Saque do FGTS  movimenta mercado
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Saque do FGTS movimenta mercado

Franquias que demandam investimentos de até R$ 80 mil são foco de interessados

CRIS OLIVETTE

02 Abril 2017 | 07h59

Rafaela Sampaio. Foto: Mayara Mello

Rafaela Sampaio. Foto: Mayara Mello

A liberação do saque de contas inativas do FGTS movimenta o mercado de nano franquias (investimento até R$ 25 mil) e microfranquias (investimento até R$ 80 mil). Marcas dos segmentos de cupons de desconto, cursos profissionalizantes, bijuterias e serviços de limpeza, entre outras, realizam ações de marketing e oferecem vantagens para atrair franqueados.

Sempre vale lembrar que a receita mensal costuma ser proporcional ao montante investido. Portanto, negócios que demandam pouco investimento não proporcionam alta lucratividade.

A jovem Rafaela Sampaio, de 28 anos, está animada com a receita extra. Ela vai usar os recursos de sua conta inativa do FGTS para formar estoque de produtos Francisca Joias e se tornar uma revendedora. “Planejo obter lucro de 40% a 50%.”

Diretor executivo da franqueadora de serviços de limpeza JAN-PRO no Brasil, Renato Ticoulat conta que a demanda cresceu 30% desde o anúncio feito pelo governo. “Antes, recebíamos entre 30 e 40 candidatos por mês. Agora, a média mensal passou para 120 interessados”, afirma.

Jornalista desempregada há um mês, Pamela Nunes vai investir no segmento de limpeza comercial. “Vou juntar o dinheiro que já saquei da conta inativa do FGTS com a verba que estou para receber da homologação da rescisão de meu contrato de trabalho, e comprar uma unidade JAN-PRO.”

Renato Ticoulat. Foto: Lailson Santos

Renato Ticoulat. Foto: Lailson Santos

Pamela já pensava em ter negócio próprio há algum tempo. “Com a liberação do FGTS e a questão de estar sem trabalho, tive tempo para pensar com calma sobre o assunto. Decidi que chegou o momento. Optei por ser franqueada, porque é um modelo testado que oferece menos risco, e posso começar com investimento baixo e crescer aos poucos.”

Ticoulat afirma que o diferencial da marca é garantir o primeiro contrato. “Temos 19 planos de franquia. O primeiro, custa R$ 7,5 mil e último R$ 118 mil. A maioria investe R$ 20 mil. Nessa faixa, o primeiro contrato é de R$ 6.250,00 mil por mês. Se a pessoa contratar apenas um funcionário e colocar a mão na massa, pode tirar perto de R$ 5 mil por mês”, diz Ticoulat. A marca tem 230 franqueados e atende 894 clientes.

Com 180 franqueados distribuídos pelo Brasil, a rede PremiaPão, que comercializa publicidade impressa em saco de pão, iniciou campanha para divulgar o parcelamento da taxa de franquia. Com a ação, espera atrair pessoas que terão acesso ao saldo da conta inativa do FGTS. Até agora, já obteve aumento de 25% no número de interessados.

Diego Castro

Diego Castro

“O comprador dá entrada de 50% e o restante pode ser quitado com o resgate do FGTS, num prazo de 30 dias”, conta o diretor comercial e de expansão, Diego Castro. Para cidades com até 100 mil habitantes, o preço é R$ 6 mil. Com até 200 mil habitantes a taxa custa R$ 10 mil. Em municípios com 300 mil habitantes o custo é R$ 14 mil.

Segundo ele, o franqueado recebe kit digital com a assinatura profissional no e-mail, material gráfico de apresentação comercial e modelos de contrato.

“Além disso, recebe kit com cartões de visita personalizados, panfletos promocionais, adesivos, folders, sacos impressos de amostra, entre outros itens, e treinamento completo realizado por meio de plataforma online da PremiaPão University.”

Administrador de empresas, Denison Abdias dos Santos trabalha como gerente de planejamento financeiro e vai fechar negócio com a PremiaPão no próximo dia 10, data em que poderá sacar o saldo de sua conta inativa do FGTS.

“Há algum tempo desejava ter uma operação que possibilitasse somar o perfil profissional de Juliana, minha mulher, que é boa em vendas, com o meu, de planejamento, gestão e estratégia, mas não tínhamos renda extra para investir. Vamos usar o FGTS para pagar a taxa de franquia e usar o restante como capital de giro. Vamos iniciar novo ciclo em nossa família.”

Denilson e Juliana Santos. Foto: Rodrigo Aguiar Simas - SCR Produções

Denilson e Juliana Santos. Foto: Rodrigo Aguiar Simas – SCR Produções

Segundo ele, a opção pela marca levou em conta o baixo valor de investimento inicial, retorno inferior a seis meses, baixo custo de operação e ideia inovadora. “Esperamos ter bom desempenho e o retorno esperado para que possamos ampliar o negócio com outras unidades.”

Para viabilizar o desejo de quem quer se tornar franqueado da Acqio Franchising, rede que atua no mercado de meios de pagamento eletrônico, usando o saldo do FGTS, a marca reduziu o valor da taxa de franquia de R$5.990 para R$4.490. “Além disso, facilitamos o pagamento em até 12 vezes, para que o investidor feche negócio e tenha prazo suficiente para receber o recurso”, diz o diretor executivo, Kawel Lotti.

Segundo ele, o número de interessados cresceu 20%. “Nosso modelo é home office, porque é o empreendedor que desenvolve as atividades, não necessitando de funcionários.”

A marca conta com 540 unidades. “O faturamento médio mensal é de R$ 11 mil, com margem de lucro de R$3,2 mil, com prazo de retorno de seis a 12 meses. O trabalho do franqueado consiste em vender as maquininhas para pequenas e médias empresas de sua região.”

Com investimento de R$ 900 reais é possível se tornar revendedora da Francisca Joias. “Esse valor inclui a compra dos primeiros itens para que seja possível representar a marca em todos os lugares do País”, afirma a CEO Sabrina Nunes.

Segundo ela, a atuação das revendedoras é semelhante a de uma franqueada. “Elas pagam uma taxa e recebem treinamento online. É uma ótima oportunidade para pessoas que querem ter renda extra ou se dedicar integralmente a um negócio de vendas e relacionamento.”

Condições especiais para atrair comprador

Presidente do grupo Prepara Cursos Profissionalizantes, Rogério Gabriel está trabalhando para atrair pessoas que irão resgatar o saldo de contas inativas do FGTS para adquirir uma unidade da microfranquia.

“Umas das estratégias que estamos adotando é a realização de conferências virtuais para a apresentação do negócio aos interessados. Também estamos oferecendo condições especiais para a quitação da taxa de franquia à vista. O investimento inicial É a partir de R$ 60 mil. O valor inclui a montagem da unidade”, conta.

Desde que souberam que poderiam sacar R$ 60 mil da conta inativa do FGTS, o casal Narciso Antônio Bocchia e Regina Célia Platz Bocchia, passou a negociar a aquisição de uma unidade Prepara Cursos, que será inaugurada em maio. “Fiz todo o planejamento já contato com esse dinheiro. O valor será destinado ao fluxo de caixa e desenvolvimento do negócio”, diz Bocchia.

O casal Narciso Antônio Bocchia e Regina Célia Platz Bocchia. Foto: Paulo Henrque de Siqueira

O casal Narciso Antônio Bocchia e Regina Célia Platz Bocchia. Foto: Paulo Henrque de Siqueira

Formado em direito, o empreendedor trabalhou 30 anos como gestor na indústria farmacêutica e deixou a carreira para montar o negócio junto com a mulher. Ela irá cuidar das áreas administrativa, financeira e pedagógica e ele, da área comercial.

“Atuei na área de treinamento, desenvolvimento e capacitação estratégica de pessoas, por isso optei por um negócio nesse segmento. Gosto de atuar para a transformação das pessoas e o objetivo do nosso negócio é formar pessoas para o mercado de trabalho. Acho importante atuar em uma área com a qual tenhamos afinidade.”

Sócio-diretor do Grupo VA – holding de microfranquias de serviços detentora das redes Evolute Profissionalizantes e Idiomas, Doutor Lubrifica, ContabExpress e The Voucher –, Vinicius Almeida afirma que a procura teve aumento significativo, principalmente da marca The Voucher, franquia de cupons de descontos via aplicativo que requer investimento a partir de R$ 10 mil.

“Antes da liberação do saque do FGTS, a marca já atraia pessoas que perderam o emprego. Com o novo incentivo, a procura cresceu e fizemos até um sistema de parcelamento em até seis vezes”, conta.

Almeida conta que está com diversas negociações em estágio avançado. “Além disso, temos vários candidatos aguardando as datas que já estão agendadas para nos reunirmos. Todos sinalizaram que pretendem usar recursos do saldo inativo do FGTS”, afirma.

Segundo ele, não basta ter dinheiro para ser um franqueado. “O candidato passa por processo criterioso de avaliação para sabermos se tem perfil adequado e se a proposta do negócio é adequada para o que busca. Nosso plano de negócio prevê que a partir de 30 clientes o franqueado tenha lucratividade a partir de R$ 4 mil, podendo chegar a R$ 10 mil em 18 meses.”

A rentabilidade do The Voucher é o que está atraindo Luis Vieira. “Ainda não fechei o negócio. Estou estudando a proposta e avaliando outras alternativas, mas por enquanto esta foi a que mais gostei.”

O futuro empreendedor pretende investir R$ 12 mil do dinheiro que terá acesso em meados de abril. “Estou trabalhando como técnico de balanças, mas pretendo participar do treinamento da marca que eu adquirir junto com uma pessoa que vai tocar o negócio. Mas a minha intenção é me tornar independente e poder deixar o trabalho para empreender.”