Saiba como estar forte  para encarar  imprevistos
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Saiba como estar forte para encarar imprevistos

Atuar com custos fixos enxutos e saber identificar tendências são ações necessárias

CRIS OLIVETTE

18 Fevereiro 2018 | 07h06

Marcelle Leira Manzano. Foto: Tiago Queiroz / Estadão

Apesar da queda da inflação, da redução da taxa Selic e do desemprego, os empreendedores não podem baixar guarda, porque, como em anos anteriores, podem ocorrer turbulências que poderão afetar os negócios.

Para fortalecer a empresa e deixá-la preparada para encarar o que der e vier, principalmente em um ano no qual o ambiente político continua incerto, haverá eleições e Copa do Mundo, além de grande quantidade de feriados, é preciso ficar atento às dicas de especialistas.

“A imprevisibilidade política afeta os negócios, mas o gestor que trabalha com base em planejamento estratégico tem os objetivos do negócio bem definidos, tanto para venda quanto para o controle das despesas. Ele conseguirá superar este momento”, avalia o consultor do Sebrae, Ruy Barros.

Ruy Barros. Foto: Foto: Patrícia Cruz/A2 Fotografia

Entre outras medidas que podem minimizar os desafios deste ano, Barros recomenda que o empresário entenda seu negócio e saiba, por exemplo, quem são seus clientes em potencial. “Assim, poderá trabalhar melhor as estratégias para atrair mais público”, diz.

Sócio da consultoria BDO, Adriano Correa recomenda que as empresas mantenham a estrutura de custos fixos enxuta, negociem com fornecedores, para assegurar margens favoráveis e evitem grandes financiamentos, que poderão consumir boa parte da receita gerada.

“Quando as margens de rentabilidade e a estrutura de capital estão favoráveis, o empreendedor tem condições de trabalhar para aumentar a receita e fortalecer o negócio”, diz Correa.

Em termos políticos, ele afirma que ainda temos pouca clareza em relação às eleições. “Muitos partidos nem anunciaram seus candidatos ou coalizões. Há muita especulação, o que pode afetar os negócios.”

Oferecer produtos e serviços personalizados pode ser um diferencial importante na visão do gestor em estratégia de negócios, Clodoaldo Araújo.

Novidades. “Não importa qual é a área de atuação, o empresário precisa estar atualizado com as novas tendências e com coisas que acontecem no mundo, para que sirvam como fonte de inspiração na criação de diferenciais. Observar o cenário antes de investir é o melhor que os empreendedores podem fazer no momento”, afirma.

Ele também recomenda forte investimento nas redes sociais. “Dados da Agência de Marketing ‘We Are Social’ apontam que 90% das vendas de diversas empresas são realizadas pela internet. Essas transações movimentam cerca de R$3,6 milhões por ano no País. Além disso, manter uma empresa com locação física é caro e complicado, atuar apenas na internet pode ser uma solução para pequenos e médios empreendedores.”

Barros diz, ainda, que este é o momento de fortalecer e estabelecer o lugar do negócio no mercado. “Para isso, o empreendedor precisará se esforçar ainda mais. Irá crescer aquele que souber usar seus pontos fortes (que já deveriam ter sido identificados nos anos anteriores) para aproveitar as oportunidades que aparecerão.”

Segundo ele, o que deu certo no passado pode não funcionar agora. “Por isso, estar atento às tendências e não aos modismos pode ser uma das soluções.”

Eduardo Peres. Foto: Mariana Lima/Divulgação.

Economista e diretor de novos negócios da consultoria financeira GlobalTrevo, Eduardo Peres salienta que as empresas estão saindo de uma crise severa que, na maioria dos casos, drenou boa parte da capacidade de investimentos.

Dificuldade. “As empresas terão o desafio de encarar um mercado que exigirá capacidade de crescimento e adaptação às novas demandas. Isto, sem dúvida, será o maior desafio: atrelar baixa capacidade financeira à necessidade de aumento de produção e compra de insumos.”

Peres acredita que o maior impacto negativo para este ano será causado pelo menor número de dias úteis, devido a Copa do Mundo e feriados prolongados.

Atitude. A farmacêutica Marcelle Leira Manzano empreende há 14 anos, dez dos quais como franqueada. “Há quatro anos lancei minha marca, a Néctar Homeopatia.”

O negócio consiste em um laboratório de manipulação de medicamentos homeopáticos e florais, e uma loja de produtos naturais prontos, do segmento de bem-estar e saúde.

Para enfrentar os desafios de ser dona do próprio negócio, Marcelle faz cursos e participa de palestras. “No ano passado, para superar os desafios adicionais derivados da crise, contratei uma consultoria e implantei todas as orientações. Hoje, estou preparada para encarar os altos e baixos da economia de forma determinada, pois tenho um planejamento estratégico.”

Tática. Marcelle diz que procura encarar o trabalho como se o País não estivesse nesse período de incertezas. “Coloco a questão política, Copa do Mundo e eleições de forma paralela ao negócio, como se não fizesse parte da empresa, mantendo o foco nas metas estabelecidas e que têm data para serem alcançadas”, conta.

Entre as melhorias, cita ação de visual merchandising, que implicou na renovação do ambiente do ponto de venda e mudanças em alguns aspectos do marketing digital.
Marcelle afirma que na área de finanças aprendeu muito. “Agora, consigo identificar onde está ocorrendo algum problema e como revertê-lo.”

Outra melhoria foi a dinamização do tempo em relação ao preparo dos medicamentos por meio de mapeamento de processos. “Reduzimos o tempo tanto de produção de orçamentos como o de preparo dos medicamentos”, conta.

Segundo ela, ter planejamento permite alcançar melhorias e fazer o negócio avançar. Depois de 14 anos, sinto que tenho muito mais atitude. Minha meta é aumentar o faturamento em 20% este ano, além de construir mais um laboratório para ampliar a produção.”

Carlos Dranger. Foto: Douglas Luccena

‘Sucesso depende de diferenciais e de comunicação efetiva’

Entrevista: Carlos Dränger, fundador da consultoria Terapia da Marca

Você avalia que 2018 será um ano difícil para o micro e pequeno empreendedor?
Sim, muito difícil. O cenário ainda é de batalha por preço – característica dos períodos recessivos –, onde as vantagens competitivas perdem relevância, impactando diretamente os negócios, especialmente aqueles suportados por diferenciais de qualidade de produto ou serviço.

Acredita que os negócios estão se recuperando?
Os esforços feitos para sobreviver e superar a crise, através da redução de custos, da reinvenção do modelo de negócio ou de formas alternativas de chegar ao cliente, embora tenham deixado muita gente para trás e induzido o surgimento de novas empresas, ampliando ainda mais a competição, parecem começar a dar algum resultado. E como tudo é interligado, mesmo que tênue, a recuperação de uns favorece a de outros, fazendo a roda voltar a girar.

Considera que o cenário político continua prejudicando a retomada dos negócios?
Não vejo ninguém com expectativa de melhora ou mudança significativa de conjuntura a curto prazo. É inegável que o cenário político conturbado prejudica a velocidade de recuperação da economia, mas tenho percebido uma postura diferente, do tipo ‘chega de esperar que as coisas voltem a ser como antes, não voltarão tão cedo, ou nunca’.

Mas acha que neste ano poderemos ter mais estabilidade na economia?
Ponho em cheque as previsões para este ano que indicam inflação baixa e sob controle, porque na primeira ‘piscada’ de aquecimento vamos ver reajustes de preços em cascata, e voltaremos à montanha-russa dos juros subindo novamente, interferindo na recuperação.

O que os micro e pequenos empresários podem fazer para fortalecer o negócio em 2018?
Reinventar os negócios é uma expressão forte, mas repensar o modelo e construir novos canais de relacionamento pode ser a saída menos dolorosa e mais efetiva, porque o modo de se comunicar com o mercado faz toda a diferença.