Programa de aceleração  seleciona startups
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Programa de aceleração seleciona startups

Negócios com base tecnológica têm até o dia 20 de agosto para realizarem inscrições

CRIS OLIVETTE

23 Julho 2017 | 07h31

Regina Diniz (à esq.) e Luiza Granado. Foto: Thais da Cunha/Divulgação

Desde 2014, a endocrinologista Regina Diniz e a economista Luiza Granado desenvolviam o projeto de um aplicativo para que pacientes pudessem gerir própria saúde, mas não conseguiam chegar a um modelo rentável. “Em dezembro de 2015, soubemos do Programa de Promoção da Economia Criativa, promovido pela Samsung, que tem como objetivo apoiar e acelerar negócios com base tecnológica. Nos inscrevemos, fomos aprovadas e começamos a aceleração no Cietec, em janeiro de 2016”, conta Regina.

A médica afirma que o período na aceleradora serviu para aperfeiçoar a usabilidade e designer do aplicativo, bem como a experiência do usuário. “Além de melhorar a ferramenta, remodelamos o negócio, que passou a focar pessoas que sofrem de obesidade e diabetes.”

Segundo ela, a ideia inicial era atuar em parceria com programas de adesão da indústria farmacêutica. “Mas conseguimos avançar com essa ideia. Então, a proposta passou a ser de um serviço que além de ser online também tem operação offline. Foi assim que nasceu a clínica conectada Dr. Recomenda.”


Regina diz que o paciente que vai à clínica passa a integrar um programa de emagrecimento e prevenção de doenças decorrentes da obesidade. “Inovamos também no modelo offline ao oferecer um tratamento em circuito”, diz.

Ela conta que na primeira consulta o paciente passa pelo endocrinologista, nutricionista e faz exame para avaliar a composição corpórea. “A partir daí, por meio do aplicativo, passa a ter suporte dos médicos e pode acessar os resultados dos exames, suas receitas, além de monitorar peso e pressão arterial.”

Segundo ela, o pagamento do programa pode variar de um mês até nove meses. “O custo inclui consultas, exame de porcentual de gordura, acompanhamento feito pelo aplicativo, desafios, trabalho de coaching motivacional e recomendações online.”

O modelo entrou em operação em março. “Desde então, os pacientes que aderiram ao programa já eliminaram mais de uma tonelada de quilos. É um resultado bem superior ao que estava acostumada a obter quando atuava com um consultório comum.” Dentro de um ano, a ideia das sócias é expandir por meio de franquia.

A médica afirma que participar do programa foi muito interessante. “Conversamos bastante com especialistas e mentores. A Samsung nos ajudou muito na parte de tecnologia e experiência do usuário e o Cietec nos auxiliou a criar um modelo de negócio que fosse realmente rentável.”

Programa. Assim como as sócias da Dr. Recomenda, empreendedores que têm projeto de base tecnológica e desejam passar por processo de aceleração têm até 20 de agosto para fazer inscrição pelo portal http://anprotec.org.br/samsung e concorrer a uma vaga na terceira turma do Programa de Promoção da Economia Criativa.

A iniciativa é uma parceria entre Samsung, Associação Nacional das Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec) e Centro de Economia Criativa e Inovação Daegu, da Coreia do Sul. O objetivo é fomentar a cultura do empreendedorismo inovador e incentivar a geração de negócios de impacto no Brasil.

Este, é o terceiro ano consecutivo em que o Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia (Cietec), gestor da incubadora de base tecnológica da USP/IPEN, é selecionado para ser uma das incubadoras participantes do programa.

“Essa participação é muito importante, pois cresce no País a cultura de inovação, com base na experiência de incubadoras locais, mas também do conhecimento vindo de outros países, como a Coreia, neste caso. Vejo que empresas incubadas em anos anteriores já estão tendo ótimos resultados”, afirma Sérgio Risola, diretor executivo do Cietec.

A Stratos360, empresa especializada em realidade virtual, fotos e vídeos em 360 graus está no mercado desde 2010, mas participa do programa, que será encerrado em setembro, com o objetivo de desenvolver a plataforma Stratos Conecta.

Rodrigues e Luciana (à esq.), com integrantes do time da Stratus Conecta

Renato Rodrigues, um dos sócios, conta que a ideia surgiu de uma necessidade do mercado de baratear o custo de imagens em 360º. “Uma imobiliária nos procurou para que fizéssemos imagens de quatro mil imóveis em 360º, como se fosse um passeio virtual por dentro de cada imóvel. Esse serviço ficaria inviável em termos de custo tanto para o cliente quanto nós.”

A partir da demanda ele e a sócia, Luciana Silva, tiveram a ideia de criar a plataforma Stratos Conecta que vai conectar as fotos feitas pelos clientes para criar o tour virtual em 360º.

Segundo ele, os interessados em produzir tours virtuais na Stratos Conecta terão de comprar uma câmera fotográfica que faz fotos em 360º, produzir as imagens e inseri-las na plataforma.

Luciana diz que os clientes receberão treinamento virtual para usar a câmera fotográfica, a plataforma e sobre como publicar o tour virtual no site de sua empresa ou nas redes sociais.

“Nosso mentor, recomendou que tivéssemos foco em um determinado segmento, para que o produto fosse mais efetivo. Por uma questão de estratégia, focamos no ramo imobiliário. Porém, a plataforma é multimercado e está sendo construída para atender outros segmentos”, diz Luciana.

Rodrigues afirma que a receita será proveniente da mensalidade de cada foto exposta na plataforma. “A rentabilidade virá do volume de fotos expostas. A partir do momento em que o cliente não quiser mais manter as imagens em nossa plataforma, poderá parar de pagar a mensalidade e as imagens sairão do ar e serão armazenadas no banco de fotos dele.”

O sócios afirma que ao entrar no programa a ideia tomou outra forma. “O Cietec nos deu uma base de sustentação e um volume de inteligência que não teríamos se não fosse dessa forma. Muitas portas se abriram”a ressalta Luciana.

Pedro Kayatt (no centro), com equipe da VR Monkey

Um dos cinco sócios da VR Monkey, Pedro Kayatt conta que abriu uma empresa que fazia jogos para mobile em 2013. “Mas no começo de 2015, recebemos investimento anjo e fizemos uma mudança no rumo do negócio para entrar na área de realidade virtual.”

Quando os sócios souberam do edital do Programa de Promoção da Economia Criativa ficaram interessados. “Fomos selecionados e ingressamos no programa, em 2016, para desenvolver novo projeto.”

Kayatt  diz que ele e os sócios criaram um jogo de realidade virtual com várias fases para ser jogado com óculos de realidade virtual. “É um jogo que mistura a experiência de scape the room com Alice no País das Maravilhas. Segundo ele, esse tipo de jogo é uma tendência internacional e, no mundo físico, reúne um grupo de pessoas dentro de uma sala e o grupo precisa resolver desafios lógicos para escapar em menos de 60 minutos.Nosso jogo já alcançou mais de 500 mil pessoas desde que foi lançado para plataformas digitais. Vendemos mais de sete mil unidades e a versão gratuita tem mais de 60 mil usuários.”

O empreendedor afirma que participar do programa no Cietec permitiu que ele e os sócios desenvolvessem um produto de propriedade intelectual própria e que é escalável.

“Tivemos apoio para estudar melhor o mercado e visualizar o que seria potencialmente um hit. Inclusive, depois disso, nosso jogo foi indicado para duas premiações internacionais importantes.”

Kayatt  diz que a VR Monkey está aberta para receber investimentos. “Queremos aumentar nossa produção, fechar contratos com clientes internacionais e desenvolver mais produtos.”

Com quatro anos de operação, a Dev Tecnologia de Marcelo Pesse e mais três sócios também entrou no programa de aceleração para desenvolver um novo produto. “Entramos com outro projeto mas mudamos a proposta porque em conversas com os mentores concluímos que a ideia não teria grande apelo”, conta.

(a partir da esq.) Artur Polizel, Camilo Rodegheri, Silvia Takey e Marcelo Pesse, da Dev Tecnologia

Com a ajuda dos mentores, os sócios desenvolveram um projeto lúdico com apelo ambiental. “Criamos um dispositivo portátil com o objetivo de educar as crianças sobre os diferentes tipos de animais, suas características e necessidades para sobreviver.”

Segundo ele, com o dispositivo a criança entende como o meio ambiente é importante para os animais e o quanto as alterações no ecossistema afetam a sobrevivência das espécies.

Segundo ele, o dispositivo tem sensores que indicam temperatura e umidade do ar. “Conforme a criança brinca, aparecem animais de diferentes hábitats. Preparamos diversos ambientes e se a criança levar, por exemplo, um pinguim para um ambiente quente, ele reclama. De forma lúdica, a criança entende que qualquer mudança de ambiente é muito prejudicial aos animais.”

Bitbio é o nome do brinquedo. “Foi muito legal porque os mentores nos ajudaram a encontrar o caminho para desenvolver o protótipo e também nos indicaram alguns potenciais clientes. Agora, estamos procurando investidores para fabricar o brinquedo.”

Pesse afirma que a passagem pelo Cietec proporcionou vários benefícios como assessoria jurídica, comercial e de imprensa. “De forma geral, nos ajudaram muito, mas a principal contribuição foi o networking proporcionado e a troca de informações com os demais negócios acelerados”, diz.