As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Surfando na onda do Pokémon Go

Jogo mexe com a criatividade de pequenos empreendedores e ajuda a popularizar e disseminar o uso de tecnologias como geomarketing

CRIS OLIVETTE

11 Setembro 2016 | 07h00

Gabriel Castro, dono da loja geek Terra Magic

Gabriel Castro, dono da loja geek Terra Magic

Lançado há pouco mais de um mês no Brasil, o jogo Pokémon Go tem atraído a atenção de empreendedores que criam formas criativas para pegar carona nessa onda e aumentar o faturamento da empresa.

Mesmo tendo reforçado o estoque, o dono da loja Terra Magic, Gabriel Castro, conta que as pelúcias dos personagens Pokémon já estão esgotadas. “Graças a este boom, todas as vendas de produtos relacionados ao jogo aumentaram bastante. A primeira semana após o lançamento foi inacreditável. Nesse período, as vendas aumentaram 60%. Depois, deram uma acalmada, mesmo assim, o volume tem se mantido 20% acima da média.” 

O empresário está surpreso por atender clientes com mais de 30 anos querendo comprar itens da série. “Eles estão matando as saudades. Falam entusiasmados do desenho que assistiam há mais de 20 anos.”


Entre os itens vendidos estão 120 tipos de baralhos, chamados Decks Pokémon e 1.500 tipos de cards games, além de jogos para vídeo game. “Os cards são bem diversificados, diferentemente dos vídeos, que têm apenas sete gerações, cada uma com dois jogos em média. Também temos latas colecionáveis e bonequinhos de borracha dos mais de 700 personagens Pokémon”, afirma.

No feriado de 7 setembro, a Terra Magic foi palco do primeiro torneio regional das seletivas para a temporada do Premier Challenge SP 2017, realizado pela Liga Organizada Pokémon de São Paulo. O evento é sancionado pela Nintendo, fabricante dos jogos. “Cada participante paga R$ 10. Conforme os jogadores vencem as batalhas, acumulam créditos para gastar na loja. O objetivo maior da disputa é conquistar vaga no World Championship 2017.”

Fã da primeira temporada do Pokémon e dona da marca Chiquita Bakana, Michelly Miguelote arrumou um jeitinho de aproveitar essa febre. “Tenho um filho de 22 anos e curti muito os personagens do desenho com ele. Quando o Pokémon Go foi lançado, joguei algumas partidas e tive a ideia de fazer algumas fraldas com a estampa do Pikachu”, conta.

Michelly Miguelote, dona da Chiquita Bakana

Michelly Miguelote, dona da Chiquita Bakana

Ela diz que produziu 100 unidades que foram vendidas em uma semana. Agora, está concluindo a produção de 300 peças que estarão à venda na próxima semana e terão estampas de outros personagens da série.

Segundo ela, seu negócio consiste na produção de fralda pocket, uma evolução da antiga calça plástica. “Eu desenvolvi o modelo e pesquisei o material. Elas são bem confortáveis e têm vida útil de mais de três anos. Na parte interna há uma espécie de bolso onde é inserido um absorvente lavável ou mesmo uma fralda de tecido. É uma economia e tanto para os pais”, afirma.

A empresária diz que as crianças usam fralda descartável, em média, até os três anos. “Nesse período, a família gasta cerca de R$ 5 mil. Com fralda de pano, gasta no máximo R$ 2 mil.”

Outra vantagem é a redução na geração de resíduo. “Cada unidade descartável leva 450 anos para degradar, ou seja, seis gerações. No Brasil, esse resíduo é levado para lixões e aterros sanitários, onde são enterradas. Elas não podem ser incineradas por conterem componentes químicos. Teria de ser feita uma reciclagem, como já ocorre na Europa”, afirma.

A artista especializada em modelagem em pasta americana e fundadora da Candy Designer, Ingred Garopano, só não está faturando mais com os enfeites inspirados no Pokémon porque seu trabalho é artesanal. “É um trabalho manual com produção limitada. Por isso, as encomendas têm de ser feitas com bastante antecedência. Minha agenda está lotada até o final do ano.”

Ela conta que trabalha com maçã decorada, pirulitos, bolacha amanteigada, cakepop e porta retrato de chocolate. Mas o meu carro chefe são os cupecakes recheados com chocolate belga. O que me diferencia no mercado é a modelagem. Sou muito detalhista.”

Ingred Garopano, dona da Candy Designer

Ingred Garopano, dona da Candy Designer

Ela trabalha com doces decorados há um ano e meio. “Pelo amor à modelagem acabei entrando na confeitaria. Reproduzo a imagem com fidelidade, sem me importar que o produto será comido, faço como se eles fossem ficar eternizados.”

Ingred conta que após o lançamento do Pokémon Go tem recebido muitas encomendas tendo o Pikachu como tema. “Recebo pedidos com esse personagem até mesmo para festas de meninas que estão na faixa etária de 12 anos.”

Tecnologia. Diretor da empresa que desenvolve soluções de inteligência geográfica chamada Imagem, Abimael Cereda Júnior afirma que o Pokémon Go é uma oportunidade. “Não especificamente o uso do jogo. Mas ele está revelando às pequenas e médias empresas algo que antes vinha sendo usado somente por grandes companhias, que é a utilização do geomarketing.”

Segundo ele, a moda do jogo em algum momento vai passar. “Mas o que não pode passar como oportunidade para os empreendedores é o uso do geomarketing, também chamado de inteligência de mercado, que une a área de geografia e suas tecnologias como satélite, realidade aumentada e sistema de localização. Antes, essas ferramentas eram caras e complexas.”

Abimael Cereda Júnior, diretor da Imagem

Abimael Cereda Júnior, diretor da Imagem

Cereda Júnior diz que a popularização de smartphones, sistemas de localização como GPS e de sistemas ligados à internet, tudo está na palma da mão das pessoas. “Essas tecnologias utilizadas no jogo, também estão disponíveis para as empresas. Existem soluções de baixo custo que podem fazer parte da realidade do negócio para saber onde estão os clientes, em que local pode vender mais, que tipo de produto deve ser comercializado, além de poder colher a opinião dos consumidores.”

Ele afirma que o jogo está servindo para popularizar tais ferramentas. Elas estão disponíveis não apenas para caçar bichinhos virtuais, mas também para encontrar clientes, concorrentes e identificar novos pontos de mídia. É uma evolução no processo de negócio.”

Jogo inspira a criação caça-promoção

diretor da Imagem, empresa especializada em inteligência geográfica, Abimael Cereda Júnior, diz que a projeção do jogo Pokémon Go é sinal de algo ainda maior: o potencial do geomarketing para as empresas. “Isso nada mais é do que ter um entendimento de geografia combinada com marketing. Os empresários estão aprendendo a oferecer o melhor produto e o melhor preço de acordo com o local onde o consumidor se encontra.”

Cereda Júnior lembra que o geomarketing existe há algum tempo, mas voltou à moda com o Pokémon GO. “A desenvolvedora do jogo Niantic, por exemplo, ganha muito além do que se arrecada com o próprio Pokémon Go. Por meio da nuvem, ela pode avaliar padrões de consumo e de deslocamento com uma base de dados incrível, oferecendo informações para desenvolvimento de negócios mais adequados”, explica.

O empresário recomenda que os empreendedores olhem o modelo do jogo e pensem: como posso criar novas formas de interações com meus consumidores? Como isso pode trazer expansão e lucratividade para meu negócio? “É um mundo de oportunidades”, afirma.

Depois de fazer uma análise semelhante à recomendada por Cereda, o diretor do GS Group, Fernando Gibotti, começou a desenvolver um jogo de realidade aumentada no qual o cliente, ao entrar em um supermercado, vai caçar promoções.

Fernando Gibotti, diretor do GS Group

Fernando Gibotti, diretor do GS Group

“Pegamos a ideia do Pokémon Go e o interesse que ele despertou nas pessoas para desenvolver o jogo. Só que neste caso, a pessoa vai procurar coisas que dão ganhos reais para elas. É uma espécie de caça ao tesouro”, diz.

Gibott conta que sua empresa desenvolveu uma família de aplicativos chamada Zoom Box. “Este novo aplicativo que estamos concluindo será na verdade mais uma funcionalidade do Zoom Box, plataforma de fidelidade e de ação promocional para os clientes.”

Segundo ele, o jogo estará disponível dentro de 45 dias. “Com esse programa de fidelidade, quando o cliente chega no caixa e informa o número de seu CPF, a lista de itens que foram comprados é anexada ao cadastro do cliente. Dessa forma, é possível saber a sua frequência de consumo de determinados itens. A ideia é oferecer promoções especializadas para cada indivíduo”, conta.

O empresário diz que a plataforma Zoom Box já está presente em mais de 400 pontos entre supermercados shoppings centers e redes de franquias. “Com o jogo, vamos implementar uma interação virtual dentro da loja, levando em consideração o perfil de compra de cada cliente.”