Startups tecnológicas ganham apoio e estrutura
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Startups tecnológicas ganham apoio e estrutura

Nasce o espaço Cubo Coworking, subsidiado por Itáu Unibanco e Redpoint eVentures

CRIS OLIVETTE

25 Outubro 2015 | 08h07

Fábio Duran, sócio da franqueadora Elefanta Verde (foto: Clayton de Souza/Estadão)

Fábio Duran, sócio da franqueadora Elefante Verde (foto: Clayton de Souza/Estadão)

Donos de startups na área de tecnologia contam com um novo ambiente de apoio aos negócios. O centro de empreendedorismo Cubo Coworking, inaugurado há pouco mais de um mês, foi idealizado pelo Itaú Unibanco e pela Redpoint eVentures.

Localizado na zona sul da capital paulista, o Cubo ocupa uma área de cinco mil metros quadrados, tem capacidade para receber até 50 empresas residentes, auditório para 130 pessoas, cafeteria, salas para cursos e espaço para eventos.

Além do ambiente de coworking, os residentes contam com o apoio de mentores especializados em diversos temas, contato com investidores, plataforma de educação empreendedora com workshops, palestras e eventos.


“Esta iniciativa contribuirá para o surgimento de inovações tecnológicas por meio da troca constante de experiências e incentivo às conexões entre os diversos atores que compõem esse ecossistema”, afirma Erica Jannini, superintendente de tecnologia do Itaú Unibanco.

A franqueadora de plataforma de marketing digital para pequenas empresas Elefante Verde, faz parte da primeira turma de residentes. “Estamos aqui há um mês e já tivemos oportunidade de compartilhar muitas ideais e questões. É muito legal receber opinião de outras pessoas e passar a enxergar a questão que nos aflige de forma totalmente diferente”, diz o fundador da empresa, Fábio Duran.

Segundo ele, o espaço reúne empreendedores com ótimas ideias. “Quando surge uma dúvida sobre como fazer uma nova operação financeira, por exemplo, aqui tem alguém que já fez isso e nos ensina. É um ambiente muito aberto, cheio de pessoas solicitas. Empreendedor de startup gosta de dividir experiência. A interação tem sido muito rica”, afirma.

Duran conta que o Cubo oferece pelo menos três eventos por semana com palestrantes de grandes empresas de tecnologia. Segundo ele, sua expectativa é adquirir conhecimentos, conhecer pessoas e firmar novas parcerias. “Já fechamos duas parcerias. Além disso, o fato de estarmos aqui fez aumentar o número de interessados em adquirir unidades da Elefante Verde, pois ganhamos mais visibilidade”, diz.

Outra empresa residente do Cubo é a Prosas, plataforma que divulga editais de projetos sociais e permite o acompanhamento de todas as etapas de implantação dos projetos.

Bruno Barraso, criador da plataforma Prosas

Bruno Barroso, criador da plataforma Prosas

“O Brasil tem 290 mil organizações do terceiro setor. Todas têm necessidade de captar recursos para realizar as suas atividades. Do outro lado, há outro imenso grupo de empresas que investem na área social, bem como governos e suas diversas instâncias. O Prosas centraliza as relações entre organizações do terceiro setor e patrocinadores de projetos na área social, além de permitir que o cidadão acompanhe o que as entidades estão realizando na sua região”, conta o idealizador do serviço, Bruno Barroso.

O empresário já percebeu que há sinergia entre o Prosas e outros negócios que estão no Cubo, o que torna possível discutir parcerias. “Andando pelo corredor ou tomando um café, nos pegamos conversando com um investidor ou um potencial cliente. Tem sido muito produtivo. Acredito que o espaço será o epicentro do empreendedorismo digital no Brasil”, diz.

O dono da Linte, Gabriel Bagno Senra, conta que também espera ampliar o leque de parcerias. “Já descobrimos aqui dentro uma empresa que pode ser nossa parceira em solução tecnológica”, afirma.

Senra conta que a Linte faz automação para departamentos jurídicos. “O negócio surgiu quando automatizei os processos jurídicos de uma empresa, que reduziu em 60% os seus custos com gestão de processos. Isso chamou a atenção de um fundo americano que nos levou ao Vale do Silício, na Califórnia.”

Gabriel Senra , dono da Linte (foto: Clayton de Souza/Estadão)

Gabriel Senra , dono da Linte (foto: Clayton de Souza/Estadão)

Ele conta que durante quatro meses recebeu mentoria e teve experiência de coworking. “Convivemos com 15 startups de países diferentes. A experiência foi muito poderosa. Vi muito valor em estar em um ambiente onde se respira empreendedorismo. Isso nos motivou a buscar uma vaga no Cubo.”

Senra afirma que até o momento as expectativas no quesito networking vêm sendo muito bem atendidas. “As trocas são muito ricas, tanto entre os empreendedores quanto com o pessoal do Itaú, que têm aproximado os residentes da diretoria do banco.”

Centro de empreendedorismo comporta até 50 empresas jovens

A superintendente de gestão de TI do Itaú Unibanco, Erica Jannini conta como funciona o Cubo Coworking.

Há limite de tempo de permanência no espaço?
Não existe prazo. As startups são avaliadas semestralmente e permanecem caso faça sentido para o Cubo e para elas.
Quando ocorre a seleção?
O processo de seleção é permanente e nossa capacidade de aceitar mais empresas depende do tempo que as residentes fiquem no Cubo.
Como ocorre a escolha?
A seleção leva em conta critérios como capacidade do empreendedor, relevância do negócio para o mercado ao qual se destina e capacidade de transformação da sociedade. Pontos como estágio de atuação no mercado, capacidade de execução, alcance de escala, oferta de valor para outros residentes são considerados.
Há alguma taxa?
As startups pagam uma contribuição para se tornarem membros do Cubo e desfrutarem de todos os benefícios. Por ser uma associação sem fins lucrativos, o valor arrecadado é utilizado exclusivamente para pagar a operação do espaço e investir na plataforma educacional, que oferece mentoria para startups residentes, além de capacitação e eventos a empreendedores não-residentes.
Qual o valor?
O custo da taxa de associação varia de acordo com o tempo de permanência e o número de funcionários.

Erica Janini, superintendente de tecnologia do Itaú Unibanco (foto: SM2 Fotografia)

Erica Janini, superintendente de tecnologia do Itaú Unibanco (foto: SM2 Fotografia)

O que o espaço oferece?
A atuação do Cubo tem como base quatro pilares: oferta de espaço de coworking para startups digitais; plataforma de educação técnica com consultoria, capacitação, mentoria e palestras. Nesse sentido, a mentoria é uma possibilidade dentro de um leque de opções.
E os outros dois pilares?
Há também eventos e congregação para comunidade de startups do Brasil e América Latina; e rede de conexão global entre empreendedores, investidores, empresas de tecnologia, academia, estudantes e entidades. As atividades de educação empreendedora também contemplam demonstrações e showrooms de produtos de tecnologia. Nosso objetivo é oferecer acesso ao que há de mais novo e avançado no mercado de tecnologia e inovação.
Cada empresa pode manter quantas pessoas no espaço?
O número varia, há empresas com dois funcionários e startups mais maduras com cerca de 12. Gostamos de ter os fundadores da empresa trabalhando no Cubo e contribuindo para a criação de um espaço único e rico para quem está ali.