que a Inseed tem disponível para investir em empresas que faturam até R$ 20 milhões, a gestora também tem R$ 202 milhões do fundo Criatec 3 para investir em empresas com faturamento de até R$ 12 milhões.

“Os empreendedores devem aproveitar essa oportunidade. Para obter detalhes, basta acessar a página www.inseed.com.br/fundos/fima e preencher um formulário para iniciarmos contato.”

Outra empresa que faz gestão do Fima é a Performa Investimentos. O sócio Guillaume Sagez conta que tem R$ 50 milhões para serem investidos em empresas que tenham um grande potencial de crescimento.

“De maneira geral, procuramos empresas com atuação nos segmentos de geração de energia renovável e distribuída, otimização de processo de logística, química verde, tratamento de resíduo e de água, e eficiência energética. Gostamos de investir em empresas que já estão operacionais e que precisam de recursos para crescer.”

Sagez afirma que a Performa não investe em empresas com faturamento superior a R$ 100 milhões. “Nosso mundo é das pequenas e médias empresas. Qualidade e motivação dos empreendedores em executar o plano de negócio são diferenciais que consideramos.”

Segundo ele, para pleitear o aporte basta acessar o site http://www.performainvestimentos.com/#/contato e encaminhar o projeto para análise. “Estamos montando o fundo Performa 3 que também terá pegada ambiental. Ele será lançado até o final do ano e será voltado para as áreas de agricultura, saúde e educação.”