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‘Ser chamado de louco me motivou’, diz empresário

Fundador da rede CERS de ensino a distância, Renato Saraiva diz que o empreendimento só decolou quando passou a oferecer serviço que não existia

Claudio Marques

23 Outubro 2017 | 07h45

Renato Saraiva, sócio fundador da CERS -Cursos Online. Foto: Jairo Lima

Pedro Ramos
ESPECIAL PARA O ESTADO
Gravar videoaulas na garagem de casa para sua turma de alunos foi a forma que o professor de Direito Renato Saraiva começou seu empreendimento, em 2009. Fundador do Complexo de Ensino Renato Saraiva (CERS), o empresário se orgulha de já ter formado mais de 550 mil alunos e de possuir 130 mil estudantes ativos em cursos online preparatórios para concursos na área do Direito. “Dei aula em vários cursos pelo Brasil, escrevi livros e depois decidi montar meu próprio negócio.”

Apesar do sucesso atual com educação a distância, Saraiva transitou antes por caminhos distintos do empreendedorismo. Criado em Vigário Geral, comunidade carente do subúrbio do Rio de Janeiro, Saraiva conta que a infância pobre o fez buscar uma carreira em que pudesse mudar de vida.

Depois de concluir o ensino médio, pediu dinheiro aos pais para prestar concurso para sargento da Aeronáutica, mas acabou sendo reprovado na prova. Ele resolveu tentar o concurso mais uma vez e, estudando quase 18 horas por dia, foi aprovado, em 1986.

Insatisfeito com o soldo, resolveu cursar Direito e, em 2001, foi aprovado no concurso para a Procuradoria do Trabalho, o que o fez trocar o Rio de Janeiro por Recife. A partir daí, começou a dar aulas, escreveu onze livros e, com a experiência adquirida, despertou o sonho de começar seu próprio empreendimento.

Para colocá-lo em prática, vendeu o próprio carro e pediu adiantamento do pagamento de direitos autorais de livros que escreveu sobre Direito para alugar uma casa antiga na capital pernambucana. No local, deu início ao CERS, ministrando aulas para estudantes que buscavam aprovação em concursos na área jurídica.

Em setembro do mesmo ano, Saraiva concluiu que o modelo de aulas presenciais não estava dando certo e resolveu inovar. Adotou aulas online, quando a prática ainda não era comum no Brasil, e passou a dividir 30% do faturamento com os professores, o que atraiu profissionais qualificados para o curso.

“Nossa receita vem aumentando ano a ano. Em 2016, faturamos quase R$ 80 milhões, 20% a mais que no ano anterior. A nossa previsão de crescimento para este ano é de mais de 10%. Isso se explica porque, com o desemprego, é normal as pessoas irem atrás de concursos públicos”, diz Saraiva.

A educação tem acompanhado os avanços tecnológicos, e os cursos de ensino a distância ganharam força no Brasil nos últimos anos. O CERS adota equipamentos modernos para as transmissões das mais de 70 aulas online diárias de várias disciplinas.

Desde sua fundação, o grupo produziu mais de três mil cursos online e possui quase 30 salas de gravação em nove Estados. A valorização do corpo docente também é um dos objetivos de Saraiva, com os professores recebendo participação nos lucros da escola.

Os cursos têm foco na preparação dos alunos para concursos públicos, como para tribunais, Ministério Público e para delegados das polícias Civil e Federal. Também oferece cursos de pós-graduação em parceria com a Universidade Estácio de Sá, dispõe de centros físicos de apoio ao estudante, espalhados em 13 cidades brasileiras, e ainda possui o CERS Corporativo, que oferece cursos de extensão, atualização e aperfeiçoamento.

Persistência. “Estudar era o único caminho para mudar de vida, de forma honesta. Virei empreendedor por acaso. Não tenho casos na família de alguém criar o próprio negócio.”

Pioneirismo. “Quando criamos o curso online e abandonamos o presencial, deu muito certo. Na época, em 2009, ninguém fazia online de forma profissional. Então, o negócio decolou. Apresentamos uma ideia nova que ninguém fazia. Ideia todo mundo tem, mas só se ela for bem executada é que passa a ter valor monstruoso.”

Erros e acertos. “Primeiro, o negócio tem de dar errado para dar certo. Quando montei o negócio, fui com a minha intuição e apostei nos negócios que já existiam no mercado. Quis fazer igual aos outros e esse foi o meu primeiro grande erro. Então, eu resolvi mudar. Executar algo diferente deu certo.”

Inovação. “Quando abri os cursos online, fui chamado de louco e isso me motivou. Dizem que só os loucos fazem coisas extraordinárias. Isso serviu de motivação para mim. Fui pioneiro e acabei saindo na frente.”

Capacitação. “Tenho orgulho de fazer parte da Endeavor, que tem grandes mentores. Durante o processo de escolha, me ajudaram em áreas como marketing, TI e gestão de pessoas. O empresário é solitário e precisa de ajuda de conselheiros em vários momentos.”