Responsabilidade social corporativa
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Responsabilidade social corporativa

Claudio Marques

25 Outubro 2017 | 17h27

Ilustração: Pixabay

Por Alfredo dos Santos Junior*

Ações de Responsabilidade Social Corporativa (RSC) já fazem parte das estratégias das empresas há algum tempo e temos razões para acreditar que sua importância vai se intensificar rapidamente nos próximos anos. Em primeiro lugar, porque a sociedade civil, principalmente em sua forma organizada (SCO), tende a ampliar sua consciência sobre o impacto que as externalidades provocadas pela atividade empresarial causam junto às comunidades nas quais elas atuam. À medida que esta mesma SCO adquire consciência de sua força e poder de influência e se articula para exercer este poder, ela tende a pressionar as empresas para que assumam sua parcela de responsabilidade quanto às externalidades que geram e encontrem meios para eliminar ou, ao menos, diminuir este impacto.​

Por seu lado, as empresas tendem cada vez mais a perceber que não apenas devem cumprir sua responsabilidade social, como podem − conforme demonstram pensadores de gestão como Michael Porter, ao defenderem conceitos como os de valor compartilhado − obter vantagens estratégicas se conseguirem manter um relacionamento saudável junto às comunidades onde estão instaladas. De acordo com esta visão, tendemos a conceber as estratégias e políticas de RSC, como a definição e implementação de programas e projetos que a empresa venha a executar em parceria com instâncias representativas das comunidades: OSCs, conselhos, movimentos sociais, etc.


Tais parcerias serão mais ou menos eficazes na medida em que sejam concebidas e estruturadas a partir de um conhecimento mais completo que a empresa possa ter da comunidade envolvida e de um processo de aproximação e comunicação que torne claro quais são as necessidades, expectativas e objetivos de todas as partes, até mesmo das instâncias do poder público local. Parcerias, atuação conjunta, diálogo e conhecimento mútuo são palavras-chave para que este processo ganhe força. E aqui temos uma agenda de trabalho para os três setores da sociedade: governo, empresas e a sociedade civil.

Da parte das empresas deve existir uma disposição genuína de ajudar no desenvolvimento da comunidade junto à qual atua, e não apenas criar iniciativas que a levem a cumprir uma obrigação. É preciso que haja convicção de que atuar socialmente é promover um crescimento conjunto que vai beneficiar ambas as partes: empresa e sociedade. Também será preciso que a empresa resista à tentação de que conhece as necessidades da comunidade e leve até ela soluções prontas. Não se pode ignorar que uma comunidade, ao trabalhar diariamente para enfrentar desafios e aproveitar oportunidades, vai construindo um valioso ativo: seu capital social, composto por conhecimentos, experiências, poder de articulação e qualidade da solidariedade entre seus membros.

A empresa ganhará muito se, antes de pensar em oferecer soluções e projetos, procurar conhecer melhor as necessidades e expectativas da comunidade e usar seu capital social como ponto de partida para um trabalho conjunto. Também a comunidade precisa fazer sua parte e valorizar as iniciativas das empresas, abrindo-se para um trabalho conjunto e não simplesmente esperando receber recursos para suas atividades e projetos. Crescer juntos deve ser o grande princípio que deve animar a comunidade em suas relações com seus parceiros empresariais. Além disso, a comunidade deve procurar agir de forma articulada, e isto só será possível se organizações e movimentos sociais e outras lideranças trabalharem em conjunto, deixando de lado inúteis vaidades e investindo na cooperação em vez de na competição. E o poder público tem, também, um grande papel neste processo, participando ativamente do diálogo, apoiando com sua estrutura e políticas e facilitando o caminho para as ações conjuntas das empresas e da sociedade.

Nossa época é marcada pela interdependência: sozinhos, nenhum dos três setores, por mais poder e recursos que possuam, têm efetivas condições de atender as necessidades que surgem, nem dar conta dos desafios da realidade atual. Abertura para o diálogo, mobilização e trabalho conjunto são as atitudes necessárias para que aconteça o verdadeiro desenvolvimento.

* Administrador de Empresas, é Diretor Executivo do Instituto para Gestão das Entidades da Sociedade Civil (IGESC) e professor convidado da Faculdade FIA de Administração e Negócios.